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Manter desenvolvimento sólido de 6 protagonistas por arco de dois episódios era impossível. Se já percebíamos sinais disso no último arco o nível de no fucks given pra certos personagens desse, foi assustador. Tipo, eu nem reclamaria tanto se fossem só o Coreia e o bonitinho, que é rival do siscon, mas caramba gente, até a dinâmica Yuri x Victor foi vastamente deixada de lado nesse arco (o Victor mal aparece no episódio 9) e a suposta dinâmica com o Yakov foi extremamente mal representada (se é que você pode chamar o que quer que tenha acontecido de “representada”, porque eles mal trocaram palavras), se tornando um imenso desperdício, de um ótimo momento, para desenvolver a individualidade do Yuri para com sua patinação. E agora eu pergunto a vocês: quem foi o verdadeiro rei do episódio? :v

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Infelizmente, ou felizmente, pra mim que tenho que falar menos coisas, esse arco foi muito menos capaz de desenvolver seus personagens que o anterior. De primeira mão, é apresentado ao espectador a promessa Coreana, Seung Gil lee, que basicamente não existe, sendo um personagem raso, cujo único traço marcante é ter uma imensa cara de “wathever” e saber dançar uma espécie de tango sensual no gelo. Seung foi sumariante ignorado pelos produtores recebendo incríveis 2 minutos de apresentação (20 segundos só com o Yurio indo até o rinque), nos mais de 40 que os dois episódios tiveram. Nesse tanto, conseguimos ver que Seung é um sujeito extremamente metódico, que consegue até mesmo calcular a pontuação que vai receber baseado em sua própria performance, o que faz com que ele se preocupe demais e desista sem dar seu melhor.

Sendo isso o que aconteceu quando ele viu a apresentação incrível de Michele, uma pessoa que ele pelo menos achou que não teria problemas em superar e que ele precisava ter superado pra ter qualquer chance de avançar no Grand prix (tendo sido ele o 4° colocado do primeiro dia, enquanto Michele fora o 5° e somente os 3 primeiros se qualificando, o mínimo que ele tinha que fazer era ir melhor que mikky e Michele para ter chances de desbancar Yuri).  A grande falha de Seung, derivou, portanto, de seu metodismo, bastou um pequeno imprevisto para que ele ficasse completamente desestabilizado e terminasse em último.

Em seguida, temos o Tcheco Emil Nikola. Apesar de ser um personagem bem mais amigável que Seung, sendo amigo de Mikky e Sala (que vamos convir, é basicamente a “garota dos contatinhos” do anime), pouco nos é de fato apresentado sobre Nikola. Com um tempo de apresentação quase tão ridículo quanto o de Seung, sua performance tinha enfoque no cyberpunk e em saltos quase sobre-humanos, o que convém com sua estamina, que é ainda mais absurda que a de Yuri. No fim das contas, seu grande papel na história se resumiu a introduzir a obsessão de Mikky por Sala.

Mas do que se trata essa dinâmica micky e Sala? Yuri!!! on ice, como membro das animações Nipônicas, possui um certo fraco para a temática do incesto, é por isso mesmo que após lidar com um stalker obcecado pela ex, lidar com um irmão obcecado pela irmã seria apenas um pequeno passo adiante. Dito é feito, toda a dinâmica por detrás de Micky é manejada por seu desesperado, porém não carnal, amor por Sala, em um anime onde amor é o tema central. O grande representante do amor Storge (o menos conhecido dos quatro grandes amores, sendo os remanescentes: Ágape, Eros e Filia), ou o amor fraternal que irmãos sentem um pelo outro, Micky sempre esteve ao lado de Sala e crescera com ele, seja de corpo, ou seja na patinação.

Normalmente, quando o sonhador percebe que a realidade ignora seus anseios, ele se desespera. Micky, porém, não se deixou abalar de forma tão esmagadora. O que aconteceu foi que a descoberta de que sua irmã não mais era alguém que dependia dele, fez com que Micky percebesse que já era hora de deixar Sala ser livre, ele então abandonou seus anseios e seu excessivo amor fraternal e percebeu que o verdadeiro amor para ele não estava em algo simples como possuir e cuidar permanentemente de sua irmã, mas sim de cuidar dela até que ela estivesse apta para se virar sozinha. A partir do momento que Sala se torna independente, a necessidade de amá-la deixa de existir e Micky a deixa ser livre. Se por um lado Yurio tem em seu amor por seu avô uma constante que lhe dá forças, o amor de Micky precisa de uma recíproca troca de forças, onde a necessidade de proteção de Sala o faz protegê-la e se tornar mais forte.

Agora, para o prato principal dos novos personagens, nós temos o rei, o incrível e inigualável Canadense, King J.J. Não precisam nem perguntar para mim, perguntem para as legiões de fãs e sua música tema feita por ele mesmo que grita com fervor o quanto ele é melhor que todo mundo. J.J é um poço absurdo de confiança e autoestima, uma pessoa que consegue sempre cumprir suas performances absurdas com um sorriso no rosto e sem jamais se render às adversidades, J.J dominou a copa Russa e provavelmente o coração dos telespectadores com um absoluto carisma e uma linguagem corporal que simplesmente é tão cara de pau quanto ele mesmo.

