O flashback de Miki, que havia começado no 4º episódio, finalmente terminou. Para quem esteve atento aos acontecimentos mostrados anteriormente e/ou acompanhou os nossos artigos, esse episódio não trouxe muitas novidades, mas várias confirmações. Isso não quer dizer que o episódio foi chato ou sem importância, pelo contrário! Cada segundo foi precioso, principalmente pela forma como conseguiram explorar toda a carga emocional que esses fatos do passado poderiam ter. Usar esse episódio inteiro para deixar bem claro o desfecho de todos os pontos importantes que foram trabalhados até o presente momento, significa que a história alcançou o seu momento de transição. Portanto, podemos esperar uma mudança de rumo no enredo, onde novos contextos e desafios deverão começar a ser apresentados em uma atmosfera muito mais sombria.

Como você reagiria se acordasse em um lugar totalmente inesperado e, na sua frente, estivesse uma pessoa que conversa alegremente com você e com o “nada”?! Pensar nisso é, no mínimo, muito perturbador. E essa é a palavra perfeita para definir tudo o que nos foi mostrado através dos olhos da Miki. Quem ainda estava em dúvida se a professora era real ou se existia apenas na mente da Yuki, obteve a sua resposta logo no início do episódio. No artigo que escrevi sobre o segundo episódio desse anime, eu já havia afirmado que Megumi estava morta. Portanto, passei as últimas quatro semanas observando com um certo receio essas interações entre Yuki e a professora imaginária, porque era difícil pensar em como as outras garotas estavam enxergando essas cenas, afinal, mesmo conseguindo deduzir que Megumi não estava lá, nós ainda podíamos vê-la por causa da dinâmica adotada, de ilustrar o que se passava na mente da Yuki. Então, quando o anime nos mostrou essas cenas através do ponto de vista da Miki, que naquele momento ainda não fazia ideia de quem era essa tal de Megumi, o resultado foi muito chocante. Não estávamos acostumados a ver as interações de Yuki dessa forma “crua”, real, sem a Megumi. Antes mesmo de retirarem de vez a imagem da professora dos ambientes, cada detalhe que reafirmava a inexistência da professora e a loucura de Yuki, era assustador pela essência de naturalidade que pairava nesses detalhes. Tanta naturalidade que até pode ter passado despercebido por muita gente. Estou me referindo, por exemplo, a uma das cenas iniciais, quando a Yuki oferece uma garrafa de água para Megumi como um pedido de desculpas, e se escuta o som da garrafa caindo no chão após mudarem os ângulos da cena. Também teve a cena na sala de música, onde Yuki mostra um ambiente limpo e completamente organizado e, enquanto ela anda por essa “bela” sala, é possível ouvir o som de cacos de vidro sendo pisados; ou quando ela entrega o aparelho de som para Megumi e o barulho do aparelho caindo é disfarçado pelo efeito sonoro que acompanha a expressão cômica de surpresa da Yuki ocasionada por Miki tê-la chamado de “senpai”. Enfim, muita gente pode dizer que isso não faz diferença nenhuma, mas eu acho que colabora muito para manter um tom de realismo na história, e fico feliz em ver o quanto estão se esforçando para que Gakkou Gurashi aproveite ao máximo todo o potencial que possui.

No quesito terror psicológico, está mais do que provado que qualquer situação que envolva a Yuki é capaz de abalar as nossas mentes. Passei a primeira metade do episódio completamente aflita só de pensar na possibilidade da Miki questionar a Yuki sobre quem é a “Megu-nee” que ela tanto falava. Quando a Miki finalmente a questionou, enquanto estavam na sala de música, vimos ser criada uma sensação gradual de puro terror: a música desacelerando, sendo aos pucos substituída pelo som de batidas do coração; e principalmente a mudança de postura da Yuki, que ficou inerte e com os olhos sombrios, sem os pontos de luz de sempre. Naquele momento, tivemos a arrepiante certeza de que a mente dela quase afundou em seu “poço de realidade” de novo. Desde o princípio, todo mundo já estava consciente de que a Yuki tinha algum problema mental, porém não tínhamos a noção de que era tão grave assim. Ou então já sabíamos, mas ainda não tínhamos vivenciado essa loucura de uma forma tão intensa como pudemos vivenciar nesse episódio.

Em um momento você sente medo da Yuki. No outro, sente tanta dó que quer abraçá-la e não soltar nunca mais.

Em um momento você sente medo da Yuki. No outro, sente tanta dó que quer abraçá-la e não soltar nunca mais.

O que mais me agrada no modo como essa história está se desenvolvendo, é o fato de sempre tentarem ser coesos e realistas na medida do possível, afinal, ainda estamos falando de um anime (e que possui zumbis). Digo isso por causa da forma como foi trabalhado todo o processo pelo qual a Miki teve que passar para conseguir entender a importância de Yuki no grupo e aceitar colaborar com a sua condição mental. Não foi algo que mudou de uma hora para a outra, nem muito menos mudou pelo motivo que costumam usar como justificativa em muitos animes: “porque sim”. A visão que ela tinha sobre a Yuki mudou porque ela também conseguiu se sentir realmente viva através da felicidade que a Yuki criou. E tudo graças a essa realidade alternativa que ela estabeleceu em sua mente, onde o incidente nunca aconteceu. Essa certa insanidade da Yuki é justamente o que mantém ela mesma feliz (e sob controle) e preserva a sanidade das outras. Na situação em que as garotas estão, é fácil se desesperar e viver atormentado pelas mortes e incontáveis perigos ao redor, ou então deixar o medo dominar e se ver obrigado a viver enclausurado, apenas se preocupando com o que for necessário para sobreviver. Foi isso que Miki fez enquanto esteve no shopping, e só agora, com a ajuda da Yuki, que ela foi capaz de perceber que Kei estava certa em não ficar satisfeita por apenas continuar sobrevivendo. Pena que ela foi impulsiva demais ou azarada demais para conseguir ter a mesma oportunidade que Miki teve. Mas perceber que encontrou um “lar” onde pode continuar vivendo de um modo que deixaria Kei feliz, deve ter ajudado Miki a amenizar um pouco a dor de tê-la perdido.

