Provavelmente você já deve ter ouvido falar na Sanrio, empresa responsável pela Hello Kitty. Mesmo que todas as suas personagens sejam voltadas para o público infantil, uma de suas produções mais recentes decidiu criar uma narrativa totalmente diferente da habitual, tendo como foco o ambiente corporativo. Foi então que nasceu Retsuko, a panda vermelha.

O anime Aggretsuko chegou na Netflix com 10 episódios de 15 minutos cada, mas não é a primeira vez que a personagem aparece. Retsuko foi criada em 2015, e ganhou 100 episódios de um minuto desde 2016. Foi então que a gigante do streaming viu potencial na ideia e decidiu investir em um ONA – Original Net Animation. Mas afinal de contas, o que esta personagem tem de tão especial?

Retsuko é uma panda vermelha de 25 anos que trabalha no escritório de contabilidade de uma empresa corporativa de Tóquio. Ela se apresenta na série como “escorpiana, solteira e sangue tipo A”. Porém, o que mais chama atenção em sua personalidade é o fato de que ela lida com o estresse do dia a dia cantando death metal em um karaokê.

Na prática, esse hobbie acaba funcionando como um alter-ego da personagem. Enquanto Retsuko é alguém que segue as regras e aceita tudo calada, sua versão rock n’ roll surge para extravasar. Com o objetivo de manter as aparências, a protagonista passa os dez episódios tentando esconder esse segredo dos amigos, o que gera algumas das situações cômicas.

Apesar de parecer apenas mais um anime fofo à primeira vista, Aggretsuko tem como foco abordar questões ligadas à vida adulta. Entre elas, está o assédio moral e a discriminação das mulheres no ambiente de trabalho, pois nossa protagonista precisa lidar diariamente com um chefe que abusa de sua autoridade. Além disso, um trabalhador comum pode se identificar com a jornada de Retsuko, que inclui acordar cedo, pegar transporte público lotado e aguentar colegas de trabalho desagradáveis.

Mais um dia comum na vida de Retsuko

O anime conta com diversas situações do cotidiano, onde o público consegue se sentir representado por Retsuko ou simplesmente sentir pena da personagem. Isso não seria possível se não fosse pelo carisma da protagonista. Mesmo que não tenha nenhum humano na trama, todos os animais – além da panda vermelha – são trabalhados de forma que pareçam humanos, incluindo suas qualidades e defeitos.

Agora que ganhou uma estrutura de série, Aggretsuko consegue desenvolver uma história de fato, e não apenas criar situações engraçadas como acontecia nos curtas. No início, o público acompanha o cotidiano da personagem, onde todos os problemas da sua vida são apresentados. Em seguida, Retsuko procura formas de lidar com aquilo, seja se demitindo do emprego atual ou até mesmo se casando com um homem rico.

Se você faz parte da parcela da população que está insatisfeita com o emprego, provavelmente irá se identificar com a vida de Retsuko. Se este não for o seu caso, ainda vale assistir ao anime para acompanhar alguns dos dilemas da vida adulta. Aggretsuko é um dos poucos animes da Sanrio que não é voltado para crianças, e essa proposta diferenciada funciona muito bem.

  1. Sinceramente, esse anime é um dos melhores manuais de vida corporativa (e isso vale para qualquer cultura que seja) já criados…Palavra de um que já trabalhou para um zaibatsu japonês, mas não era tão travado como um…A desenvolver…Se interessar…

  2. Mas o que mais me doeu foi a Retsuko ser “empurrada” pelo enredo ao Resasuke, um coitado bobão sofredor de sindrome de Asperger ao inves do Haidasan (um pusta cara legal!!) e resiliente como é Retsuko vai em diante……Parece “ipsis literis” um caso que aconteceu no zaibatsu que trabalhava…

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