Bom dia!

Basilisk: Ouka Ninpouchou é mais ou menos uma continuação de Basilisk: Kouga Ninpouchou (que até hoje eu chamava apenas de “Basilisk”). Mas com a sua história se passando dez anos após o fim do anterior e sem nenhum personagem em comum, é mesmo necessário assistir o primeiro antes? Resposta curta: não.

Resposta longa: talvez você assista esse episódio e tenha dificuldade para entender o que diabos está acontecendo, e talvez ache que assistir o anime anterior ajude. Eu assisti o anime anterior mais de uma vez, gosto muito dele, e também tive dificuldade para entender esse episódio. Não tem nada a ver com ser continuação ou não. Tem a ver com ser propositalmente confuso mesmo.

Uma coisa legal sobre o Basilisk original é a forma implacável com a qual ele trata seus personagens. Você gosta de Akame ga Kill? É isso, mas sem dramalhão ou tentativa de dar uma lição de moral a cada morte. Eles morrem porque eles são ninjas e eles têm que se matar, então eles se matam. No processo algumas outras merdas ferradas acontecem e isso serve para uma ou outra lição de moral, mas o anime é, no geral, moralmente cinzento. Akame ga Kill tenta ser cinzento, repetindo uma vez a cada cinco segundos como eles são assassinos e isso é maligno e etc, mas há uma divisão muito clara entre o “lado do bem” e o “lado do mal”. Isso não existe em Basilisk, embora na média os ninjas de Iga sejam mais escrotos que os de Kouga.

Essa garota é irritante – e é Iga. Basilisk gosta de fazer os Iga irritantes.

Nesse Basilisk parece que os clãs Iga e Kouga estão unidos. Ainda há ressentimento latente entre os clãs, porém, e é uma linha de enredo possível algo externo forçar os clãs a lutarem entre si novamente, reacendendo as velhas chamas do ódio (foi assim no original e isso não é spoiler, é dado da sinopse – os clãs estavam em trégua e um evento político externo os forçou a combater). Essa seria a rota mais “Basilisk” que esse anime poderia seguir. Por outro lado, está cheio de crianças, e não havia uma única criança no original. Tem até uma droga de uma cena de luta de treinamento no episódio. Nada contra Naruto, até porque nunca assisti, mas eu estou aqui para assistir Basilisk, ninjas adultos se matando como ninjas, e não ninjas crianças treinando para ser ninjas. Por tudo o que eu sei, para assistir treinamento de ninjas crianças Naruto seria uma boa opção. Mas eu quero Basilisk.

Gostei de ver um ninja com arma de fogo, sério

E é também muito difícil imaginar que o anime vá manter o nível de violência gráfica do anterior mas agora com crianças. Eu não sou um advogado da violência gratuita, mas esse é um dos elementos do Basilisk original, e um que funciona muito bem com sua história. Como continuar sendo Basilisk tendo um tipo de história totalmente diferente? Aliás, que tipo de história vai ser? Se seguir o que eu descrevi no parágrafo anterior, haverá ninjas adultos e crianças lutando dos dois lados? Isso parece… estranho. Faria mais sentido um conflito geracional, com as crianças dos dois clãs lutando contra os adultos – mas não sei como chegar a isso.

Os quatro adultos de Kouga estão prontos para… alguma coisa

Por fim, como Hibiki e Hachirou são irmãos? Como eles são filhos de Oboro e Gennosuke (os protagonistas do anime anterior)? Bom, um trecho da sinopse explica (contém spoiler fortíssimo do final do Basilisk original):

(…) graças ao filho adotivo de Hattori Hanzo, Kyouhachirou, os dois amantes (Oboro e Gennosuke, que morreram no final do anime e certamente não tinham filhos) voltaram à vida e deixaram para trás duas lembranças (Hibiki e Hachirou).

Wow. Tá bom, né. Enfim, se não assistiu o anime anterior e não quer ler o spoiler acima (eu recomendo que não leia, o anime é muito bom, vá assisti-lo por causa disso, não para poder assistir essa continuação), não se preocupe. É só um retcon safado para adicionar um punhado de incesto nesse novo anime, que – eu não poderia deixar de dizer isso – está com uma animação muito fraca. Depois dessa estreia ruim, se Basilisk: Ouka Ninpouchou fizer tudo certo, talvez possa ser 80% do que Basilisk: Kouga Ninpouchou foi.

