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Olá, eu sou o Kakeru17 e fui convidado para comentar um pouco aqui no blog sobre algo bizarro, muito bizarro, talvez o anime mais bizarro que você pode conhecer na sua vida: JOJO!

Só para situar um pouco aqueles que não conheçam a obra, – sério, onde você esteve nos últimos 30 anos? – Jojo no Kimyou na Bouken (mais conhecido como Jojo’s Bizarre Adventure) é um mangá de autoria de Hirohiko Araki, em publicação desde 1987 e que já rendeu quatro temporadas de anime, além de alguns ovas lançados no começo do século; vários spin-offs em mangá e light novel; diversos jogos para console e PC; sem esquecer, é claro, dos seus mais de 110 volumes publicados – o que torna a série uma das mais longevas entre os mangás – e uma legião de fãs fanáticos e fieis que acompanham essa obra bastante peculiar e icônica, com verdadeira devoção.

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Jojo’s Bizarre Adventure para os íntimos!

Nessa review vou falar somente da adaptação em anime de 2012, especificamente do primeiro arco da série, – sim, Jojo é “espiritualmente” dividido em arcos e agora se encontra em seu oitavo arco no mangá – Phantom Blood, que possui 9 episódios no total.

A sinopse é a seguinte:

A história começa na Inglaterra do século XIX, com o fidalgo George Joestar, que em uma noite chuvosa sofre um acidente de carruagem que ceifa a vida de sua esposa, mas que dá a “sorte” de ser “salvo” por Dario Brando – que na verdade estava era roubando os seus pertences e por acidente o acordou – dando início assim à sua gratidão para com o aproveitador. Anos mais tarde, Dio Brando, filho de Dario, foi adotado por George após a morte de seu pai biológico e passou a morar na Mansão dos Joestar e a conviver com o filho legítimo, Jonathan, de apelido Jojo. É a partir desse momento que a “Lenda” de Jojo começa!

Mais honrado impossível!

Jojo é uma obra que começa com um plot simples e clichê, no qual acompanhamos o desenvolvimento da rivalidade entre Dio e Jonathan, o primeiro planeja desestabilizar Jonathan mentalmente para assim se apoderar do dinheiro dos Joestar e o segundo apenas deseja fazer amigos e viver tranquilamente, mas tem em Dio um obstáculo e tanto para isso.

… eu que sou a estrela desse show!

Essa primeira parte da história rende situações no mínimo estranhas, como Dio queimar o cachorro de Jonathan vivo e beijar sua namorada – o que inclusive rendeu um dos maiores memes da história dos animes – entre outras atrocidades praticadas contra o garoto. O ponto interessante aqui é que a princípio Jonathan apenas aceitava calado, mas depois chegou ao seu limite e reagiu a essas afrontas, mostrando um pequeno desenvolvimento de personagem. Ao mesmo tempo se mostra a frieza e maldade de Dio que facilmente supera o “limite” do antagonismo e se qualifica como um verdadeiro vilão genuinamente mal e inescrupuloso.

Com um irmão como o Dio, quem precisa de inimigos, né rs

Anos mais tarde, Dio é posto na parede por Jonathan após tentar envenenar seu pai, e antes de ser preso tenta uma última cartada sacando mão da Máscara de Pedra – um artefato antigo que reagia a sangue e que Jonathan usava em sua pesquisa arqueológica – matando seu pai, rejeitando sua humanidade e se transformando em um vampiro, assim selando de uma vez por todas o destino de toda a linhagem Joestar.

Nada melhor que um vampiro bronzeado com battle cry marcante, não é

Jojo é uma obra toda baseada em clichês que a maioria de nós já viu em animes e mangás, na verdade usa e abusa deles, posso até citar vários exemplos: a rivalidade entre mocinho e vilão, elementos sobrenaturais que dão um diferencial para as batalhas, personagens fortes (literalmente falando kkk), arco de treinamento, inimigos secundários a serem derrotados em fileira, uma donzela em perigo, relação de mestre e discípulo, laços fortes de amizade e fraternidade, etc.

Porém, a obra é bem-sucedida ao parodiar esses clichês e imprimir uma “marca própria” – sobre a qual falarei um pouco mais à frente – a uma fórmula simples e apresentar personagens minimamente bons e carismáticos e um personagem extremamente cativante: Dio, que apesar de você saber que é mal e torcer para ele se ferrar, não tem como ver o anime sem depositar expectativa nas ações dele. E nesse caso, ele não decepciona, sempre aprontando poucas e boas e infernizando a vida de Jonathan das formas mais sórdidas possíveis.

Eu não lembro, e vocês?

É um prato cheio ver Dio em sua obsessão doentia por Jonathan, sempre gritando seu apelido (JOJOOOOOO!!!) de forma imponente e exagerada e desafiando tanto os valores morais quanto a força física de seu oponente. Um verdadeiro “bromance” entre dois personagens que contrastam como a água e o vinho e definem o ritmo de todo o arco.

Vale citar também que Jonathan ao longo da história encontra um mestre que o apresenta ao Hamon, uma energia de onda coordenada pela respiração do seu usuário, o “poder” que é apresentado para rivalizar com o vampirismo de Dio. Esse segundo fator “sobrenatural” apresentado na história serve como um contraponto necessário já que por mais que Jojo seja musculoso e bom de briga, seria deveras exagerado ele conseguir matar um vampiro apenas com isso.

