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Esse foi o episódio mais broxante de Shimoneta até agora. Não é que tenha sido ruim, só não foi excitante como os outros. Eu estava pronto para mais uns vinte e tantos minutos de uma sessão única de prazer, e o que tive foi um pouco disso, um pouco daquilo, o começo não foi tão bom porque foi feito tantas vezes que já não sinto o mesmo tesão, e no final fui apresentado a uma garota nova que até é bacaninha, mas ainda não mostrou a que veio e o que sabe fazer. Talvez a culpa nem seja dela, é bem verdade, já que tive que dividir minha atenção entre ela e um cara esquisito que gosta de andar por aí só de calcinha. Oh, bem, às vezes episódios assim mais frios são necessários para apimentar as coisas mais adiante? Espero que seja o caso.

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Depois desse parágrafo introdutório confesso que admiro muito mais a Kajou. Não é fácil manter um fluxo constante de duplo sentido! Em todos os sentidos possíveis, porém, ela foi a mais irreconhecível nesse episódio. Eu entendo a necessidade de expandir um pouco o universo da história, afinal está-se falando de leis em nível nacional, não de regras que valham apenas para a escola, então suponho que isso estivesse faltando mesmo. Ponto positivo por terem se dado ao trabalho de criar e apresentar outros grupos subversivos pervertidos contra as leis moralistas, inclusive apontando que eles podem eventualmente se aliar quando seus objetivos específicos convergem, mas não são necessariamente todos iguais e podem até mesmo se tornar adversários.

Esse foi o enredo básico desse episódio: com o sucesso e a fama da SOX, vários indivíduos e grupos começaram a imitá-la e até mesmo a atribuir suas ações a ela – e isso é uma faca de dois gumes. Os lados positivos disso são óbvios, mas e quando grupos ou indivíduos pervertidos começam a atravessar algumas fronteiras que não deveriam ser violadas? Porque sim, a resposta para o título (pelo menos a minha resposta, não sei se o anime vai concordar comigo) é que deve haver um limite para as coisas. Como há em nossa sociedade, aliás. Podemos discutir quais devam ser esses limites, mas em um mundo sem nenhum limite para a perversão, só para começar, estupros seriam a norma. E ninguém poderia fazer nada contra: ué, não era sem limites? Eu usei um exemplo exagerado para deixar bem claro que devem haver limites e dar uma boa dica do que eles procuram proteger em primeiro lugar: o espaço pessoal, a intimidade, a vontade de cada pessoa. Escolhi o estupro como exemplo também porque é o que o próprio anime vem fazendo desde que a Anna enlouqueceu pelo Tanukichi. Mas tirando a presidente do conselho estudantil, o que está incomodando a Kajou são grupos que usam o nome da SOX para violar o espaço individual das pessoas para roubar roupas íntimas. Não se trata apenas de uma questão moral, mas de uma questão estratégica também: não é que seja apenas errado, é errado porque agride as pessoas, e pessoas agredidas guardam rancor e se viram contra seus agressores. E esses agressores estão anunciando agir em nome ou inspirados pela SOX. Viu, é tudo bem fácil de entender.

Sobre a garota nova não sei o que falar de útil, sério mesmo. Não acho que ela seja importante como indivíduo, que ela vá ter algum desenvolvimento (como aliás ninguém além da Kajou e do Tanukichi vem tendo; a Anna mudou de comportamento, mas por enquanto acho difícil dizer que ela tenha se desenvolvido). É apenas mais uma personagem com um fundo conveniente para ajudar o enredo a seguir adiante. No caso, já sabemos das ligações do pai dela com o Esquadrão de Moralidade. A importância dela terá a ver com isso, aposto.

Como o artigo ficou mais curto que os anteriores, vou aproveitar para falar algo que eu vinha pensando há tempos mas nunca escrevi porque não queria aumentar ainda mais os artigos: Shimoneta não é apenas um anime sobre a hipocrisia do moralismo na sociedade e especialmente contra leis moralistas. Ele critica o moralismo em várias formas, inclusive a mais insidiosa delas: aquele que aprendemos desde crianças, que internalizamos e achamos que é bom. Foi citado especificamente o caso de garotos que idealizam garotas. Que as imaginam puras, que as respeitam, etc e coisa e tal. Ora, ocorre que garotas não são nem mais nem menos puras que garotos. Ao projetar essa imagem em uma garota, está-se na verdade criando uma expectativa que, por falsa, estará condenada a uma hora se desfazer e terminar em frustração. E com frequência é a própria garota quem acaba sendo considerada culpada por essa frustração: como ela ousou não ser aquele anjo dos céus que o garoto “sabe” que todas as garotas são? Como isso vem revestido de um propósito aparentemente bom – respeitar as garotas, ninguém questiona muito isso e a vida segue, garotos se frustram por culpa de suas próprias expectativas irreais e as garotas acabam sofrendo uma condenação kafkiana. Esse é só o exemplo do anime (especificamente, do episódio 5, quando a Kajou diz literalmente: “A imagem idealizada de um garoto sobre o sexo oposto sempre desaba uma hora”), mas há muitos casos de moralismo em nosso cotidiano que são difíceis de perceber porque estamos já muito acostumados a eles (não confundir com moral ou moralidade – estou usando o termo “moralismo” aqui para me referir nesses artigos sempre ao uso indevido da moral como justificativa para algo). Talvez ao abordar o tema dos limites o anime esteja realmente querendo realçar a diferença entre moralidade e moralismo?

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