J.J como patinador tem o feito incrível de estar entre os melhores posicionados para o Grand Prix e é de longe um dos maiores favoritos ao prêmio. Yurio fez basicamente a melhor apresentação que conseguiria na copa Russa e mesmo assim ficou claramente atrás de J.J, seria necessário, francamente um milagre para que Yuri superasse J.J (tendo em vista que mesmo na copa Russa ele deixou bastante a desejar) e não apenas ele, como o próprio Chris, parecem rivais difíceis de se derrotar. Com seu orgulho imparável, J.J se alimenta de sua torcida e sempre faz o melhor para agradá-la, afinal, o amor para J.J não é algo que afeta somente ele, isso seria muito pouco para um rei, mas sim a satisfação dos fãs de patinação e de suas pessoas queridas, o peso de toda a felicidade do mundo é depositado por sobre as costas de J.J. (se isso é bom ou ruim, só o tempo dirá…)

O que dizer de Yurio? Depois de muito tempo, seu treinamento com a Prima ballerina mostrou resultados admiráveis, ele agora caminha para ser um perfeito e andrógino Dandy em suas apresentações – algo que Yuri vem fazendo com erotismo desde o início do anime – começando a demostrar com maestria, através de uma sutileza bruta em sua Ágape (ao ponto de que mesmo xingando Yuri, ele é capaz de fazê-lo com a maior pose e calma do mundo). Enquanto não deu certo na primeira parte de sua apresentação (pois estava tenso demais), o que ele demonstrou na segunda foi absolutamente estrondoso.

Perfeição técnica sem demonstrar sentimentos, isso sempre foi no que Yurio excedeu. O que acontecia, porém, era que Yurio, apesar de não transmitir seus sentimentos à plateia, sempre mostrava raiva em suas performances, pois como jovem, ele só queria seguir com o programa e acabar com a performance de uma vez. Seu programa final ser baseado, portanto, num conjunto intenso de saltos, todos sendo mantidos por uma séria e paciente fachada de bailarina profissional, não poderia ser mais acertado. O que importava no programa de Yurio não era transmitir seu amor para a plateia, mas transmitir toda a sua beleza, demonstrar a todos o quão gracioso e incrível ele é, ao invés de simplesmente um cara que consegue fazer saltos raivosos. Essa foi a surpresa que Yurio teve para a público, uma surpresa não quanto a seus sentimentos (como no caso do Eros de Yuri), mas uma forma diferente de expressa-los.

 

  1. O que dizer destes dois episódios, sinceramente gostei de os ver, a introdução de um certo personagem é que me deu ânimo de continuar a ver este anime. Começando pelo coreano, ele era apenas um figurante, um personagem indiferente em relação aos outros, a sua cara de não quero saber de nada, não me despertou a minha simpatia por ele. Isso e aquele rigor técnico dele, também eram muito chato, ele próprio se auto-destruiu com aquela perfeição toda, bastou fazer uma coisa mal, que a sua performance na competição foi por água abaixo.
    Agora em relação ao irmão Micki e Sala, nem tenho muito o que comentar, eu já faz um bom tempo que deixei de tentar perceber certas taras que os Japoneses têm com certos temas. Neste caso uma relação entre irmãos quase a beirar o incesto e é aqui que não percebo o porquê de tal coisa estar num anime de desporto. Acredito que o Micki não tivesse aquele tipo de impulsos impróprios com a sua irmã, mas aquela dependência dele por ela e aquela mania de a tentar proteger, eram anormais, tanto que a própria Sala dizia ao Micki para este a deixar livre, já que os dois estavam a entrar numa situação insustentável. Tal hábito do Micki querer proteger a sua irmã Sala se continuasse, poderia deixa-lo demente e paranóico, ainda bem que ele percebeu que uma situação dessas era insustentável.
    Agora falando do meu personagem preferido do anime, o rei JJ, como não gostar deste personagem, que atrai todos à sua volta com a sua auto-estima e excesso de confiança nas suas habilidades como patinador. Ele é contagiante, a sua maneira de se expressar, a forma como ele trás um espírito de felicidade paras as massas que o vêem, a forma como ele patina, com a música que ele próprio escreveu, dão um ritmo muito bom à sua coreografia. Ele é de longe o melhor patinador daquele grupo, mas também ser tão auto-confiante também, pode afastar as pessoas dele, como por exemplo o Yurio que não suporta ouvir o nome dele, ou então os outros participantes do campeonato, que quando o JJ entra eles saem. Já para não falar que o JJ tem uma namorada linda, ele é o único daquele anime a ter uma namorada).
    Como sempre um excelente artigo Iwan.

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