Futaba não tem mais maria-chiquinhas, mas não mudou nada

Enquanto o oitavo episódio foi bastante mediano, quase só para passar o tempo, ainda assim ele foi divertido e tocou em pontos importantes. Já o nono episódio se equipara aos melhores episódios do anime até agora e, particularmente para mim, ele tocou fundo.

Você vê, eu me identifico com a Futaba em vários aspectos. E agora a conheço um pouco melhor e me identifico mais ainda.

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Começar fazendo o dever de casa, né?

O que aprendemos sobre mergulho nos episódios 8 e 9?

Nada. Dessa vez nada mesmo. Os personagens nem chegaram perto de cogitar dar um mergulhozinho, ou nadar, ou qualquer atividade correlata. Nem falaram sobre o assunto em momento algum. Não que isso importe, porque …

Aviso: o Anime21 não é um blog sobre mergulho. Mesmo se fosse, isso não é algo que se aprenda na internet, procure ajuda profissional. Eu sequer sei nadar, então não acredite em mim, de verdade. Isso tudo é só curiosidade.

Sobre nadar eu não sei muita coisa, mas com o tempo aprendemos uma coisa ou duas sobre pessoas, não é? Nem sempre conseguimos explicar direito, e é bem o meu caso aqui. Não me peça para falar na “Teoria Geral do Ser Humano” porque esse não é o tipo de conhecimento de que estou falando. Tem a ver com analisar alguns sinais, quase sem pensar, e inferir algumas coisas. Eu faço muito isso com os personagens dos animes que assisto, e quando eles destoam demais de qualquer comportamento que me pareça razoável para a situação e isso não se enquadra sequer em um clichê de gênero costumo gritar “fogo na floresta!” e aponto as incongruências percebidas. É algo bastante instintivo. Agora que você conheceu algo novo sobre mim poderá julgar meus artigos melhor, não é?

Felizmente já se vão nove episódios e nunca cheguei nem perto de gritar “fogo na floresta!” em Amanchu. Pelo contrário, os personagens vêm constantemente atendendo as minhas expectativas. Um caso pequeno é o dos irmãos Ninomiya: embora a Ai trate o Makoto como saco de pancadas, eles vivem juntos, mergulham juntos, não há nenhum sinal de tensão entre eles nem nenhum sinal de medo do Makoto. Claro, é tudo uma piada, é clichê para o anime ficar mais engraçado, mas tem um pé na realidade. Obviamente não no nível apresentado no anime, mas é comum irmãos ou amigos íntimos se tratarem aos pontapés ou um deles tratar o outro a pontapés, sem que isso signifique um mísero sentimento ruim. Não vou especular demais sobre isso mas me parece algo que vem do nosso lado mais animalesco, e eu deixo as explicações específicas para quem entender melhor do assunto do que eu.

Violência sim mas sem nenhuma maldade

Violência sim mas sem nenhuma maldade

Se os irmãos Ninomiya tivessem problemas um com o outro, provavelmente a Ai não encostaria um dedo (da mão ou dos pés) no Makoto, jamais. É porque são próximos que ela se dá essa liberdade – e se um dia isso atingir um nível insuportável para o Makoto, pode até haver uma briga entre os dois mas tenho certeza que irão se entender logo e irão mudar seu comportamento depois. Eles são importantes assim um para o outro. Conforme o episódio oito mostrou, conforme eu esperava ver, eles se importam um com o outro. Eles tiveram uma oportunidade de se conhecer um pouco mais, assim como a Hikari teve oportunidade de conhecer um pouco mais a Futaba e eu tive a oportunidade de conhecer a todos um pouco mais.

Os irmãos Ninomiya aprenderam um pouco mais um sobre o outro

Os irmãos Ninomiya aprenderam um pouco mais um sobre o outro

Principalmente a Futaba. Principalmente no episódio nove. Eu sou um acumulador, como o Makoto com certeza é e como a Futaba demonstra sinais de ser. Eu também adoro fotos. Bom, não de tirar fotos, isso dá trabalho, mas as fotos que eu consigo e são importantes eu guardo, catalogo, armazeno de um jeito que eu espero que vá ser fácil para eu ter acesso depois. Quando eu comecei a ir a eventos de anime, câmeras digitais eram caras, poucas pessoas tinham, e celulares com câmeras praticamente não existiam ainda (lembre-se: eu sou velho). Nessa época eu usava a velha câmera analógica da minha mãe e gastava uma nota tirando dezenas de fotos nesses eventos. Hoje eu posso encontrar quantas fotos eu quiser depois na internet então não me importo tanto, só tiro uma foto ou outra que eu realmente queira, mas as memórias desses eventos até hoje estão armazenadas em minhas fotos reveladas em um grande álbum de eventos.

Nossa memória é falha, nosso cérebro funciona de uma forma que ela sempre irá nos enganar, então todos adotamos algumas tecnologias que nos permitem armazenar memórias externas ao nosso cérebro. Fotografia é uma delas. A preferida da Futaba, porque com com celular ela pode mantê-las sempre perto de si, e ele irá sempre lembrar-lhe de tudo, reativando suas memórias a cada foto aleatória que ele exibe. Mas memórias externas têm seus defeitos e entre eles está o de não ser infinita: esse foi o drama da Futaba, brilhantemente resolvido (adiado?) por seus novos amigos, por iniciativa de sua nova melhor amiga, Hikari.

