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Bom eu já vou deixar uma coisa clara. Sim, fiquei incomodado com o fato desse episódio ser um semi filler. Não, isso não é a razão exclusiva desse episódio estar com uma nota mais baixa porém sim, isso obviamente me deu uma visão excessivamente crítica nesse episódio. Com relação a nota, simplesmente achei que esse episódio voltou a ter um  certo agravamento na animação com o incômodo de um filtro terrível pra flashbacks que ocorreram de forma bem esporádica, o que já o impediria de ter a nota do episódio 2, e também achei que ele não ficou tão narrativamente bem amarrado quanto os demais episódios. Sem mais delongas, aqui é o Iwan escrevendo no Anime21 sobre mais um episódio de Berserk.

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Começamos o episódio com o lembrete do quão mente fechada é a Farnese, como teorizado anteriormente (bom eu já tinha lido mas eu não lembrava então acho que rola dizer “teorizado”) em meio a sua fé pretensa e cega Farnese não têm tempo de considerar um elfo pois possui uma “mente fechada para o mundo”. Da onde eu venho chamam isso de “alienação”, só que normalmente o que você não consegue ver são só oportunidades de emprego, num sentido filosófico porém, a alienação é a incapacidade de ver algo além do que você mesmo quer admitir a existência, o que se aplica perfeitamente bem a como um ser pagão que nada pode fazer contra Farnese é sumariamente ignorado. Vemos posteriormente, porém, que ela não têm problema de ver coisas que ameacem sua segurança o que indica que realmente desde que seja de seu interesse, a existência de seres pagãos é admitida por ela.

Lógico que nosso não tão heroico alfinetador, Guts, teria uma lição de vida para passar a Farnese agora não é? Aparentemente os servos que perseguem Guts por culpa de seu estigma no pescoço são milagres divinos (uma referência nada sutil aos God Hands que são o grupo nêmesis de Guts) que nem precisam de reza para ser invocados, infelizmente, não serão lágrimas também que os farão desaparecer, e não leva muito para Guts finalmente explicar porque têm corrido alucinadamente pela noite afora: ele têm um objetivo em mente e seu objetivo é a casa de um desaparecido nobre.

Lógico que o Guts não para por aí, martelando o quanto ele desdenha de Farnese, ele continua a pressioná-la com criaturas cabe vez mais incabíveis até que ela começa a ceder, a fé dela é exposta como falsa e ela se vê incapaz de achar orações que lhe protegeriam e muito menos a acreditar que seria protegida por elas, porém nada disso afeta Guts que já se acostumou com a situação, afinal de contas os “milagres” são algo que ele enfrenta e luta noite à noite num festival de desespero e esforço sem fim.

Lógico que o desespero da Farnese só aumenta e quando ela ouve um som estranho, logo assume ser Serpico permitindo que os cães demoníacos entrem, assustada ela corre e se encontra com um anão que se auto-declara o cuidador de cães e que não perde tempo em declarar seus interesses na tenra carne de Farnese. Desesperado pela segurança de seus cães mortos por Guts o cuidador esbraveja dizendo que nem mesmo o dono da casa teria direito de destratar os cães sob pena de morte, o que rapidamente explica o destino do dono e de sua família. Esse cuidador de cães é então revelado como um “apóstolo” uma raça de seres que Guts pretende expurgar do mundo.

Na sequência nós temos uma batalha demorada com diversas indiretas que dizem que “nobres garotas gentis são gostosas de comer” e basicamente gritam “eu comi a garota que tá emparelhada no hall”. Foi francamente algo que me encheu de vergonha alheia e é dolorido rever mas enfim é basicamente isso, o cuidador de cães era maltratado, a princesa gentil com ele, e no instante que ele conseguiu um ovo do imperador ele comeu a princesa e a família dela. Deve ter tido alguma moral escondida em algum lugar, e imagino que seja basicamente a referência ao clássico Chapeuzinho Vermelho onde a menina é enganada por um lobo e devorada pelo mesmo com sua vovozinha, então digamos que…”não confie em estranhos, eles vão devorar metade do seu corpo e te pendurar no hall”.

Lógico que a Farnese, que virou basicamente a descobridora de vilões do episódio, foi correndo por aí e quase deu um jeito de ser estuprada por um cavalo, sinceramente nesse ponto eu acho que não é nem justo estar reclamando do cara dos cachorros, Berserk é assim mesmo, é a história de como todo mundo se ferra no mundo ferrado que é o mundo de Berserk e todo esse episódio só serve para mostrar quão louco é o noite à noite do Guts para alguém mais ou menos normal. Não é por pouco que assim que o Guts mata o cavalo (não sem antes me lembrar de algo que sempre tento expurgar da minha memória mas enfim…) a mentalidade de Farnese finalmente cede e ela mesma é possuída por um espirito maligno de forma similar ao que houve com Collete.

