No fim era só um homem normal. Tanta teorização sobre a verdadeira identidade do pai de Jean e no fim ele era só um sujeito pobre que conquistou o coração da princesa, dando a ela o nome Otus. Longe de mim reclamar disso, aliás, acho bem justo, afinal, não havia obrigações para a princesa se casar com alguém específico. Ela e seu servo (que totalmente nem é o Grossular, imagina) seguiram caminhos separados, ele subindo os postos da ACCA e ela tentando viver a vida de plebeia que sempre sonhou, cada um buscando um limite para seu próprio crescimento.

No fim tudo foi bem mais simples do que poderia ter sido. O Rei, preocupado com a felicidade de sua filha favorita, decidiu que seria pertinente realizar seu maior desejo: agir como uma pessoa normal. Aliás, melhor dizendo, em ser uma pessoa normal na íntegra, comendo comidas normais (ainda mais se essa comida for o pão de forma de Badon, que por qualquer razão é aparentemente muito melhor do que qualquer coisa que os nobres comem) e com uma vida normal longe do castelo e do estilo de vida alienante e de perfeição completamente acima de qualquer questionamento, que ela era forçada a partilhar com seu pai.

Aliás, pai esse que realmente deu o que falar. Se antes o Rei parecia um tolo que cegamente obedecia tudo que seu fiel ministro pleiteava como mal necessário para o bem do pais, na atualidade ele simplesmente se comprovou como uma total marionete sem vontade própria nenhuma. Não foi preciso mais do que a princesa passar a se interessar em filosofias e políticas para que o ministro julgasse que ela formaria uma sombra pela história atual do governo de Dowa (o que quer que isso signifique). Um deslize e, por mais que mascarasse boas intenções, foi o suficiente para que ele fosse facilmente compelido a exilar e banir sua filha da família real para que tentasse a sorte. Ele claramente assina embaixo de qualquer mudança que o vice dele possa vir a pleitear, por mais sem sentido que pareça ser.

Juntando o útil ao agradável,  nosso pequeno totalmente não Grossular, que claramente nutria sentimentos pela princesa e só queria vê-la feliz, foi outro que teve os limites de sua lealdade testados. Ele receberia a missão de preparar a vida nova que a Princesa teria quando abandonasse seus laços reais, mas também teria de respeitar seu livre arbítrio a deixando de lado para nunca mais voltar a vê-la. Um contrato cruel que o jovem mordomo assinou sem a menor dificuldade. Era melhor ser o servo da Princesa até o fim do que simplesmente ver alguém tão importante para ele presa e infeliz pelo resto de seus dias.

Não havia como ele negar a missão, mesmo sabendo que era uma estupidez que o ministro bolou para afastar a Princesa das camadas altas da nobreza, afinal de contas, independentemente do que ele fizesse, a Princesa estava com seu destino selado, era melhor ele pelo menos saber que ela estaria sendo guiada em segurança para Badon, ao invés de ser vítima de um possível ataque na metade do caminho (não que ela não tenha sido vítima de um ataque de qualquer jeito, inclusive morreu nele, mas enfim…)

Como se não bastasse isso, chegamos ao ponto em que os limites do próprio Nino, uma criança na época, foram testados. Ele teve que fazer a escolha de permanentemente abandonar sua vida para que pudesse acompanhar seu pai na missão insana que Grossular lhe deu de sempre seguir os passos da Princesa de perto, para que, mesmo que ela nunca pudesse saber, ele estivesse sempre cuidando dela e a ajudando, como um servo incrível como ele deveria ser capaz de fazer. O egoísmo da Princesa pelo prazer de testar o limite de sua liberdade, levou o egoísmo do ministro em aumentar sua enorme influência a decidir que a melhor forma de se livrar dela seria a enviando para a plebe. Enquanto isso, o egoísmo  de Grossular pela segurança da Princesa fez com que ele sempre precisasse de informações a seu respeito, o que lhe fez testar os limites da amizade do pai de Nino e os limites dos laços paternos que ele tinha com seu filho.

 

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