Bom dia!

A partir do sexto episódio Zombieland Saga começou a criar episódios para cada uma de suas garotas. Daqui até o final vai ser essa montanha-russa de emoções.

Esse primeiro arco focou em duas personagens, o que ofusca um pouco essa linha de enredo, mas atrasar para escrever artigo tem suas vantagens: já assisti o episódio 8, que foca noutra personagem, e na prévia do episódio 9 fica claro que ele irá focar em mais uma.

O resto é matemática: são sete garotas, e sete episódios entre o 6 e o 12, inclusos os dois. A Ai e a Junko já haviam tido destaque juntas quando da formação do grupo, porque como as únicas ex-idols entre as zumbis, tinham dúvidas de que as garotas seriam capazes, ou se isso sequer era mesmo o que elas queriam.

A dobradinha volta nesses dois episódios. O anime revela mais sobre elas, seus passados, suas preocupações, e encerra seus arcos de personagem.

Em arco anterior, Ai e Junko já haviam se convencido a voltar a ser idols e junto com suas colegas zumbis formar o Franchouchou. Mas nada como um dia depois do outro para que novos problemas surjam.

Também descobrimos o passado delas. Junko fez uma carreira solo, como era mais comum em sua época, fez muito sucesso, teve uma carreira mais ou menos longa, e morreu em um acidente de avião.

 

Junko morreu em um acidente de avião

 

Ai, por sua vez, teve uma carreira curta mas intensa, e em um ano sua banda de então, a Babado de Ferro, chegou ao topo das vendas no Japão. No grande show que deveria coroar essa conquista Ai foi atingida por um relâmpago e morreu de pé, no palco.

 

Ai morreu vitimada por um relâmpago no palco

 

As duas são idols, mas são idols de épocas diferentes. A Ai é uma idol atual, enquanto a Junko era idol há 30 anos. Muita coisa mudou na indústria de lá para cá, e a Junko ficou especialmente horrorizada com a proximidade que as idols têm com seus fãs hoje em dia.

Nos anos 1970 e 1980 o estilo de música popular dominante no Japão era o Kayoukyoku (歌謡曲), que significa literalmente “música popular”. O J-Pop contemporâneo é sucessor do Kayoukyoku, e o termo caiu em desuso, com a maioria de seus artistas ainda em atividade sendo categorizados hoje como Enka.

Antes dos anos 1970, os artistas musicais ganhavam popularidade basicamente com tours de shows, que passavam obrigatoriamente pelas bases militares americanas, o que acelerou a ocidentalização da música popular japonesa.

A partir dos anos 1970 essa deixou de ser a prática mais comum no mercado, e ao invés, a televisão se tornou uma força poderosa no surgimento e popularização de idols. As idols passaram a ser inseridas em programas de auditório, comerciais, tornaram-se artistas polivalentes e a música em si passou a ser apenas uma das suas habilidades.

 

Junko em uma típica carreira de idol nos anos 1980

 

Junko é uma idol dessa época, e provavelmente baseada em Junko Sakurada, uma das idols mais famosas da época. Ela está acostumada à superexposição, mas aquela do tipo planejado cuidadosamente e centrado na televisão. Idols para ela são celebridades distantes do povo.

 

 

A partir do começo do século 21, com o AKB48, surgiu o conceito de idol que você pode encontrar. Elas ainda são estrelas, por força e necessidade de sua popularidade, mas estão muito mais próximas do público, com eventos para se encontrar com as idols sendo parte central dessa nova abordagem.

A superexposição aumentou, graças à internet, e a necessidade de agradar pessoalmente seus fãs criou um ambiente completamente diferente para as idols de hoje em dia.

A Ai, claro, é uma idol contemporânea. Tanto no passado quanto hoje essa é uma carreira alucinante, pode começar e acabar num piscar de olhos, a maioria das candidatas à estrela nunca chega lá, ou chega por pouco tempo.

 

O auge da carreira da Ai no Babado de Ferro

 

Se qualquer coisa, hoje em dia isso tudo é ainda mais veloz do que no passado, e com a música em segundo plano, transformando as próprias artistas nas mercadorias sendo vendidas, as carreiras se tornaram muito mais efêmeras e as idols parecem muito mais artificiais, manufaturadas.

Junko tem imensa dificuldade em aceitar isso. À rigor, não aceitou. Para ela, uma idol é uma celebridade, uma existência que serve para inspirar os fãs de longe.

Ela fica chocada durante o evento com fãs ao descobrir que esperavam que ela tivesse contato físico com eles, e quando a Ai vai cobrá-la e dar-lhe uma bronca por ter perdido o controle no evento a relação entre as duas azeda e Junko se recolhe.

