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Esse artigo é um comentário para outro artigo, do Not Loli!, que ficou tão longo que achei melhor escrevê-lo na forma de artigo. O artigo original é:

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 12 – O suicídio (duplo?) de Miyokichi e Sukeroku.

Leia primeiro o artigo acima antes de ler meus comentários, senão não fará sentido algum. É um artigo bom e eu recomendo muito, você não perderá nada lendo, te garanto.

Esse é um tipo de artigo novo aqui no Anime21, então talvez o formato ainda não esteja ótimo. Os comentários nesse artigo estarão desativados – ao invés disso, comente no artigo original. Se já leu o artigo original, leia agora meus comentários (e talvez seja útil ter o original aberto em outra aba, só por via das dúvidas).


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Primeiro, como vai funcionar: vou citar um trecho do artigo original destacado em uma caixa de cor e letra diferente. Abaixo virá o meu comentário sobre aquele trecho do artigo com a formato normal de texto. Começando agora:

quando Kikuhiko desapareceu de súbito, todos se lembraram que aquela não foi a primeira vez que uma pessoa importante desaparecia assim

E o Sukeroku não é importante só porque ele é bom, mas porque o Sukeroku e o Kikuhiko são os únicos artistas da geração deles. O resto é um bando de velhos que sabe que já está com um pé na cova. Chatos, tradicionalistas ou o que seja, no fundo eles são artistas e amam o rakugo, e não querem que ele morra. Mesmo que o Sukeroku seja alguém difícil de lidar fora do palco, eles sabem que ele é um bom artista e ele é necessário.

Miyokichi – curiosamente, uma prostituta – ouve atentamente, assim como Sukeroku, mas não fica claro se eles a vêem na plateia

Tenho quase certeza que ninguém a viu. Nada no comportamento ou nos diálogos deles fez parecer que a haviam notado. E o Kikuhiko pareceu legitimamente surpreso em rever a Miyokichi mais tarde no hotel.

Enquanto Kikuhiko veste seu kimono, Sukeroku diz […] Todo esse diálogo, para falar a verdade, à primeira vista não me pareceu ter muita coisa de comum com nada

Eu acho que tem a ver com o fato dos dois finalmente reconhecerem, de verdade, de forma honesta, o que o outro tem de forte e o que eles, em comparação, tem de fraco. Kikohiku sempre se sentiu inferior na técnica, mas agora que ele já melhorou bastante a sua técnica ele reconhece que talvez ele não fosse tão bom antes não porque não treinasse o suficiente, mas porque achava que treinar bastaria. Sukeroku sempre esteve lá pela plateia, e agora Kikuhiko pode dizer para Sukeroku que ele finalmente entendeu o que isso quer dizer. Sukeroku por outro lado sempre foi desleixado no ensaio, e seu talento natural, o tipo de rakugo e a forma como ele o abordava eram mais do que suficientes para compensar por isso. Porém, agora que ele está há anos sem ensaiar e viu o quanto o Kikuhiko conseguiu evoluir, ele reconhece o que o irmão tinha de bom. Não era apenas ser “tradicional”. Era ser dedicado. Isso tem a ver com a tal humildade e “possivelmente recalque” que você cita um pouco antes =)

Sukeroku começa sua apresentação um pouco encabulado

Você também não ficou com a impressão que ele estava nervoso demais, correndo demais, com um ritmo estranho no começo da apresentação? Ele foi melhorando ao longo dela, e isso deve ser uma característica sua – enquanto muitas pessoas travam quando começam a se sentir nervosas e a errar (ou achar que estão errando), o Sukeroku cresce.

Nesse momento, vemos cenas de Kikuhiko entusiasmadamente sorrindo, assim como Konatsu muito empolgada, e Miyokichi também.

A Miyokichi já não tinha ido embora? Tenho quase certeza que ela foi embora logo que o Kikuhiko terminou ou logo que o Sukeroku iria começar. (pausa para rever o episódio) Ah sim! Ela realmente saiu enquanto a Konatsu procurava um lugar melhor na frente, antes da apresentação do Sukeroku. Mas apareceu um flash da Miyokichi, como se fosse da memória do Sukeroku. E pensando agora, em retrospecto, esse pequeno flash adquiriu um significado diferente do que eu havia imaginado (bom, eu não havia imaginado nada, tinha apagado da memória) e serviu como premonição da decisão do Sukeroku.

esse rakugo todo é extremamente pertinente e relevante na sua mudança de perspectiva de vida

E é mesmo! Mas acredita que quando eu terminei o episódio eu achava que não havia conexão entre a decisão do Sukeroku (abandonar o rakugo e trabalhar para sustentar a Miyokichi e a Konatsu) e a peça que ele havia encenado? Eu liguei coisa com coisa mais ou menos depois, enquanto escrevia o meu artigo sobre o episódio (escrever artigos é muito bom para isso!), mas na hora achei que eram duas coisas tão desconectadas que isso afetou minha avaliação geral do episódio. Ainda preciso melhorar muito minha percepção…

e também Konatsu dormindo no colo de seu pai

Parenting é um dos meus gêneros preferidos, não sabe o quanto adorei essa cena, por curta e efêmera que tenha sido ?

