Se existe algo ao qual todos estamos acostumados nessa vida de otaku, é ver animes, e esses são feitos de uma gama de personagens com toda sorte de fisiologia, mas no ramo da comédia as séries que envolvem animais estão certamente entre as mais proficientes. O que não quer dizer que outros gêneros não possam eventualmente sair do zoológico também.

Quem não se diverte vendo os bichos pirando legal? Ou então assistindo um gato, um cão que lembre os seus, fazendo bagunça, pedindo carinho ou dando amor?

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Esta é a coluna Zona de Atrito. Nela, o real e a fantasia (seja aventura, ficção científica, magia ou terror), dois territórios da criação artística, serão os temas. Tratadas juntas ou separadamente. Atrito, pois as fronteiras entre a realidade e a imaginação nem sempre são evidentes. Às vezes são abolidas, em outras, misturam-se ao ponto da indistinção. Como disse o escritor Eduardo Spohr, “A fantasia é muito mais real que a própria realidade porque a fantasia faz metáforas com coisas que são verdadeiras e isso que é importante destacar”. A fantasia fala do que vivemos e do que poderemos viver, e também abre espaço para a possibilidade de discutir novos modos de perceber a vida. Hoje, dois animes que falam da mulher (não só japonesa) na contemporaneidade: a fábula Kanojo to Kanojo no Neko: Everything Flows e o conto sobre uma NEET Netojuu No Susume (Recovery Of An MMO Junkie).

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em A Arte da Vida, logo no título da introdução lança uma pergunta desconcertante: “O que há de errado com a felicidade?”. Em tempos de individualismo e consumismo exacerbados, culto à beleza, crises econômicas e o ter se sobrepondo ao ser (ainda que tenhamos focos de resistência), uma questão que nos leva a refletir sobre quem somos e o que queremos, tem o poder de expor nossas fragilidades e causar danos às nossas convicções. Ser adulto é lidar com inúmeros problemas, que, dependendo do rumo que se toma, transformam-se em perigos dos mais ardilosos. Sombras disso podem ser encontradas em dois animes adultos, com jovens adultos que nos revelam que crescer, parar e voltar a crescer são movimentos carregados de alegrias e frustrações, aqui, acolá e no Japão.

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