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Nesse episódio o professor Taki leva uma aluna aos prantos ao criticar sua falta de habilidade com a flauta, dizendo que se ela está há anos tocando o instrumento e aquilo é o melhor que ela consegue, então ela gastou tempo à toa. Quando outra aluna intervém dizendo que o que importa é que se divirtam tocando juntos, ele responde que foram eles que escolheram ir para o concurso nacional, ficando implícito o óbvio ululante que para ir ao nacional eles não podem apenas se divertir tocando juntos, precisam de muito mais esforço do que isso. Esse professor é um escroto, mas conseguiu tirar dos alunos o que ele queria.

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Se o professor Taki fosse o protagonista da série ou um dos personagens mais importantes eu ficaria revoltado e gastaria parágrafos e mais parágrafos criticando ele aqui. Mas não é o caso, ele é importante sim, só que essa história não é dele. Ele é só uma barreira que esses jovens instrumentistas precisam superar, uma barreira que para eles superarem não precisam aprender só a tocar, mas a importância do esforço, da responsabilidade e do trabalho em equipe também. Enfim, coisas que adolescentes precisam aprender antes de virarem adultos, e por isso são lições para a vida, não para a banda. Se eles começarem a elogiar demais o professor Taki no final eu vou criticar isso, pode apostar! Está assistindo Assassination Classroom? Então deve se lembrar do professor Takaoka, que apareceu no episódio 13. No que diz respeito aos métodos usados, acho que Taki e Takaoka são muito parecidos. Claro que Taki está ensinando música, então ele não é e não precisa ser violento, mas essa não é a principal diferença entre os dois. Essa seria que até onde se sabe, o professor Taki não está usando os alunos para suas pretensões pessoais, e isso é uma coisa boa. Ambos sujeitam a garotada à humilhações públicas e treinamentos extenuantes, mas por não estar buscando algo para si a situação dos instrumentistas da banda do colégio Kitauji não é desesperadora.

Devida digressão sobre o professor Taki feita, esse episódio serviu para, durante as tais sessões cansativas de treino que ele instituiu, ficar mais clara a insatistação de parte dos alunos e como isso os divide em dois grupos bem distintos: os que querem tocar melhor, que querem de verdade ir para o concurso nacional e vencer e os que só querem se divertir. Eles não estão em uma escola de música, então ambas escolhas são igualmente válidas, nenhuma goza de superioridade moral. Mas, como o professor Taki lembrou os alunos do naipe das flautas e flautins, eles já fizeram uma escolha. Agora precisam se responsabilizar por ela. É notável que a protagonista Kumiko esteja no meio do caminho entre os dois grupos. Muitos alunos devem estar na mesma posição que ela, mas é através dos olhos dela que vemos isso. Ora, a maioria dos alunos deve estar nessa situação! Como é muito indecisa, ela não tem lá muita certeza se quer ou se gosta mesmo de todo esse esforço, embora até agora pelo visto ela seja uma instrumentista muito boa, não tendo apresentado grandes dificuldades. Ao mesmo tempo, em parte talvez por influência de suas amigas, que estão sérias sobre isso, incluindo aí sua quase amiga Reina que provavelmente é a aluna mais determinada a participar do nacional, em parte provavelmente porque no fundo ela quer, ainda que talvez não tanto quanto Reina, ela se anima e dá sinais de querer ver a banda melhorar. E como eu disse, ela representa para o espectador o ponto de vista da maioria, e dá para sentir isso quando ao se apresentarem para o professor Taki como uma banda eles são aprovados pelo rígido mestre e um clima de animação toma conta da sala.

E isso não é difícil de entender: as pessoas gostam de ser elogiadas e gostam de ver seu esforço recompensado. Não sei até que ponto pode o próprio professor Taki ter feito isso de propósito, mas não vou pensar muito sobre ele porque não o vejo exatamente como um personagem, como já disse. O fato é que inclusive os que se opõe abertamente ao professor ficam felizes, nem que seja só para “mostrar pra ele do que são capazes”. Ainda que seja de uma forma talvez indireta, eles estão começando a assumir a responsabilidade pela escolha que fizeram e o anime e sua música só tendem a melhorar com isso.

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