A separação é bastante dolorida para pessoas introvertidas

A separação é bastante dolorida para pessoas introvertidas

Mas o que mais me liga à Futaba não é isso. É a timidez, a angústia social e o medo da solidão. E ela sofreu muito mais do que eu se as primeiras amigas que fez na vida foram no ginásio! Me espanta que ela não seja uma pessoa traumatizada para a vida e que precisa de tratamento psicológico. Mas tudo bem, acredito que isso, como as voadoras da Ai em Makoto, seja só um exagero, uma licença poética do anime. Eu nunca tive problemas para fazer amigos no primário, mas também nunca fui eu quem corri atrás de amigos e nunca tive círculos de amizades muito grandes. Eu acho que tive sorte. Que me faltou quando na sétima série mudei de escola e nada deu certo. Eu teria perdido aquele ano letivo se meus pais não tivessem descoberto e me matriculado de volta em minha escola anterior. Depois desse episódio que eu me tornei consciente da minha inabilidade social.

Eu queria poder dizer que a Futaba deveria mudar, tentar ser mais social, afinal ela não vai ter a Hikari para sempre e vai eventualmente precisar se entrosar sozinha, na faculdade, no emprego, onde for, mas que moral tenho para dizer isso? Do alto dos meus 33 anos, o dobro da idade da garota, e eu ainda não consigo fazer isso. Às vezes dou sorte e as pessoas se aproximam de mim. Às vezes não. Mas apesar da solidão ainda ser dolorosa, acredito que pelo menos aprendi a conviver com ela depois de tantos anos. Espero que a Futaba não precise disso, mas se precisar, é esse o conselho que eu posso deixar para ela e para qualquer um que hoje viva nessa situação: aprender a conviver com a solidão é mais fácil do que tentar desenvolver talentos sociais com os quais você simplesmente não nasceu.

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  1. Análise perfeita. Também encontrei na Futaba um espelho do que eu era no colegial. Mas, diferentemente dela, minha falta de aptidão social é extrema, então não guardo/guardei amizades e nem recordações daqueles malditos anos…Ah, e faço minha suas palavras no fechamento do texto. Aprender a domar a solidão e o isolamento social é fundamental (deve ser o mal da idade, já que também tenho 33…) . O anime se encaminha para um final agradável, que cumpriu o seu papel: apresentar a obra original e instigar a curiosidade pelo mangá! Agora é correr atrás dele na net …

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      No meu colegial eu tive sorte também. Fiz muitos amigos (alguns poucos com os quais tenho contato até hoje) e foram os anos mais felizes da minha vida, como colegiais devem ser, hehe. Mas depois disso já entrei em mais de uma faculdade e nunca dei a mesma sorte, é frustrante demais…

      E Amanchu tem sido lindo =)

      Obrigado pela visita e pelo comentário!

  2. Estes dois episódios foram daqueles que mais goste neste anime até agora, principalmente o episódio 9 que mostrou aquilo que eu desconfiava do passado da Futaba. O episódio 8 foi morno, como tu bem referiste serve para passar o tempo, acho bastante interessante a relação entre o irmão gémeos, a irmã com aquele jeito dela, e o Makoto com aquele jeito mais calmo, acho que eles se completam, e ambos se preocupam um com o outro à sua maneira. Aquela cena da carta de amor foi muito boa, eu pensava que ia sobrar para o mano Makoto, mas correu tudo bem. Agora vamos ao episódio 9, o melhor episódio de Amanchu até agora, como eu me identifico com algumas coisas que aconteceram à Futaba. Eu desde o inicio que estranhava o comportamento da Futaba, insegura, incapaz de ter relações sociais com as outras pessoas e este episódio 9 serviu perfeitamente para explicar os porquês desta situação. Eu pessoalmente nunca tive grandes capacidades sociais, nunca tive um grupo grande de amigos, neste quesito sempre fui muito selectivo com quem me dava, mas agora que estou um pouco mais velho, parece que cada vez mais tenho menos capacidade de socializar, por isso é bom domar bem a solidão, eu por este caminho quando for velho não me vou dar com ninguém. Aquele flashback da Futaba no primário foi triste, ela sempre se manteve afastada das outras crianças, sempre sozinha como se fosse apenas um pano de fundo, até que no fundamental finalmente encontrou duas pessoas a quem podia de chamar amigas foi muito tocante este flashback. Eu também gosto de tirar fotos a momentos que acho importantes, a nossa memória é falha e como tu bem referiste o nosso cérebro só nos prega partidas, por isso acho normal querer-mos guardar e preservar as nossas memórias por meios externos, como fotos ou desenhos. É triste e doloroso ter-mos que nos separar daqueles que nós mais estimamos, e a Futaba sentiu isso quando teve que se mudar de Tóquio para outra zona e teve que deixar as suas melhores amigas para trás, dai ela estar sempre a ver a caixa de mensagens no celular, sempre à espera de uma chamada das suas amigas de Tóquio. Gostei muito da cena em que a Futaba abre o presente da Pikari e dos outros foi um momento muito bonito, mais um pouco eu também chorava com a Futaba, ela finalmente encontrou um apoio naquele grupo de amigos, mas também não esquecendo daquelas que deixou para trás, aquela cena em que a Futaba recebe uma chamada de umas das amigas de Tóquio também foi muito bonita.
    Como sempre uma excelente matéria Fábio.

    • Fábio
      Fábio "Mexicano" Godoy

      O episódio do presente foi mesmo um dos pontos altos do anime, pena que no geral ele é bastante disperso, episódico demais, tão episódico que é episódico até dentro dos próprios episódios. Tem alguns desenvolvimentos muito legais e que dão muito o que pensar, como esse das fotos e do presente, mas tem algumas coisas que parecem apenas um monte de nada muito convencido de si mesmo. Não é ruim, continua sendo bem divertido para passar o tempo, mas o contraste é perturbador.

      Obrigado pela visita e pelo comentário =D

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