Cannon Busters foi uma das últimas adições que a Netflix colocou em seu serviço com o selo original. Lançado no mês passado (agosto de 2019), a animação possui 12 episódios de 24 minutos e com indicação que uma segunda temporada poderá acontecer. Tendo um autor americano como diferencial e sendo produzido pelo estúdio Satelight, a obra inicialmente parece promissora o bastante para chamar a atenção do público.

Mas sendo sincero só parece mesmo. Digo, não é ruim, talvez mediano seja uma boa definição e aparentemente os sites de crítica internet afora gostaram. Eu não me importo com esses sites ou a nota no MAL (myAnimeList), mas acho engraçada essa recepção. Talvez seja porque o autor/diretor (são dois diretores, um japonês estreante e o autor) é um ocidental ao invés de um japonês ou só por ser americano mesmo (que ao meu ver deve ser o caso).

Enfim, por ser um anime original Netflix a parte técnica não tem algo que mereça reclamação, o que é bom e de certa forma joga a “responsabilidade” no resto, vulgo história, personagens e por aí vai. A história trata de Philly the Kid, um vigarista que é imortal e tem um prêmio por sua cabeça, Cassey um robozinho de manutenção e Sam, um robô amigável que se separou de seu melhor amigo, um membro da realeza de um país.

Logo no ínicio a história já estipula um objetivo final: Philly deverá ajudar Sam a encontrar seu amigo. Tendo isso fixado, a obra parte para uma sequência de aventuras episódicas que talvez não fosse o ideal para a obra, ainda que tenha seus pontos positivos. O motivo disso é bem simples: dos 12 episódios apenas o 11 te dá ansiedade para ver o próximo. Aliás, muitas vezes fica a impressão de que daria para ser um anime de audiência tendo a aventura da semana.

Além disso, a obra conta com uma salada de elementos que é interessante na teoria, porém ruim na prática. Pense num mundo estilo faroeste com uma pegada muitas vezes futurista e com magia. Quer mais? Também temos alguns ronins, ninjas, mechas e uma cidade flutuante nesse local completamente maluco. Depois de ver essa quantidade de elementos fica visível que o autor pegou um monte de coisas que ele gosta e colocou na história. E pior, não há desenvolvimento em nada disso, logo, acaba sendo um monte de detalhe que além de não casar bem, fica solto e você acaba tendo que aceitar.

No que se refere ao trio de protagonistas, devo “dizer” que eles começam a ficar interessantes com o passar da história. Philly é um típico anti-herói que se importa apenas consigo mesmo mas que com o tempo a convivência começa a moldá-lo (ainda que ele tome decisões bem questionáveis). Ele começa gostando da utilidade que suas companheiras podem proporcionar, mas ainda assim demora para considerá-las suas aliadas de verdade.

Já Sam é uma personagem que particularmente me irritou bastante. Ela é um robô amigável que foi projetado para fazer amizades. Tendo isso em mente, fica claro o motivo dela querer fazer amizade com toda e qualquer pessoa. Mas imagine que isso acontece inúmeras vezes durante a maior parte dos episódios sempre tendo a mesma frase… sim, chega uma hora que irrita demais. Mas ok, tirando isso é interessante a forma como ela evolui por conta da convivência com Phily, ao ponto de ter atitudes mais humanas.

Essa bela adição também se aplica para a outra robô, Cassey, que para mim é a menos irritante do trio. Seu vício por consertar as coisas por vezes é engraçado, mas a personagem também tem seus momentos de brilho. A convivência com Phily acaba trazendo algumas características ruins que o próprio possui, algo que acaba sendo bem legal de ver e que melhora ainda mais a sua relação com o anti-herói.

No mais, a história por vezes consegue trazer algo bem interessante a partir da salada de elementos. Por outro lado a violência rola solta e deve agradar aqueles que apreciam algo mais “pesado”. Se você gosta de animes onde há grandes desenvolvimentos, Cannon Busters não vai cumprir seu papel, pois no máximo há revelações rasas de alguma coisa aqui e ali (além do desenvolvimento já citado dos personagens).

Por fim, gostaria de destacar as músicas de abertura e encerramento. São ótimas (principalmente a de abertura) e acabam sendo o maior destaque positivo da obra ao meu ver. Vale destacar que ambas são cantadas em inglês, algo relativamente raro em animes.

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    Tenho a messa opinião da obra, Visualmente é bem feita com até uma boa estética que eu acho que chama a atenção em primeiro momento principalmente o carro do protagonista que tem um visual diferenciado, mas, em questão de narrativa e construção de mundo é bem caído. A trama pula de um ponto a outro para lugar nenhum e só no final apresenta um desfecho, existe a tentativa de trabalhar os personagens e deixar eles mais humanizados mas não dá muito certo. No fim acho uma boa obra mas sem rumo não sabe bem para o de ir e só coloca o pezinho e vai embora. Acho que compensa assistir se está de boa e quer uma coisa mais descompromissada e com um visual interessante.

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    Sim, foi essa a impressão que ficou. O engraçado é que eu fui assistindo sem muito compromisso e quando vi, estava perto do final. É um passatempo decente, mas não sei se seria uma produção que eu iria recomendar para alguém. Sobre o carro do Phily, sim, é muito legal e eu estou impressionado que não comentei sobre ele em sua forma inicial e final.

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    Então cara, eu preciso tomar vergonha na cara e terminar de assistir. Eu lembro de ter começado e acabei deixando de lado ainda na primeira temporada kakaka. Mas é algo que eu já estava pensando em fazer (já devia ter feito, mas ok) e provavelmente terminando Ultraman eu vou retomar para fazer o artigo sobre tudo. Enfim, prometo que sai esse ano (eu gostaria de “dizer” que até outubro sai mas é melhor não prometer algo que eu não garanto 100%) e vou me esforçar para sair o quanto antes!

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