Foi preciso que Koutarou entrasse em ação. Em seu discurso, ele lembrou a idol da Era Shouwa que o trabalho principal de uma idol continua sendo o mesmo, mas a pressão é maior porque a velocidade de comunicação, por causa da internet, é muito maior.

No final, ele concede e permite que ela não se exponha aos eventos de confraternização com os fãs, desde que se dedique ao Franchouchou e a ajudar suas colegas de grupo no que quer que elas possam precisar. Ela é a idol mais experiente ali afinal, mesmo sendo de outra era.

 

Koutarou conversa com Junko e a tira do imobilismo e isolamento em que se havia metido

 

A Ai, como já disse, teve uma carreira meteórica e uma morte fulminante. Como resultado, ela não pôde experimentar o gosto do sucesso depois de todo o esforço empreendido.

Pior ainda, ressuscitada como zumbi ela viu que sua antiga banda, o Babado de Ferro, ainda está ativo e fazendo sucesso até hoje – em grande parte graças à sua morte no palco. Ela se tornou uma lenda. E agora assiste a continuação de sua história de longe, enquanto tenta traçar mais uma vez o mesmo caminho.

Mas ela não deixa isso tirar o melhor dela. Ai não ressente suas ex-colegas nem tem qualquer restrição a se esforçar ao máximo nos ensaios desde que decidiu fazer parte do Franchouchou. De fato, ela se esforça demais e seu corpo fica instável, mas isso não causaria nenhum problema adiante.

O que causou problema foi o trauma que ela adquiriu de relâmpagos e trovões: foi uma descarga atmosférica que a roubou o prêmio por todo o seu esforço em vida, afinal. E isso deu a Junko a oportunidade de mostrar sua determinação, cobrindo pela colega assustada demais para cantar e dançar direito.

 

Ai estava em pânico por causa dos raios e trovões

 

Não obstante, raios atingiram Ai mais uma vez, agora com todas as suas colegas do Franchouchou. Parte do palco foi destruído. Mas elas são zumbis, então continuaram muito bem, obrigado.

Foi então que elas brilharam – literalmente. Talvez uma reação curiosa entre o relâmpago e o spray impermeabilizante de sapatos que o Koutarou passou nelas, talvez uma propriedade natural de seus corpos zumbis, o fato é que adquiriram luminescência e a habilidade de disparar lasers pelas mãos.

 

Elas brilharam

 

O show foi um sucesso.

Para encerrar, parece que os corpos delas têm sinais das causas de suas mortes, não é? A Sakura tem aquela cicatriz enorme na cabeça porque provavelmente morreu de traumatismo craniano. Ai tem o corpo todo enfaixado, como se esperaria de uma vítima de queimaduras, e a Junko é toda costurada, pois provavelmente foi feita em pedaços na tragédia de avião. Consegue adivinhar as demais?

  1. Avatar

    Não é que o anime está revelando facetas que vão além da pura comédia? Acompanhando as análises daqui e as do “Café com Anime”, dá pra dizer que isto deve ditar no contexto apresentado de maneira maluca pra algo bem mais crítico sem soar muito didático em sua execução. Sem esquecer da comédia, é claro!

    De animes com idols é minha primeira incursão e tenho gostado de como tem mostrado que esta carreira artística teve mudanças ao longo dos anos: bem ressaltado nestes dois episódios a diferença e choque de culturas entre a Ai e a Junko, culminando no primeiro grande show da Franchouchou; da união das garotas e quando não está bancando o gritador cômico, o Koutarou é boa pessoa; fiquei assustada com as mortes das duas ex-idols, mais o da Ai e vejamos como este grupo de zumbis será neste restante de episódios. “Zombieland Saga” ao lado do anime do slime tem sido minhas maiores surpresas nesta temporada de outono 2018. Até mais!!!

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Se as mortes das idols te assustou, imagine a da cortesã: pelo corte no pescoço, aposto que ela foi decapitada. A da Saki está com jeito de ter sido briga, mas não tenho tanta certeza.

      Falando da Ai e da Junko, o anime usou elas para mostrar a diferença entre ser uma idol na chamada Era de Ouro e ser uma idol hoje, com a abordagem tétrica que só uma história de zumbis pode oferecer.

      Imagine ser a Junko e despertar em um mundo muito parecido, mas que você não reconhece mais? E ser a Ai não é melhor: aquele ainda é o mundo dela, mas ela não faz mais parte dele.

      No final elas conseguem superar suas crises de identidade e pertencimento e, como idols que são, levam o Franchouchou ao seu início de verdade. A Sakura chora no palco porque foi nesse episódio que ela finalmente se sentiu uma idol, o sonho que ela tinha enquanto viva.

      Podia ser só uma comédia pitoresca, mas acho que estamos testemunhando o nascimento de algo grande.

      Obrigado pela visita e pelo comentário 😄

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