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O que leva alguém a escolher ser um monstro? A resposta provavelmente é a mesma que a da pergunta sobre o que leva uma pessoa a tomar qualquer decisão difícil. Ser um monstro por opção, em Tokyo Ghoul, é a decisão de fazer coisas que se sabe erradas por força de circunstâncias complicadas. Esse episódio foi bem melhor animado que o anterior e as lutas foram um pouco melhor coreografadas, embora em nenhum dos dois casos ele tenha sido assim muito exuberante. E o roteiro evoluiu um pouco. Mas só um pouco, continuo achando essa segunda temporada bastante fraca.


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E não sou só eu. O que não deixo de encontrar é fã descontente ou frustrado da série. Claro que nem todos pelos mesmos motivos, muitos realmente gostariam de ver Tokyo Ghoul virar um battle shounen convencional. Isso pelo menos eu estou feliz que ainda não tenha acontecido, embora falte muito pouco. Foram necessários dois episódios de combates generalizados e sem sentido (e mal executados) para que uma questão psicológica (e moral) fosse lançada. Desde os primeiros episódios da primeira temporada eu me interesso por Tokyo Ghoul por seus elementos psicológicos, os quais geram questões morais das quais o protagonista é o portador, catalisador ou destinatário. Nessa segunda temporada ele desapareceu no fim do primeiro episódio e ainda não sei o que o move. Por outro lado novos personagens foram apresentados, outros que já haviam aparecido na primeira temporada tiveram um pouco mais de exposição e os dois últimos episódios foram uma grande batalha com diversos combates localizados, mas tudo sem que eu soubesse porquê. Pior: as batalhas foram ruins e censuradas. Mas por que o anime escolheu esse caminho, ou melhor, por que Kaneki escolheu esse caminho?

Por que Kurona e Nashiro escolheram esse caminho? Por que Juzo escolheu esse caminho? Ainda que o caminho dele seja diferente na forma, acho que não resta dúvida nenhuma de que no conteúdo ele é muito mais monstruoso que qualquer meio-ghoul e a maioria dos ghouls que já tenham aparecido na série. Seu sadismo lembra um pouco o Mado, embora Juzo pareça mais perverso. E se até Mado tinha um motivo, é certeza que Juzo tem o seu motivo também – que certamente não o redimirá. Kuro e Shiro tiveram seus motivos também, e elas deixam claro que é algo “complicado”. Sei. Quero dizer, não duvido da complexidade da situação delas, mas essa resposta é tipicamente procrastinadora da parte da produção do anime. Ou estavam apenas sem tempo ou estão guardando isso para um arco de desenvolvimento dos três personagens. Bom, eu não me importo com nenhum deles, mas com um pouco de desenvolvimento já ficaram bem mais interessantes nesse episódio, então não sou totalmente contra essa rota.

Eu já sabia, contudo, que Kaneki havia decidido abraçar seu lado ghoul por algum motivo misterioso que estaria por ser revelado. Pelo primeiro episódio da temporada, dá a entender que ele talvez esteja buscando apenas proteger alguém (e “alguém” aqui só pode significar a Touka, as pessoas do Anteiku e talvez seu colega humano Nagachika; não é como se o Kaneki tivesse muitos amigos de todo modo). Apenas dizer que ele escolheu esse caminho tornaria esse arco redundante e desnecessário, e é um arco muito ruim, mas duvido que seja redundante. Enquanto Juzo, Kurona e Nashiro tomaram a decisão de se tornarem monstros, assim como o Kaneki, o protagonista nesse arco mostra que essa decisão não é sem consequências ou apenas com consequências previsíveis e administráveis.

Quando você toma uma decisão desse tipo não pode esperar por pouco. Claro, ele escolheu ser um monstro, estava pronto para matar pessoas e coisa e tal. Mas não é só isso. Ao tomar essa decisão, ao matar pessoas, Kaneki se expôs e se entregou a sua monstruosidade: não é como se ele sempre estivesse no controle, não é como se ele sempre pudesse decidir matar ou não. Quando ele ainda era humano, embora já fosse ghoul, ele escolheu salvar a vida de Amon. Agora, entregue ao seu lado mais sinistro ele já não é mais capaz sequer de tomar decisões: basta que as circunstâncias se apresentem e ele vira um canibal sanguinário idêntico aos ghouls que ele mais despreza. E não é outra pessoa senão o próprio Amon quem o tira desse transe, fazendo essa exata pergunta a ele: por que salvara-lhe a vida? Pergunta que mascarava outra pergunta que Amon evitou fazer agora: por que Kaneki virou um monstro?

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