Bom, dilemas a parte, agora é o momento de falar sobre a revelação pela qual todos estavam aguardando tão ansiosamente: a morte de Megumi. Essa parte foi tão importante que houve até uma nova mudança de ending. Ela foi dedicada a Yuki e a professora juntas, seguida de uma prévia em que Megumi vai desaparecendo aos poucos. Isso nos faz acreditar que não veremos mais a versão ilusória e fofa da professora em cena. Enfim, voltando ao episódio, finalmente foi dito claramente que Megumi está morta e que aquela cruz em meio a horta no terraço é para ela. Muita gente ainda tinha dúvidas se a cruz poderia ser para o senpai de Kurumi, então ainda bem que isso foi esclarecido.

A cruz é para Megumi, mas o laço é realmente dela?

A cruz é para Megumi, mas o laço é realmente dela?

Quando falei sobre a cruz em artigos passados, um dos fatores que me fizeram deduzir que era para a professora, foi a presença de um laço parecido com o que ela usava em volta do pescoço. Porém, esse episódio nos mostrou que Megumi morreu trancada em uma sala cheia de zumbis. Na respectiva cena, a última coisa que vemos ela fazer é justamente colocar a mão em seu laço. O que eu gostaria de saber é como foi que as garotas recuperaram esse laço? Elas não se arriscariam a tentar destrancar aquela porta depois do que aconteceu, certo? Muito menos para apenas pegar um laço. Se a Megumi já estava ferida (mordida por um zumbi, imagino), elas não tinham como fazer mais nada por ela. Eu duvido que alguma delas, até mesmo a Kurumi, tenha tido coragem (e sanidade!) suficiente para ter escolhido voltar para aquela sala e tentar resgatar a professora. Primeiro porque seria extremamente perigoso dada a quantidade de zumbis que havia lá dentro. Segundo por causa da situação em que Megumi poderia estar: terrivelmente mutilada ou já transformada em zumbi (ou as duas coisas!). Além de ter que lidar com essa visão terrível, elas seriam obrigadas a matar essa possível versão zumbi de Megumi! Então, eu prefiro acreditar que elas escolheram manter Megumi e todos esses zumbis trancados onde estão; e apenas fazer uma cruz simbólica para Megumi no terraço, ou seja, ela não está enterrada ali junto com a cruz. Talvez elas tenham procurado um laço que fosse parecido com o da professora e colocaram ali, ou talvez o laço da cruz também seja de Megumi mas ficou sob a posse das garotas por algum motivo que ainda não foi mostrado? Acho que não temos outra escolha além de aguardar para saber.

Sala cheia de zumbis.

Sala cheia de zumbis.

Como já tivemos várias cenas em que as garotas do clube percorrem os corredores da escola, eu me senti na obrigação de tentar encontrar alguma pista de onde poderia ser essa sala em que Megumi se trancou em seus momentos finais. Durante a minha busca, percebi que quase todas as portas que a escola possui, são portas de correr. Apenas lugares que precisam, de alguma forma, realmente restringir o acesso, possuem uma maçaneta que pode ser comparada a daquela sala. Esses lugares são: a porta do terraço, a porta dos banheiros (que aparecem muito por sinal…haha), e uma porta que fica fora da área protegida pela barricada de carteiras. Essa última aparece apenas durante o segundo episódio, logo depois de as meninas pularem a barricada para fazerem o “teste de coragem”. Analisando bem, podemos notar que a barricada foi colocada bem no meio do corredor, ao invés de ficar lá no final, como as que impedem que se tenha acesso as escadas, por exemplo. Se esta sala for realmente o lugar mostrado no flashback, faria todo sentido querer reforçar a segurança antes daquela porta, afinal, os zumbis são muitos mas não são o único problema! Não seria nada conveniente deixar a Yuki ficar passeando numa boa em frente a um lugar tão perigoso e traumático.

Porta da sala onde Megumi se trancou x Porta que aparece durante o segundo episódio.

Porta da sala onde Megumi se trancou x Porta que aparece durante o segundo episódio.

Além desses detalhes não esclarecidos, ainda não sabemos qual é o conteúdo e o contexto da misteriosa carta de suicídio mostrada a algumas semanas atrás. Como o nome do próximo episódio é “A Carta”, espero que possamos descobrir mais alguma coisa sobre isso na semana que vem. Mesmo assim, são apenas detalhes, então acredito que a partir de agora, o passado vai ser pouquíssimo abordado e novos fatos deverão começar a construir uma trama mais obscura. Não há mais motivos para “pegar leve” com o que é mostrado no cotidiano do grupo.

  1. Fábio "Mexicano" Godoy

    Talvez a sala dos professores, justamente onde “a carta” deveria estar? Porém, a chave para o carro não deveria estar lá também? Bom, não necessariamente, a professora pode muito bem tê-la guardado antes em um lugar mais seguro – embora a escolha óbvia nesse caso fosse a sala do clube, mas ela não estava lá. Então sei lá. Esse anime deveria ser diário =P

  2. Melhor momento foi quando elas estavam na sala de música e a OST adquiriu um tom extremamente preocupante e pertubador, como se tivesse fazendo a audiência descer para a realidade cruel junto com a Yuki. E então a fatídica pergunta: Quem é essa Megu-nee?

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