Namikoshi e Kobayashi pulam para a morte

O episódio final de Game of Laplace deixa uma coisa clara: Namikoshi não era movido por nenhum motivo maior, uma causa ou coisa que o valha. Mas ele e todos os seus seguidores (Kobayashi incluso) acreditavam piamente que sim. Cada um por motivos diferentes, eles experimentaram um pouco do pior da vida (exceto o Kobayashi, seu personagem merecerá mais estudo abaixo) e quebraram mentalmente. Alguns de forma permanente, como o próprio Namikoshi e a legista Minami, outros temporariamente, como o detetive Kagami e, provavelmente, o pai da Sachiko (lembra dele?). Quando uma pessoa não acredita em mais nada ao seu redor, quando tudo o que ela vê só a faz sentir mais dor, ela precisa inventar algo em que acreditar. Desesperadamente. Namikoshi trabalhou nisso durante muito tempo com o Akechi e tinha a resposta fácil para dar a todos. Ele fundou essencialmente um culto suicida que instiga terceiros a extravasarem seu desespero contra o mundo.

Ler o artigo →

Namikoshi não podia suportar mais uma rejeição. Não a rejeição do Akechi.

“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.”

Não pude evitar começar esse artigo com essa citação de Nietzsche. No artigo anterior reclamei como o excesso de referências estava incomodando a minha experiência com Game of Laplace. Aposto que esse arco final será cheio delas também, mas ele parece bem mais sólido, interessante, independente do que todos os arcos entre o primeiro arco do Vinte Faces e o episódio anterior. Conhecer o vilão principal da série me permitiu ver todo o horror que ele viveu. E se obviamente não concordo com seus meios, não posso deixar de compadecer-me de suas tragédias. E isso é um tema importante no anime: nenhum dos vilões principais era uma pessoa irremediavelmente má. De problemas mentais à fraqueza diante de uma grande tragédia pessoal, todos eles são, no fundo, personagens tristes.

Ler o artigo →

A volta do verdadeiro Vinte Faces

A maioria dos animes é adaptação de algum outro meio. Na maioria das vezes mangá, em segundo lugar light novels (essencialmente literatura juvenil mas se dissermos que são animes baseados em equivalentes japoneses de “Diário de um Banana” alguns de nós ficaríamos incomodados em assistir Dungeon ou No Game No Life, não é mesmo?), e as adaptações de jogos parecem estar se tornando mais populares conforme os próprios jogos atingem mais pessoas em mais plataformas. Game of Laplace não é diferente, sendo uma adaptação (bastante livre) da bibliografia de um escritor de mistério. Além de gerar lucro por si mesmas, o objetivo das adaptações é criar publicidade para o original. E da mesma forma como pessoas normais reclamam da adaptação de livros para séries ou filmes, nós que assistimos animes reclamamos com frequência dessas adaptações também. Como lidar com isso? Como lidar no caso específico de Game of Laplace?

Ler o artigo →

Namikoshi e Akechi criando o Vinte Faces

Parece que esse episódio finalmente disse o que a série inteira queria dizer desde o começo, ao mesmo tempo em que apresentou a origem dos problemas que os personagens enfrentam. E se fosse possível evitar que a violência acontecesse em primeiro lugar? Não sendo isso possível, como lidar com ela, e mais importante, como os atingidos devem lidar? Kobayashi parece maluco, mas ele talvez esteja mais perto da verdade do que o Hashiba, que acredita ser possível sim evitar o pior. Akechi viveu isso tudo em primeira mão.

Ler o artigo →

Akechi olha para a cena do crime enquanto o policial da ilha e o supervisor estão atrás dele (são as marionetes)

Depois de um episódio absolutamente sem sentido, desnecessário, e ainda por cima sem graça, Laplace volta a tratar de mistério. Esse episódio inteiro pareceu no fim das contas apenas exposição do caso, para quem sabe vermos sua conclusão no próximo. Isso faz sentido em mistérios, mas a estética de Game of Laplace está ficando cada vez mais intrusiva, o que deixa difícil entender direito o que está acontecendo, separar conversas legítimas de pensamentos, flashbacks de tempo presente. Talvez o caso em questão seja tão simples que sem esses artifícios todos qualquer macaco assistindo com meio cérebro ligado descobriria entre uma banana e outra, ou talvez faltem mesmo elementos e seja indecifrável e toda essa confusão sirva de despiste para o espectador duvidar de si mesmo e acreditar que só não conseguiu entender por sua própria culpa.

Ler o artigo →

Obras dadaístas têm mais coerência do que isso

O que foi esse episódio? Por que esse episódio existe? Produção, tem certeza que isso é uma homenagem a um autor de ficção de detetive? A mim pareceu uma zombaria tremenda. Ou talvez uma homenagem a um autor de comédia (ruim). Ou talvez não tenham a menor noção do que seja “homenagem” ou “ficção de detetive”, ou ambos. Na melhor das hipóteses, estavam todos bêbados enquanto fizeram esse episódio e ele não deveria ter ido ao ar, porque perceberam a desgraça que haviam feito, mas eis que uma pessoa misteriosa matou quem deveria ter entregue o episódio de verdade para a emissora e substituiu por esse, que infelizmente não teve todas as suas cópias destruídas. O plot twist é que o verdadeiro mistério agora está na vida real: descobrir quem matou e, pior ainda, fez esse episódio ser transmitido. O maior suspeito por enquanto é um estagiário menor de idade (por isso estou proibido de revelar seu nome) que foi zombado durante a festa porque não tinha ainda idade para beber saquê.

Ler o artigo →

Nossas sombras são todas iguais. O criminoso é quem está com a faca na mão?

Você assistiu o episódio 4, não assistiu? Se não assistiu, por que está lendo uma crítica do episódio 5? Vá lá assistir os dois, o artigo vai continuar aqui te esperando. Já assistiu? Então tá. Ao invés de uma investigação, o que assisti durante esse episódio inteiro foi uma narrativa fria de como o inspetor Kagami entrou para a polícia, como acreditava na justiça, como essa crença o fez se desencantar quando descobriu que o sistema era menos do que perfeito, e como uma conjunção infeliz de acontecimentos o fez cair no mais profundo poço moral que um ser humano pode cair. E foi o próprio Kagami quem contou tudo isso, sem emoção nenhuma, e ainda por cima demandou que a justiça fosse servida e ele próprio fosse condenado a não menos que a morte ao mesmo tempo em que, como se finalmente desabafasse, informa em tom profético que nada irá mudar. Se os bandidos não mudam e o sistema também não muda, os justiceiros continuarão à solta. Profecia que se cumpre na cena seguinte. É um mundo cão.

Ler o artigo →