Como uma Deusa, você me mantém…

A história se desenrola com Dio reunindo forças e criando um exército de servos para lutarem para ele enquanto Jonathan treina e se fortalece para depois ir até onde Dio está, levando consigo os companheiros que reuniu pelo caminho: Speedwagon, que encontrou ao ir até Londres e desde então o segue por sua grande admiração e respeito, e Zeppeli, que almeja a destruição da Máscara de Pedra e age como um mestre para o protagonista.

Vale frisar aqui que a maioria das lutas do arco são protagonizadas por Jonathan – boas lutas por sinal – com Zeppeli servindo mais como um apoio nas lutas e Speedwagon agindo apenas como um apoio moral para os guerreiros e como narrador (sim, isso mesmo que você está lendo kkk) das batalhas. Essa é uma das marcas registradas de Jojo, a narração das batalhas como se o telespectador não fosse capaz de ver a situação e entendê-la por si mesmo. É algo totalmente ridículo, mas que encaixa perfeitamente bem com o clima que a história apresenta.

Speedwagon é aquela fangirl stalker que você respeita!

Tem várias horas durante o anime em que você não sabe se ri ou se fica empolgado com as cenas de ação, porque além dessa narração deveras bizarra, os personagens fazem diversas poses incomuns – outra coisa que se tornou marca registrada da obra – e expressões exageradas que tornam suas ações de certa forma teatrais, mas que contribuem para a sensação de estranheza ali proposta. É como se estivéssemos vendo uma história comum sendo contada como uma lenda cheia de pompa e exageros estilísticos.

Mais um meme icônico pra conta da obra!

Agora, falando sobre a parte técnica, a animação do arco é boa e consistente, apesar de limitada, as cenas de ação são minimamente bem-feitas e a coloração se destaca por apresentar cores chamativas que acrescentam a criação do “clima” como um todo. A presença das onomatopeias, que por sinal permeiam o mangá, contribuem para dar um ar cartunesco ao anime. A dublagem é ótima, pois consegue expressar os “arroubos” constantes nas falas dos personagens. A trilha sonora é fantástica, tanto sua música instrumental quanto a sua abertura, feita especialmente para o anime, e seu encerramento, uma música clássica de Rock Progressivo dos anos 70. Vale citar que o autor usa de muitas referências musicais diversificadas em seu trabalho, o que já se tornou outra marca registrada de Jojo.

Música Espetacular!!!

Quanto ao que toca o enredo e a direção, ambos foram muito bons, conseguindo transportar toda a bizarrice e excessos do mangá para a telinha de forma enxuta, mas que captou bem o “espírito” da obra, com um ritmo dinâmico que deu fluidez aos acontecimentos e cortou aquilo que se podia cortar e manteve o que era realmente importante para que conhecêssemos aquele universo e nos envolvêssemos naquela trama.

Já falando sobre o desenvolvimento do enredo e dos personagens, os secundários serviram mais como suporte, mas os mais importantes entre eles foram minimamente bem desenvolvidos a partir de flashbacks ou até de tomadas de decisão que demonstraram suas personalidades e objetivos na história. Eles não foram apenas ferramentas de roteiro como foram alguns menos relevantes. No que se refere aos protagonistas, Jonathan e Dio, deixo aqui meu apreço à forma como foram apresentados e desenvolvidos, tendo um crescimento perceptível ao longo da história, personalidades consistentes e tomando a iniciativa para movimentar constantemente a trama enquanto mantinham seus valores e objetivos em mente. Cito novamente o carisma transbordante de Dio e a boa construção de personagem de Jonathan, mesmo que esse por ser “certinho” demais não tenha atraído tanto o gosto do público.

Pra quem achou que eu tava brincando kkk

Por fim e não menos importante, temos o embate final entre Dio e Jojo – agora passarei a chamar Jonathan de Jojo pois ele verdadeiramente definiu o que é ser um Jojo nessa reta final do arco – que acaba com a derrota – totalmente previsível e merecida – do vilão, mas também com um acontecimento posterior bem incomum que abriu margem para a criação dos outros arcos de Jojo e o qual não falarei aqui por se tratar de um grande spoiler da obra. Vale falar que cada arco de Jojo possui um protagonista diferente, mesmo que apareçam personagens que protagonizaram partes anteriores, olhem aí a dica – talvez armadilha? – que eu estou dando para vocês, hein kkk.

Jonathan arrasando!!!

Para finalizar o artigo – que acho que já ficou bem grandinho, apesar de que eu poderia falar por muito e muito mais tempo sobre essa obra da qual gosto tanto – reafirmo aqui o que já disse antes: Jojo é clichê e bizarro, é propositalmente ridículo, mas inesperadamente empolgante se você “comprar” a ideia da obra e se deixar cativar pelos personagens, pelo seu universo simples, mas misterioso, e pelas suas características marcantes que não se veem facilmente em outras obras, algumas características que citei brevemente ao longo do texto. Se for ver Jojo, veja de coração aberto, acho que as chances de você odiar e amar são igualmente proporcionais e só por isso já vale a pena experimentar um pouquinho de algo que as pessoas já provam há muito e muito tempo, mas não cansam de pedir por mais!

E ah, se fosse dar uma nota para o anime seria 8,5. Só que o envolvimento emocional foi: 10!!!

Você estava esperando um meme original, mas sou eu, Dio!

P.S.: KONO DIO DA!!!

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