Uzaki-chan wa Asobitai! é um anime do estúdio ENGI (Hataage! Kemono Michi) que adapta o mangá de comédia de Take. Na história acompanhamos Hana Uzaki, uma baixinha simpática, barulhenta e peituda que vive chamando seu senpai, Shinichi Sakurai, que só quer ficar sozinho, para sair.

Lembra um pouco Karakai Jouzu no Takagi-san, mas tem uma pegada diferente já que trata de universitários e tem ecchi, além da heroína fazer as coisas mais por impulso que de caso pensado. Hana dá toda a pinta que gosta do senpai, mas não parece agir tendo em mente conquistá-lo. Vamos ao texto!

Tecnicamente o anime se sai bem para um slice of life voltado para a comédia com um toque de ecchi, a animação é consistente e o design bonitinho, a trilha sonora não se destaca, mas também não atrapalha, e as atuações de voz encaixam com os personagens.

Até os seios enormes da Hana não são “usados” de forma exagerada, mais lasciva, como poderiam ser. É claro que só é uma estreia, mas esse deve ser o tom, não deve rolar nudez, no máximo biquíni e “gemidos”.

Quanto a premissa, o episódio todo foi basicamente a exposição da ideia apresentando os personagens e como se dá a interação entre eles. Quem nunca viu um anime de “senpai x kouhai”, ainda mais quando se conhecem de um clube escolar, que atire a primeira pedra. Sem arranhões aqui. A dinâmica é corriqueira e costuma explorar a veia cômica de uma relação em que existe respeito, mas também interesse dos dois.

Uzaki tem uma personalidade mais despojada ou ela é assim ao menos quando está com seu senpai. A garota não mede muito as palavras e nem a altura de sua voz e é justamente por isso que a relação dela com o senpai não fica enfadonha, eles são o oposto.

O Shinichi já é mais reservado e cauteloso, mas se deixa levar pelos arroubos da Uzaki justamente por isso. Ela dá uma cor diferente ao seu estilo de vida, fazendo com que ele saia da sua zona de conforto. Como é prazeroso, ele resiste, mas acaba cedendo.

O único detalhe que me incomodou um pouquinho na apresentação deles foi a passagem de tempo de um ano, achei um exagero, mas pelo menos é irrelevante, foi usado apenas para reforçar a personalidade dele.

Em nenhum momento fica claro se o que ela sente pelo senpai é só amizade ou é paixão, mas a gente imagina que ela seja apaixonada por ele, parece, e é por esse sentimento expansivo que quer ficar perto.

A baixa estatura e os seios fartos, além da presinha fofa, são características criadas para tornar a heroína fofa, o mais fofa possível, e acho que somando elas a ótima dublagem isso funcionou. A maluquinha não me irritou em nenhum momento, foi mais o contrário.

A Uzaki acaba sendo carismática, contrastando com o senpai mais sem graça. O perfil deles e a interação acaba fluindo de maneira orgânica, o que deixou a desejar; ao menos na estreia, mas pode melhorar; foi a construção das situaçôes pelas quais eles passam.

Por exemplo, no cinema achei que o trecho demorou muito a terminar, o roteiro girou demais em torno da piada dele ser solitário e não apresentou um diálogo mais criativo ou uma situação mais “pitoresca”. No máximo dá para dizer que foi bom ver ele dando o braço a torcer e aceitando mais a companhia dela, mas não é como se isso não rolasse depois também.

Na loja de eletrônicos, porém, a coisa foi diferente, a cena da cadeira de massagem pode ter sido mais fetichista, talvez até incômoda para alguns, mas não dá para negar que a ideia do VR foi divertida, apesar da mão boba dele, que cai mais no clichê, eu sei, mas não deixa de incomodar. Todo mundo confunde os dois como namorados, mas eles não são e ainda que fossem, forçar situações ecchi é tão medíocre…

Mas deve se repetir, então não vou ficar reclamando. Menos mal que a cena é rápida e não soa assim tão artificial dentro do contexto. Na loja eles riem e se divertem juntos de maneira mais incomum, criativa, não carecendo tanto da piada dele ser a Bocchi (haha).

A passagem pelo centro de rebatidas praticamente só existiu para justificar o mal-entendido verbal que se repetiu no final do episódio, mas isso não me incomodou, pelo contrario, porque também reforçou o quanto se diverte só. Forever alone que chama, né?

Uma pessoa assim pode aceitar companhia se for de alguém que gosta, não que ele goste dela “naquele” sentido, mas com o contraste de personalidades que há entre eles os encontros que têm inevitavelmente proporcionam novas experiências para ambos.

O agrado que recebeu no restaurante mesmo, aquilo não rolaria se estivesse sozinho. A Uzaki o irrita e é totalmente compreensível seu incômodo, mas isso é ter vida social, interagir quebra as zonas de conforto.

Não sei o quanto disso, da necessidade de não ser sozinho, vale para os dois, mas acho que o senpai precisa mais disso, só que a Uzaki também não me passa confiança de que seja tão sociável quanto ela faz parecer para ele. Pode ser que ela só aja assim com ele? Veremos, provavelmente entre um dos vários encontros, e desencontros, que terá o anime.

Porque eles seguiram mais ou menos a estrutura básica de um encontro tipicamente japonês, né? Diversão, compras, diversão, comida. Eles não são namorados e duvido que acabem como tal no anime, mas também já são universitários e devem ficar bem próximos, então gostaria de ver mais cenas fofas de romance, ou algo mais próximo a isso, entre eles que ecchi bobo. Será que meu desejo será atendido?

A única coisa de que tenho certeza é que gostei do anime, ele não é problemático (apesar do clichê idiota) como Kanojo, Okarishimasu, mas também me gerou menos sensações boas durrante a experiência.

Senti falta de mais criatividade no que é o “grosso” do anime, as situações pelas quais eles passaram no encontro, mas, em compensação, a Uzaki foi irritante no ponto certo e o senpai fez doce, mas não tanto. Acabou que foi um episódio tranquilo, divertido e pouco pretensioso até mesmo para um slice of life.

Uzaki-chan wa Asobitai! me parece uma boa pedida se você gosta de slice of life e comédia e não tem nada contra uma pitada de ecchi e romance. Nada espetacular, mas nada desagradável também.

Mal posso esperar para ver mais da kouhai afetuosa, para dizer o mínimo, e do senpai que tenta disfarçar, mas adora o trabalho que tem. Quem não queria ter uma kouhai tão fofa e peituda na sua vida, não é mesmo?

Até a próxima!

  1. Kakeru17

    Que pena que você não gostou, mas é um slice of life com ecchi, né, não deve ser um anime intenso, tão interessante, de toda forma. Eu me diverti bastante e me incomodou menos que o Kanojo, Okarishimasu, por isso a nota maior.
    A relação deles parece superficial sem conhecer o passado dos dois, mas imagino que isso deva ser mostrado com o tempo (em uma estreia dou essa colher de chá para o anime). O protagonista é tão esquecível que até já esqueci o nome dele (mas acho que a Uzaki dá uma boa compensada nesse sentido). O traço é simples, mas isso não me incomodu (não desgosto de seios fartos, confesso). Agora se você não comprou a piada dela sempre encher o saco dele pra sair, indico que nem assista mesmo, porque deve ser só isso o anime todo.

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