Ele diz que os acolheria como três aprendizes, e que esse seria um “pequeno preço a pagar”, e agora, precisavam apenas achar a Miyokichi. Simples assim. Doces sonhos.

Sabe qual história completamente não relacionada Rakugo Shinjuu me lembra? As lendas arturianas – especialmente a versão de As Brumas de Avalon, ignorando que essa série tem como protagonista a Morgana. A história, circunstâncias e motivações são completamente diferentes, mas enxergo em Kikuhiko, Miyokichi e Sukeroku o mesmo tipo de triângulo amoroso maduro e trágico de Artur, Guinevere e Lancelote. Nada a ver, mas o anime está acabando (na real já acabou né), mas se eu não falar agora quando eu vou falar?

Ele pega os dois abraçados, apesar de que já tinha ouvido tudo

Você acha que ele ficou escutando tudo do lado de fora? Eu acho que ele ficou escutando bastante do lado de fora.

Sim, ele diz com toda a franqueza que vai morrer, se matar junto com ela, por ela.

Essa decisão ele tomou ao pular, não é? Porque naquele momento já era impossível evitar. A varenda era feita de palito de picolé e iria quebrar a qualquer momento com o peso dos três nela. A única decisão que restava era se Kikuhiko cairia junto ou não. Sukeroku pulou, decidido a morrer, e ciente de que poderia confiar a Konatsu e o rakugo a Kikuhiko.

lambida na cara num adultério de dar inveja ao Dom Casmurro

Eu sou do time que não acredita que rolou adultério em Dom Casmurro ? Ao invés, minha comparação é aquela arturiana já citada mesmo.

Sukeroku literalmente não ligava para nada além da Miyokichi.

Não acho que seja isso. Acho que ele se importa tanto com ela quanto com a filha. Se fosse em qualquer outra situação, se não houvesse o Kikuhiko ali, duvido que ele tivesse feito essa escolha. Mas no Kikuhiko ele pode confiar, não só porque é seu irmão de criação e seu melhor amigo, não só porque cresceu com ele e o conhece como ninguém, mas porque viveu alguns dias (semanas?) com ele e a Konatsu e viu como os dois poderiam se dar bem, como o Kikuhiko poderia ser um bom “pai” para a Konatsu. Mas a Miyokichi, o que ela poderia fazer? Ela caiu, foi um acidente. Iria morrer sozinha? De um ponto de vista racional era o que deveria ter acontecido. Mas Sukeroku não teve essa frieza. E tem a cena anterior, quando ele está com a Konatsu dormindo no colo. Não tem como não perceber todo o amor que ele sente pela criança naquela cena. Até eu me senti amado ali.

“Sukeroku amava Miyokichi que amava Kikuhiko que não amava ninguém”

Eu acho que ele chegou a amar a Miyokichi sim. Talvez não amasse mais depois daqueles anos todos, mas a paixão reacendeu quando ela se agarrou a ele, e por isso ele lambeu as lágrimas dela, e por isso eles se beijaram.

O gesto de lamber o rosto dela, com suas lágrimas, é extremamente vulgar. Eu fiquei mesmo me perguntando de onde saiu aquilo

Isso reviveu minha tese de que os dois já haviam chegado às vias de fato nos anos em que passaram juntos, o anime apenas não mostra isso, e provavelmente nunca foi por iniciativa do Kikuhiko – mas que ele gostava, ele gostava. Seu rakugo disse isso, sua atitude nessa cena confirmou isso.

que eles iriam mudar todos juntos, e ele ia ensinar rakugo para todos

Definitivamente não foi o que eu entendi. Talvez nossos arquivos tenham legendas diferentes? No meu, ele diz claramente que ter os três morando com ele era melhor do que ter três aprendizes – ele nunca diz que pretende tê-los como aprendizes. Até porque não faz sentido: o Sukeroku não precisa de mestre e Konatsu e Miyokichi são mulheres, não podem se tornar contadoras de histórias. Claro que ele poderia ensinar dança e instrumentos musicais para elas, que ele havia aprendido de seus tempos de “gueixa” (e que foi a desculpa da Miyokichi para se aproximar dele), mas tomando o que ele diz ao pé da letra não me pareceu em momento algum que queria forçar a eles mais do que apenas morarem com ele. Ele fala de casa grande demais e de não querer inquilinos nem aprendizes só para não precisar ir direto ao ponto e pedir “por favor morem comigo”; daquela forma ficou parecendo mais como um “eu tenho espaço sobrando, vocês podem ficar com ele”. De todo modo, continua sendo um desejo egoísta porque não perguntou o que eles queriam em momento algum e ele de fato acabou aprendendo uma “lição”, como você conclui esse parágrafo.

 


 

E aí, o que acha desse tipo de artigo? Não deve se tornar muito comum de todo modo porque comentários gigantes não são comuns (e escrever em forma de artigo ainda dá um trabalho extra). Mas dependendo do retorno (inclusive e principalmente da Chell, autora do artigo original) vou decidir se escrevo mais artigos-comentário no futuro ou não, e que mudanças podem ser necessárias em relação a esse.

Lembre-se de ler e comentar no artigo original:

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 12 – O suicídio (duplo?) de Miyokichi e Sukeroku.