Sakura, Saku é o mais novo mangá de Io Sakisaka (Ao Haru Ride, Strobe Edge e Omoi, Omoware, Furi, Furare) lançado na revista Bessatsu Margaret.

Saku procura por um garoto de sobrenome Sakura que a ajudou quando ninguém mais o fez. Movida pela gentileza dessa pessoa Saku muda de vida e passa a se encarar mais como uma “personagem principal”, alguém que tem o seu valor por sempre ajudar ao próximo. Um dia, na cerimônia de entrada do colégio, Saku conhece Haruki “Sakura” e isso começa a mover as engrenagens do destino.

Não preciso comentar qual é a demografia desse mangá, né? Io Sakisaka é uma espécie de Rainha do shoujo escolar e esse é mais um shoujo que ela escreve.

Mas dessa vez diferente do primaveril Ao Haru Ride ou do pitoresco Furifura, Sakura, Saku investe em uma trama aparentemente mais simples, com um traço mais genérico e ideias mais manjadas. É cedo para falar do que será, mas foi a estreia menos empolgante que li dela.

Para escrever este artigo li não só o primeiro capítulo do mangá, mas também o capítulo 0 no qual a heroína é apresentada, assim como a situação que move a história.

Saku está se sentindo mal dentro do metrô e alguém é gentil com ela, a ajudando de maneira inesperada. o que é a típica situação de mangá shoujo que une os protagonistas, o detalhe é: o herói desse mangá não vai ser aquele que a ajudou, mas o irmão dele.

De outra forma, por que o irmão teria sido apresentado nessa estreia? Inclusive, aparecer primeiro o irmão, e ele dificultar tanto o acesso da Saku aquele que a ajudou, passa uma ideia de que há alguma circunstância que cerca esse personagem.

O irmão foi sagazmente guardado para outro momento que não o piloto em uma tentativa da autora de apresentar alguma coisa que chamasse a atenção porque a história em si não ajudou.

A ideia de se sentir um “extra” e a mudança para alguém proativa no que se refere a ajudar as pessoas não é nada de novo em mangá e não catapulta o traço bonito, mas um pouco largado.

Sei que a autora já deve ter um trabalhão para fazer o que faz e elaborar demais talvez nem compensasse, mas me incomoda a falta de cenários recorrente nos quadros que ela desenha, assim como o traço sem tanta expressão quanto ela já demonstrou capacidade de fazer.

Tiro isso por Ao Haru Ride, que visualmente não era tão diferente desse mangá, mas conseguiu me marcar bem mais, além do conceito ser pelo menos um pouco mais interessante.

Mas isso não significa que a vontade de ajudar os outros da heroína seja algo ruim, não deve ser trabalhada como algo negativo no mangá e já não foi em sua estreia, afinal, foi por isso que ela conseguiu a ajuda de Haruki para chegar até seu irmão.

A construção da heroína boazinha não me incomoda exatamente, mas sim o quanto isso é batido em mangá e tornou a heroína não muito interessante para mim. Não que não goste de personagens boazinhas, mas a maneira como a coisa toda é construída não me agradou muito.

Por exemplo, por que ela precisa considerar uma simples gentileza algo tão grande que não pode ser encarado com mais naturalidade? O povo japonês é tão indiferente ao próximo assim que ser gentil com alguém como foram com ela chama tanto a atenção?

Além disso, por que a garota precisa levar ao extremo a ideia de ajuda os outros? Dá para ser gentil sem necessariamente arriscar se prejudicar por conta disso como poderia ter ocorrido com ela em alguns momentos do piloto.

Além disso, colocar em ajudar os outros toda essa carga emocional que envolve a frustração por se achar alguém insignificante me parece algo perigoso para ela, não que a história deva abordar os possíveis malefícios derivados disso, infelizmente.

A situação em que o Haruki decide ajudar a Saku é um exemplo disso, do quão extrema a Saku é. Menos mal para ela que todo seu empenho foi recompensando com o reconhecimento do irmão daquele que ela admira e, até segunda ordem, não deve tomar o protagonismo do Haruki.

Mas se tomar, aí sim a história se tornaria surpreendente. O Haruki não foi apresentado logo no piloto por acaso, né, a Saku deve namorar ele e não o irmão. Os dois são até da mesma sala.

Por outro lado, mesmo que a bondade da Saku não me cative, acho que a companhia do Haruki pode dar uma balanceada nisso, pois ele é um exemplo de pessoa gentil bem mais equilibrado que o dela.

Inclusive, não duvido que ele a tire de enrascadas como fez já no piloto em uma situação que pelo menos serviu para apresentar outros personagens que imagino que preencherão o grupinho principal que os shoujos escolares costumam ter.

Por fim, Sakura, Saku pode não ser nada de novo ou empolgante quando se fala de shoujo, mas é inegável que mesmo sua proposta simples pode suscitar discussões interessantes sobre o ato de ajudar ao próximo.

Além disso, a heroína é bem fofinha e boazinha, não tem como torcer contra ela (ainda se ela não o cativar como a Futaba de Aoha fez comigo), o herói é um bonitão gostável (não deve ser tóxico com o Kou de Aoha chegava a ser) e é da Io Sakisaka que estamos falando.

Ela sabe fazer mangás shoujo de sucesso, o que me faz querer ver onde esse romance (vai acabar em romance, é óbvio) pode chegar.

Até a próxima!

  1. O irmão do Haruki o Ryousuke não é o ex da Akari de Omoi furi furare? Se ñ for é bem parecido achei que ela iria fazer uma história focada nele tbm seria legal. Eu tbm achei o enredo fraco desse mangá, vamos ver o que vai dar, vou acompanhar pq gosto das obras anteriores da Sakisaka sensei.

    • Não sei, acho que é só caso de design similar mesmo, mas tenho que pesquisar mais a fundo. Poxa, se não tivesse lido seu comentário teria esquecido que esse mangá existia kkk. Obrigado, vou retomar a leitura em breve. Como último adendo, vi que a capa do primeiro volume é soberba de linda. Torcendo pra esse mangá melhorar e ganhar publicação por aqui no futuro.

Comentários