Lelouch é tão inteligente, um mestre enxadrista tão incrível que ele acho que poderia derrotar duas vezes um mesmo adversário com exatamente os mesmos movimentos. Lelouch, eu só sei mexer as peças, esqueça o “mestre”, sequer “enxadrista” eu sou, e nem mesmo eu você conseguiria vencer assim!

Ok, venceria sim. Mas eu evitaria com sucesso a primeira jogada matadora com a qual fui derrotado na partida anterior. Imagine só! Eu, um leigo que só sabe mexer as peças (e nem isso sei direito, não me pergunte como funciona o roque que eu não faço a menor ideia), sou capaz de evitar ser derrotado por Garry Kasparov caso ele jogue duas vezes da mesma forma. Lógico que assim que passasse o ponto onde ele me venceu na partida anterior ele me derrotaria de novo sem a menor sombra de dúvida e em poucas rodadas, provavelmente. Mas não fui eu quem o Lelouch enfrentou.

Foi a Cornelia. Uma guerreira nata, ao contrário do seu irmão artista (tudo o que sabe-se de Clovis é que pintava quadros). Clovis invadiu Shinjuku de forma desesperada após cometer uma primeira burrice: permitir que a C.C. fosse sequestrada de um laboratório secreto que, em última instância, estava sob sua proteção. Ele apenas confiou em números e poder superior e ordenou um ataque total e desorganizado. Cornelia apenas emulou as condições iniciais do combate de Shinjuku em Saitama e ficou contando cadáveres até Zero aparecer. E ele apareceu. E adotou, sem tirar nem por, mesmo já sabendo que era uma armadilha, a mesma estratégia de antes. Por que ele achou que daria certo?

Mesmo se os rebeldes não tivessem se revoltado contra as ordens suicidas de Lelouch e … bem … preferido se suicidade de outra forma, creio (ou eles achavam que sobreviveriam? não pode ser…), enfim, mesmo sem a deserção de seu exército improvisado, uma hora o último deles seria morto e aí a Cornelia procederia à mesma tática que ela adotou, porque ela era óbvia. C.C. salvou a pele do Lelouch – pela segunda vez. Lelouch deveria ser inteligente, Code Geass o construiu como um personagem especialmente inteligente, ele não deveria ter caído em uma armadilha tão óbvia. Que pena que tenham escolhido uma maneira tão pobre de fazê-lo perceber sua impotência apesar do Geass e assim decidir dar o próximo passo em seu plano.

Cornelia destruindo o “gênio” Lelouch com facilidade

Enquanto a Cornelia está em primeiro plano – e nos campos de batalha – Euphemia parece estar responsável pelo trabalho burocrático. Basicamente fora da história por enquanto, o anime apenas a mostra para não nos esquecermos que ela existe. Faz sentido. Criadores que esperam que sua audiência ache o Lelouch inteligente não devem acreditar que ela seja capaz de ter memória de longo prazo. Sarcasmo à parte, é sempre bom dar uma olhada na Euphemia para especular sobre seu papel na trama. Continuo achando que ela está em rota direta para a tragédia. Na verdade agora acho até um pouco mais do que antes.

A menina do cabelo laranja gosta do Lelouch e não faz segredo disso pra ninguém. Está convencida que ele e a Karen estão tendo um caso (e fica complicado convencê-la do contrário quando a Karen talvez realmente tenha começado a desenvolver algum sentimento pelo Lelouch e, de todo modo, é muito ruim para lidar com outras pessoas e negar de forma convincente as dúvidas da outra) e Suzaku a encontrou na sala do Conselho Estudantil com o rosto manchado de lágrimas por causa disso. O Suzaku quer ser útil para todo mundo e acaba sendo só um intrometido às vezes, mas a queda deles no final … ai Code Geass, vai tentar forçar casal é? Enfim, o importante disso é que torna a Euphemia mais substituível para o Suzaku. Considerando que o anime está só no começo ainda, isso é importante.

Ah não, pra que isso…

E tem a Cornelia nessa equação também. Por poderosa que ela seja não deve durar as duas temporadas inteiras do anime. Não se continuar sendo a principal antagonista do Zero. Porque o Lelouch não vai ser derrotado tão cedo e, bem, se ela também não for, o anime ficará empatado por quanto tempo? Será derrotada – morta ou não – e sairá de cena. A Euphemia se tornará a governante do Japão, a única, não mais dividindo o poder – e o tempo em tela – com sua irmã guerreira. É aí que seu destino estará selado.

Quanto exercício de futurologia aqui, hein? Desculpa. É que esse episódio pode não ter sido ruim (minhas definições de “ruim” foram atualizadas após o episódio anterior e sua infame caça ao gato) mas não teve absolutamente nada muito interessante também. O que poderia ter sido divertido – o primeiro embate entre Cornelia e Zero, foi bem chato por ter sido só uma imitação pobre do que foi o combate contra Clovis. Naquele caso houve suspense, emoção, tensão, agora houve apenas a sensação constante de que o Lelouch estava sendo muito estúpido. A única coisa que foi legal mesmo foi ver a C.C. fazendo cosplay de Zero pra salvar a pele do Lelouch e depois jogando na cara dele quão burro ele era. Se existe uma coisa no mundo com a qual a C.C. se importa, essa coisa é pizza.

Bom, é, não é? A Pizza Hut deve ter ajudado um bocado a pagar as contas dessa temporada do anime. Mas isso não importa. Se existem duas coisas com as quais a C.C. se importa elas são pizza e o contrato que tem com Lelouch. Em algum momento ele terá que atender um “pedido” dela. E por causa da cena em que ela partiu para salvar o Lelouch, acho que a C.C. tem dupla personalidade, o que no caso de alguém com poderes místicos pode ser coisas muito mais interessantes, como realmente ser mais de uma existência compartilhando um mesmo corpo ou alguma forma de comunicação com mortos (ou com vivos) ou sei lá eu. Bom, acho que para conhecer a C.C. um pouco melhor esse episódio valeu a pena, ainda que não tenha revelado muita coisa de verdade.

E teve também a cena absolutamente constrangedora do Lelouch, ainda criança, confrontando o próprio pai e imperador. Serviu para ver como o Lelouch é muito parecido com o pai, no sentido de que os dois parecem estar irritados o tempo todo e não ligam muito para o que os outros pensam. Tal pai tal filho. Mas o mais importante ali foi descobrir que a mãe dele, Marianne, não morreu no Japão. Poxa, eu juro que tinha entendido que eles j viviam no Japão quando aquele atentado aconteceu. Mas na verdade ele e a irmã foram enviados para lá depois em algum tipo de arranjo político que ainda não consegui decifrar e que ou deu muito certo ou deu muito errado, porque veja só o resultado. E acho que agora já esgotei tudo o que dava para aproveitar desse episódio, até semana que vem!

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