Que se fechem as cortinas, mas antes, uma salva de palmas.

Hime se depara com uma grande revelação, ela possui um irmão. Um irmão de outra mãe, e também de outro pai, que na verdade é filho de sua tia, à qual ela nem sequer, aparentemente, conhecia. Seu irmão, que de irmão só tem primo, apresenta o percurso familiar de um novo alvorecer, que na verdade, é um cessar, o anime acabou.

Sua maioridade, que na verdade nem é, já que no Japão a maioridade é com 20 anos, é pontuada com uma nova revelação. Ela descobre, no decorrer de 12 episódios, a conta gotas, que o seu pai tinha um segredo. Sua profissão, seu orgulho, sua estima, era a arte profana dos mangás, e ainda pior, dos mangás com piadas sujas e humor controverso, ou mesmo, o comumente chamado de humor ácido. Pensou que eu falaria humor negro? Não pode pessoal, isso é racismo estrutural perante a conceituação da linguagem.

 

 

Enfim, o que Hime sabia, mas nós não sabíamos, era que seu pai sofreu um acidente. Ele não morreu, ele não desapareceu, ele não fugiu, surtou ou foi parar em um isekai. Tá, ia ser interessante se ele fosse parar em um isekai. Kakushi, nosso mestre, foi soterrado pelo seu próprio pecado, por uma pilha de mangás insensíveis e de sangue azul. A Myne/Urano, se condoesse.

O mais interessante é o motivo, aquilo que levou nosso herói a situação de trabalhador braçal. Sua amada esposa, essa sim, desapareceu, foi tragada por uma tragédia em alto mar. Kakushi, que a amou ao ponto de nunca dar um passo atrás em seu sentimento, nunca e jamais, deixou de a procurar, sempre em esperança de a encontrar novamente. Infelizmente, ao que tudo indica, ela não retornará, pois ela sim foi para um isekai. Tá, isso ia ser interessante.

Mas seguindo. Kakushi aplicou tudo o que possuía, tudo o que sobrava, na busca, no rastreio do paradeiro de sua amada. Esse é o motivo que o levou, ao ser exposto junto a um tabloide, com sua privacidade, com seu coração aberto ao conhecimento de todos, a abandonar a carreira a qual tanto amava.

 

 

Um amor levou o outro, e um acidente levou sua consciência para um mundo de sonhos, ou coma, para os íntimos.

Antes de sua queda, ou avalanche de emoções, Kakushi foi obrigado a vender a casa onde ele e Hime moravam, a ser humilde, como sempre, aliás, foi. Hime, sem piscar, acompanhou o pai pelas águas turvas do destino, sem nunca sentir o peso por uma infelicidade que nunca existiu.

Ao acordar, confuso e em choque, Kakushi, no clichê mais adequado para o momento, perde a sua memória. É hilário e trágico, mas a sua equipe, seus amigos e sua jovem recém quase adulta filha, o acompanham e abraçam o seu virtuoso companheiro.

 

 

O desfecho final, quando Hime lhe oferece a clareza dos fatos, a verdade crua da realidade, despertam a sua vergonha, e o seu mundo retorna a superfície. A luz do presente, a sua nova e velha vida, retoma as rédeas da prosperidade. Um fim intenso que promete a consolidação da dignidade dentre todos aqueles que aqui desempenharam os seus papéis nesse contundente anime, Kakushigoto.

E assim as cortinas se fecham, e assim os assistentes são laçados pelo tortuoso caminho da arte, ou da assistência, já que apenas Rasuna acendeu a maestria. E agora, de igual para igual com o seu professor, caminham em uma nova estrada, sendo seguidos de perto por Hime, em mais um derradeiro segredo.

 

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