The God of High School é originalmente um webtoon de autoria de Yongje Park lançado na plataforma do Line Webtoon, a qual, em parceria com a Crunchyroll, bancou uma animação produzida pelo ótimo estúdio MAPPA, exibida na temporada de verão de 2020. Na história conhecemos Jin Mori, Yoo Mira e Han Daewi; colegiais que entram no torneio God of High School a fim de realizar cada um um sonho, mas além de fazer amizade acabam envolvidos em uma trama perigosa.

GOH é a segunda animação feita em parceria entre a plataforma de webtoons do Line e a de streaming de animes, a primeira foi Tower of God, exibida de abril a junho desse ano, e a próxima será Noblesse, logo seu artigo de primeiras impressões aparece aqui no blog, e se tem algo que posso relacionar entre o pioneiro e o herdeiro, é que ambos possuem bastante influência de obras battle shounen japonesas, ao ponto de não apresentarem assim tanta originalidade. Apesar dos belos designs e da animação de primeira GOH é uma obra medíocre até para um battle shounen genérico.

Sim, battles shounens genéricos tendem a ser assim e às vezes sequer têm boa qualidade técnica, o que é ainda pior, mas não se engane pela capa bonita, pois a história é rasa, os personagens são rasos e mesmo a ação poderia ser melhor. Um leitor do webtoon que viu o anime pode culpar o rush que aparentemente a animação sofreu, mas é errado esperar que quem viu em um formato molde sua opinião devido a outro. O máximo que podemos apontar é a culpa da direção e do roteiro em fazer a transição entre mídias distintas.

Enfim, e por que GOH é “ruim”? Porque, apesar de ter lutas muito boas, seja nas sequências de ação ou na manutenção do design, falta profundidade ao roteiro de uma forma geral, e se não isso, falta criatividade a quem produz para cativar o público nos detalhes. Eu comparo a Black Clover, que na média é bem inferior a GOH em animação e tem uma história tão genérica quanto, mas cria situações e personagens “gostáveis”, bem mais que qualquer um que participa do torneio.

Aliás, até dos que não participam. É claro que é meio desleal comparar um anime gigante a um de um cour só, mas se não havia recursos e tempo para mais, eu fico pensando se não seria melhor focar em trabalhar os personagens. E até tentam fazer isso, mas ocorre muita coisa em um cour só e escolhas questionáveis de direcionamento prejudicam. Por exemplo, há lutas muito mal aproveitadas em que tanto o trio principal, quanto os secundários, poderiam ganhar espaço, ao passo em que isso até rola, mas na base de clichês e saídas previsíveis, que parecem um tanto artificiais.

Além disso, falta conhecer melhor os próprios heróis da história e não só isso, a caracterização deles e as histórias de vida que os contemplam são um poço de mediocridade. Não que dê para esperar muito desse tipo de anime, pela sinopse a gente entende que vai ter torneio e deve ter uma porrada de clichês, mas se posso dizer que algo não me chamou atenção foram os protagonistas, principalmente o Jin Mori, quase a cópia moderna do Goku nesse século XXI. Aliás, no final é impossível não conectar os personagens e ver como o Mori conseguer ser até menos interessante.

Mesmo sua relação com o avô e a amizade que cria com Mira e Daewi não saem da mesmice, tendo um festival de frases clichês e desenrolares previsíveis a me incomodar. Menos mal que Mira e Daewi, preciso fazer justiça, tem histórias mais interessantes, ainda que não muito, e dá para ver certo amadurecimento dos dois de acordo com como superam os desafios que acolhem para si. Inclusive, é bacana como eles não têm um final feliz, como seus assuntos acabam sem acontecer o que desejavam ao entrar no torneio.

Aliás, isso também serve para o protagonista, mas é algo de natureza diferente, já que é usado como um gancho para uma segunda temporada que ainda nem foi anunciada, passando a ideia de que pode ou deve se resolver como ele quer, apenas não acontece logo para alongar uma história de sucesso. Eu não quero comentar o final do anime, porque ele é clichê e bem pouco inspirado, mas se tem algo que ele é é aberto.

Voltando a trama, mexer com deuses e chaves para um poder que pode derrotá-los não soa ruim para o tipo de anime que GOH é, eu só questiono a pouca inspiração trazida pela ideia do charyeok, que parece mais um Stand de Deus e tudo isso sendo sim bem explicado, mas contando com a maior falta de bom senso de quem cria a história já que os poderzinhos não relacionados a isso não explicam. Na sociedade de GOH é normal colegiais pularem trocentos metros, soltarem raios de luz da mão ou cortarem os outros com o ar. Tudo bem, sei que poderzinhos dão o tom de um battle shounen, mas custa explicar a origem?

Sei que isso não deveria me incomodar tanto, mas me incomoda pelo simples fato de fazer com que GOH perca uma ótima oportunidade de se destacar como série de artes marciais; acaba sendo uma série que mistura os dois (luta física e com poderes), mas sem se destacar verdadeiramente em nenhum. Tem animes que contam com uma mecânica de poderes incrível, como Hunter x Hunter, enquanto outros se destacam pela pancadaria de qualidade, One Punch Man. GOH tenta fazer os dois e não faz nenhum tão bem feito, mas até aí tudo bem, nem era expectativa minha ter tanto destaque como um ou outro, mas a falta de criatividade para gerenciar ideias incomoda.

A série não tenta se diferenciar em nada do que faz e no final faz a salada mista de clichês e mais clichês que me impedem de curtir tanto assim pelo “simples” fato dos personagens também não terem o carisma suficiente para me fazer engolir as bobeiras que esse tipo de história sempre vende. Okay, nem sempre são bobeiras, não são exatamente, né, depende muito da forma que se conta e GOH não se esforça para fazer o telespectador se apegar a nada, tanto é que eu não me aprofundo nos comentários, porque nem precisa.

Esse é aquele tipo de anime que por mais que tenha uma ou outra boa ideia não apresenta a consistência e nem a criatividade necessárias para convencer seu público que a história é mesmo boa. Apesar disso, eu não posso negar que tem momentos (principalmente de ação) bem legais e assim deve ter divertido muita gente mundo afora, mas, claro, se a pessoa não tiver a preocupação em analisar a história e tantos outros aspectos. Como obra de arte GOH dá a sorte de ter o estúdio MAPPA cuidando de sua animação, porque a falta de qualidade no quesito jogaria no fundo de um poço seu roteiro medíocre, que parece mais o recorte de várias outras obras conhecidas do grande público.

Até a próxima!

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