  1. Logo nos primeiros minutos desta espécie de continuação de Basilisk, eu não gostei de muita coisa. Começo logo pelo estilo de animação, que coisa feia, o primeiro e único Basilisk foi animado pelo estúdio Gonzo (que na altura em que fez Basilisk já era considerado no máximo um estúdio de qualidade mediana) tinha melhor animação que este novo Basilisk. Eu vi Basilisk: Kouga Ninpouchou, sem exagero umas 4 vezes e sempre ficava fascinado com a história séria dele, os seus personagens marcantes (como por exemplo o Hyouma Muroga, que mesmo cego, protegeu o seu mestre Kouga Gennosuke até ao final) e até os Iga que são coisas irritantes, eram melhores nesta versão.
    Deixando a versão antiga de Basilisk de lado, eu não gostei da forma, como este novo Basilisk começou. Além de confuso, à algo que não me cabe na cabeça, mesmo que haja elementos mágicos nesta versão, ainda não compreendo (como raios e coriscos, o Gennosuke e a Oboro tiveram filhos se ambos estavam separados durante o conflito entre os dois clãs e no final ambos morreram, isto não faz sentido algum (só se for algum esquema manhoso, tipo o anime do Vaticano que teve um episódio dedicado ao esperma crio-preservado do Hitler)).
    Outra coisa, que não gostei e ainda se vai notar mais, ao longo do anime, é a suavização da violência gráfica (grande parte por causa do facto de ter crianças no meio), mas esta violência gráfica foi o que marcou o primeiro Basilisk e que era justificada em todos os momentos em que era mostrada.
    Passando aos protagonistas desta nova versão, não gostei daquela garota dos Iga, ela é irritante e mimada, não gostei do garoto que tira os olhos das órbitas. Gostei do ninja da pistola (mesmo o meu lado de historiador, estar furioso com um furo de pesquisa desse tamanho) e também gostei do ninja de armadura (é irónico, que na altura que o anime se passa, os samurai e os ninja tentassem arranjar armaduras de ferro e aço para se protegerem de flechas e tiros de armas de fogo, enquanto na Europa os exércitos começavam a abandonar o uso de armaduras). Ainda quero ver como o armeiro de cadeira de rodas, vai transformar um revólver de tiro único em um revólver de repetição (esse armeiro deve estar a 200 anos no futuro para fazer uma coisa dessas).
    Agora só quero ver, que motivações levarão à união ou desunião dos dois clãs (Iga e Kouga, mas espero que seja algo de jeito.
    Excelente artigo de primeiras impressões, de Basilisk Ouka Ninpouchou Fábio.

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Eu penso, penso, já assisti mais dois episódios, e não consigo encontrar nenhuma característica redentora nesse novo Basilisk. A história é pior, os personagens são piores, a narrativa é pior, e mais do que tudo, a animação está de doer os olhos de tão ruim que está. Não está apenas pior do que a da primeira temporada considerando todos os anos entre os dois animes e as diferenças e melhorias nas técnicas de animação de lá para cá: está objetivamente pior. Conseguir ser pior tecnicamente do que algo antigo, quando a melhor técnica era por definição pior do que o que temos disponível hoje, é um “feito” do qual anime nenhum deveria se orgulhar.

      Me recuso a considerar isso Basilisk. Ainda estou assistindo, vamos ver se vai ser algo “legalzinho” por si só no final das contas pelo menos.

      Obrigado pela visita e pelo comentário! =)

  2. essas continuações que andam fazendo esta sendo de doer olha… não é o primeiro e nem será o ultimo anime que eles fazem apenas para tentar arrancar dinheiro dos fãs da obra original… é assim que eu vejo, ai pegam uma obra maravilhosa como Basilisk e transformam numa bosta de desenho infantil…

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Eu nem gosto da história e da caracterização desse novo Basilisk, não porque sejam ruins, mas porque acho que tem muito pouco a ver com Basilisk. Poderia ser uma história legal apesar disso. Mas o que realmente detonou esse anime, para mim, foi sua animação. É hedionda.

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

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