Pensei muito se deveria escrever sobre isso, afinal não é o tema do blog. Ainda não tenho certeza, para ser sincero, mas me sinto compelido à escrever. Sou teimoso. Mas também sou preguiçoso. Queria escrever com um décimo da compulsão que Roberto Gómez Bolaños tinha por fazer rir. Segundo a Wikipedia Bolaños, mais conhecido como Chespirito, “foi um ator, escritor, comediante, dramaturgo, compositor e diretor de televisão mexicano. Ficou conhecido mundialmente pela criação das séries televisivas El Chavo del Ocho e El Chapulín Colorado, e com o Programa Chespirito que ganhou o título de o programa número 1 da televisão humorística, as quais lhe trouxeram grande prestígio e garantiram-lhe o reconhecimento como um dos escritores comediantes mais respeitados do mundo.”. Já segundo eu mesmo, ele era apenas o Chaves e o Chapolim, e eu gostava mais do primeiro que do segundo.

chaves - el-chapulín-coloradoQuando eu era criança só dois canais pegavam direito na TV em casa: Globo e SBT. E quando eu estava em casa não tinha mais nada para fazer senão assistir televisão. Chaves e Chapolim eram apenas dois programas entre tantos outros que eu assistia, de todos os tipos. Como toda criança, eu não pensava muito sobre eles, apenas gostava de Chaves e “não gostava” de Chapolim. Meu não gostar quando criança era curioso, eu não gostava de um monte de coisas que mesmo assim eu assistia do começo ao fim e anos mais tarde percebi que, bem, eu gostava. Era engraçado, afinal, pelo menos para uma criança. Hoje ainda rio se por acaso acontecer de assistir um episódio por qualquer que seja o motivo, mas provavelmente os fatos de eu ter assistido tanto quando criança e rido tanto quando criança são determinantes para isso. Não me considero um fã como sei que tanta gente se considera, não, eu apenas gosto, acho legal, foi importante e positivo em um momento de minha vida e sou grato por isso. Sou uma pessoa que teme a morte e que valoriza a vida humana acima de qualquer outra coisa, não sou capaz de desejar a morte para ninguém, e nunca fico feliz com notícias de mortes. Frequentemente me emociono com histórias de vida e de morte. Portanto não poderia deixar de me emocionar com a morte de alguém a quem sou grato. Obrigado Chaves, obrigado Bolaños, por ter me feito rir tantas vezes. Agora não sinto nenhuma vontade de rir, mas vai passar. Prometo que logo estarei rindo de novo. Roberto Gómez Bolaños gostava tanto de risos que ele escreveu um poema sobre isso, com o qual eu encerro esse curto texto. Está em espanhol, mas dá para entender o suficiente.

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La risa

Hay en el mundo un sonido
que por sí solo podría
conformar la melodía
más grata para el oído.
Es de todos conocido
y, desde luego evidente,
que no tiene equivalente
en la faz del mundo entero.
Por supuesto me refiero
a la risa de la gente.

La tosca risa del viejo,
la suave risa del niño,
la que brota por cariño,
la que estalla sin complejo.
La que suena cual añejo
crujir de una crinolina,
risas de voz cristalina
y carcajadas sonoras
que son como las tamboras
de una banda pueblerina.

Risas que son oda y canto,
gritos de triunfo, poesía,
acicate en la alegría,
paliativo en el quebranto.
A la vida, por lo tanto,
le tengo que agradecer
que por mi doble quehacer,
escritor y comediante,
es la risa mi constante
y fascinante placer.

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