Em seu desespero e autodepreciação Farnese percebe que ela mesma não é apenas fraca, ela é impura, ela é hipócrita, ela é o ser humano terrível que todos sabíamos que era e, francamente, somos em maioria, ela usou de palavras vãs tidas como sagradas para construir uma concha e proteger seus interesses, ao mesmo tempo que fingia aplicar punições a si mesma e em outros para se incitar em prazeres da carne, basicamente Farnese no fim das contas era tudo, literalmente tudo, menos o arquétipo de perfeita líder dos Cavaleiros da Santa Sé que ela impunha a si mesma, e quando impomos a nós mesmos um ideal que não nos cabe simplesmente não há sanidade que se mantenha, essa foi de longe uma das melhores cenas do episódio e eu lembro claramente como foi uma das mais impactantes no mangá para mim na minha primeira leitura, lógico que uma das partes críticas da cena não se encontra aqui, mas ainda me sinto obrigado a parabenizar essa incrível caracterização que a Farnese possui.

Nesse episódio o que está posto é uma crítica forte não só aos falsos crentes mas também há uma cínica contemplação de que quando se retira de uma pessoa a máscara do ideal que ela esbraveja, o que você contempla em seu interior é um puro e simples nada, não há conteúdo em uma pessoa excessivamente bitolada e centrada em apenas uma verdade ou crença, não há problema algum em crer em dogmas mas também deve-se entender que não há problema algum em outras pessoas não acreditarem neles, a partir do momento que algo se torna uma verdade convencional, absoluta e imutável para uma pessoa, seu interior esvazia e apodrece, e é isso que Farnese se torna a partir desse episódio, alguém cujo interior esvaziado foi exposto e que agora precisa preenche-lo de alguma forma, o fantasma decide então preenche-la com a lúxuria o que a faz se atracar com Guts e clamar pelo último dos prazeres para uma masoquista de armário como ela, ser partida ao meio lentamente pela (nada sutil eu sei) espada de Guts, com o raiar da manhã o espirito é exorcisado e Farnese, a par da situação torna-se novamente uma tela vazia para ser preenchida (duvido que o anime chegue lá mas é basicamente isso, boa sorte Farnese, você têm um bom cavaleiro).

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  1. Berserk, Berserk, que caminho estais a trilhar, com um episódio 2 bom com grandes melhorias e estragar tudo de novo no 3 episódio. Este episódio foi mau no meu ponto de vista, pessoalmente nem tinha intenção de comentar nada, mas como tenho respeito pelo trabalho que o redactor teve a escrever este artigo vou comentar alguma coisa.
    O inicio do episódio foi mais ao menos, nem foi boa nem má, a fuga do Gutts e a sua perseguição por parte do Serpico, na minha opinião esteve muito mecânica, o design horrível e sofrível como já se deve ter tornado padrão nesta nova adaptação de Berserk. O Gutts está muito mal adaptado neste anime, ele não tem a expressão sinistra como tinha no mangá, continuando assim esta nova adaptação de Berserk perde toda a credibilidade. A Farnese neste episódio provou tudo o que eu já achava dela, descrente (em relação a outras entidades divinas), sádica, imoral e podia continuar a dizer mal até mais não, mas não o irei fazer. A Farnese é fraca de espírito, e isso viu-se neste episódio, ela como tu bem referiste no artigo ela é uma casca vazia, não tem nada dentro dela, mas ela esconde-se dentro uma concha perfeita, que transmite para os outros uma coisa que ela não é, aliás ela não é digna de nada, quanto mais ser líder de um bando de cavaleiros. Agora outra coisa que eu pensei que eles iam adaptar neste anime, a cena do cavalo, eu quando a vi fiquei com uma cara de wtf mas ok, mas durante essa cena animalesca aquele flashback que o Gutts teve com a Caska a ser violada/estuprada deu-me uma sensação de nojo e raiva (quando vi essa cena no mangá fiquei com a mesma sensação), mas a essência de Berserk é mesmo essa toda gente se fode literalmente (redactor peço desculpa pela asneira). Agora o resto do episódio, aquele criador de cães já era feio por natureza então com este design ainda ficou pior, já para não falar do uso de filtros feios neste episódio, mas para mim piorou quando o tratador dos cães se transformou num apóstolo eu quase que sangrei dos olhos. Gostei do facto de teres referido da cena da donzela empalhada na parede parecia uma alusão ao capuchinho vermelho. Ah, não me posso esquecer do Serpico, ele até é um bom espadachim, ele conseguiu deixar uma marca no rosto do Gutts (como ele consegue ser tão habilidoso se ele passa o tempo todo com os olhos fechados).
    Como sempre uma excelente matéria Iwan.

    • Iwan

      mano eu fiquei muito a contragosto nesse episódio, eu não pretendia dar mais de 3 nem ferrando depois da quantidade de problemas na animação e lutinha filler que teve.(quase 10 minutos com o gutts se atracando com o “apóstolo”) mas quando eu comecei a escrever sobre a cena da Farnese e percebi como o anime conseguiu na verdade transmitir a sensação ,como você disse animalesca, e podre do personagem dela de uma forma tão bem feita (lógico que no manga ficou melhor mas caramba) eu não aguentei e aumentei a nota. Eu na verdade gosto muito da Farnese não como pessoa mas como personagem, acho que o autor fez um trabalho excelente na caracterização dela e eu consegui sentir essa caracterização nesse episódio.
      mas sim, esse episódio no geral foi sofrível e só os 5 minutos finais mostraram alguma coisa realmente boa.

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