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Shomin Sample chegou ao fim, e escrevo esse artigo com um bocado de atraso (considerando que deixei de escrever semana passada) mas sem falta. O que foi esse anime? Uma comédia de cotidiano escolar? Um romance harém? Uma dramédia de relacionamentos adolescentes? Foi um pouco de tudo isso e … foi um pouco. Não, pouco é injusto, foi médio. Quero dizer, eu gostei, achei legal, ri bastante em alguns episódios, me emocionei e torci bastante noutros (principalmente pela Aika), fiquei bastante incomodado com fanservice fora de hora (e me entretive medianamente nas poucas vezes em que ele veio na hora e do jeito certos), mas Shomin Sample é tudo menos memorável. Talvez até tivesse potencial para isso (eu gosto bastante dos seus personagens) mas o roteiro não acertou em cheio. O fato é que Shomin Sample é um anime que em uma temporada normal eu sequer teria assistido só por causa da sinopse, mas nessa temporada o que mais tinha para me fazer rir? O que mais tinha de absurdo para assistir? Assim que não apenas assisti mas acabei escrevendo artigos episódicos sobre o anime. E não me arrependo.

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O final foi bastante manjado: um conflito inesperado e exagerado que acaba envolvendo todos os personagens. Teve seus momentos altos no episódio 11, principalmente no telefonema entre a Aika e a Reiko, e um pouco quando a Miyuki deixou o Clube Plebeu sair para resgatar a princesa Arisugawa. O Kimito estava bastante determinado, e se tudo o que ele faz não fosse absolutamente previsível e quase obrigatório eu até o elogiaria um pouco. Não que eu o pretenda criticar, nada disso. Ele cumpriu muito bem seu papel nesse arco final. Até deu um discurso (idiota) dizendo como aquilo lá (desmanchar o noivado e resgatar a Reiko) era “trabalho para um plebeu”. Fez ele parecer grande e importante, mas aquelas palavras não significam absolutamente nada. O que é trabalho de um plebeu? Bom, no Japão, quase tudo, de plantar arroz ao comércio e construção civil, passando pelos cargos militares subalternos. O que é trabalho de um plebeu, Kimito?

Importante mesmo foi a conversa telefônica entre a Aika e a Reiko. Que as duas se importavam muito uma com a outra todo mundo já sabia. Que eram melhores amigas mas não queriam admitir também. Então, para que a Reiko diga a verdade, a Aika precisou dizer a verdade primeiro. E ah, dizer a verdade é uma coisa bastante difícil às vezes, principalmente quando tem a ver com relacionamentos interpessoais, não é? Você consegue ir agora e contar para alguém que você considera muito importante mas nunca admitiu isso nem tentou deixar implícito através de seus atos? Talvez você até consiga, as pessoas são diferentes entre si. Mas para a Aika isso era muito difícil. Lembra como no começo do anime ela não queria sequer trocar palavra com ninguém? Que dirá admitir o que sente! A Aika evoluiu bastante no curso desses doze episódios (e só ela).

Com essa coisa complicada de “dizer a verdade” resolvida e fora do caminho, só restava agir. E o Clube Plebeu começou a agir logo no final do episódio 11, mas foi o 12 que foi inteiramente dedicado a ação. Como uma comédia, Shomin Sample bombardeou a tela com sátiras de gêneros e clichês comuns em mangás e animes, especialmente em histórias de ação. Nem tudo foi exatamente engraçado, mas nada foi constrangedor e tudo serviu para manter o clima durante o episódio inteiro, então acho que no mínimo merece reconhecimento pelo esforço.

Mas depois de tanto lutarem ainda precisavam superar o mais difícil dos desafios: conversar com a mãe da Reiko e convencê-la a cancelar o noivado. E como fazer isso se nem a Reiko se sentia à vontade para admitir o que realmente sentia? A mãe da Reiko foi verdadeiramente opressora. E antes disso foram opressores com ela. E antes com sua avó. E assim em toda a linhagem Arisugawa até onde uma árvore genealógica pode alcançar. Tema comum desde o início do anime é como os nobres, ou mais especificamente as garotas nobres, sofrem uma opressão brutal para viver em um mundo que na verdade não existe. As garotas do Clube se divertiram à caminho da mansão Arisugawa simplesmente com a vista da cidade “plebeia”, “normal”, da mesma forma como qualquer um se diverte entrando em um grande parque de diversões ou voando de avião pela primeira vez (exceto quem tem medo de avião ou de altura, suponho; se esse for seu caso fique só com o exemplo do parque de diversões; se ainda não servir, poxa vida, você entendeu o que estou tentando dizer, não entendeu? é o que importa).

Era isso mesmo?

Era isso mesmo?

Com uma dose cavalar de frases mal escolhidas Kimito conseguiu inspirar Reiko a recusar-se a aceitar passivamente a tradição da família, mesmo sob risco de ser expulsa de casa. Essa é a graça, não é? Eles saíram dali noivos, e como o Kimito poderia dizer que não? Mas depois ficou tudo bem e o “noivado” foi desfeito, mantendo o status quo. Ficaram pontas soltas a respeito da Miyuki e da Eri, mas bom, Shomin Sample é apenas um anime plebeu, não espere grande coisa desses enredos mesmo se um dia milagrosamente houver uma segunda temporada.

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