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Está um frio danado aqui em São Paulo essa semana. Também pudera: o outono está começando, e com ele os dias começam a ficar mais curtos e os ventos polares deslocam os ventos tropicais. Aqui é o hemisfério austral, então meus ventos polares são naturalmente ventos do sul (não exatamente, por conta de outras questões geográficas, mas é do sul que eles vêm originalmente). No hemisfério boreal, gelado é o vento norte. E não é surpresa nenhuma que a ficção produzida por autores do hemisfério norte também associe o frio ao norte, mesmo quando a história se passa em um mundo completamente diferente, como é o caso de Zestiria.

Mas o avanço dos heróis em sua jornada em direção ao norte não foi a única coisa que gelou a alma nesse episódio.

Em que pese todos os defeitos, a morte de Dezel conseguiu emocionar sim. Ele era o mais distante, misterioso e “violento”, por assim dizer, dos serafins principais do anime, e o único que entrou no elenco principal não através do protagonista Sorey, mas acompanhando uma das principais e mais carismáticas coadjuvantes do anime: Rose. Moralmente questionável, como a garota a quem ele vigiava, protegia, e guiava em segredo, ele revelou em seu derradeiro episódio não ser dos mais velhos entre os serafins quando, em conversa com o Zaveid, disse que ainda era um “chifre-verde”. Não faço ideia do que chifre-verde queira dizer, deve ser uma gíria de serafins, mas dá para entender pelo contexto que Dezel pedia desculpas sarcásticas por não ser tão velho quando seu interlocutor.

Talvez sua impulsividade fosse característica de sua “juventude”? Mais do que todos os demais serafins ali, Dezel tem muitas certezas e poucas dúvidas. Aliás, em sua conversa com Zaveid comentava justamente sobre ter começado a ter algumas dúvidas. Características típicas da juventude. Como só um jovem é capaz, ele sempre se dedicou profundamente a tudo aquilo em que acreditou. Nesse aspecto, ele é muito parecido com o próprio pastor, e também com a princesa Alisha e, claro, a sua Rose. Eu já o descrevi como um substituto para uma figura paterna para a Rose, mas acho que nunca foi isso. Ele seguia Brad porque acreditava nele, assim como Rose seguiria seu pai adotivo depois. Dezel se apegou a Rose como o irmão que se apega a irmã, sua única família, após a morte do pai. Acho que Dezel via Rose como sua irmã. Uma irmãzinha mais nova, mas não muito mais nova (já que humanos amadurecem mais rápido, suponho).

Acreditando que estava certo (e talvez estivesse mesmo), partiu para o auto-sacrifício. Poderia Sorey ter purificado todos aqueles dragões para ir atrás do Lorde da Calamidade? Talvez ele pudesse purificar todos os dragões. Mas a tempo? E sem que Rose e Alisha morressem? Elas ficaram dias desmaiadas após purificar um único dragão. Mesmo que estejam mais fortes agora, seria suficiente? Rose já estava enfraquecida desde a luta anterior. Dezel, no fim, partiu com Rose. Acredito que ele não precisava de Rose, mas a levou para poder se despedir apropriadamente. A garota bem que tentou até o fim se fazer de durona, mas não conseguiu esconder as lágrimas ainda na frente de Dezel. E nem se esforçou muito para evitar cair em prantos quando ele não estava mais lá.

Foi emocionante sim. Foi um vento gelado perfurante direto no coração de Rose. Mas não foi sem seus defeitos. Para começar, acredito que a cena de despedida foi longa demais, e a Rose manteve a compostura por tempo demais – para perdê-la muito rápido no final. O tempo dramático saiu prejudicado e uma cena que poderia ter sido muito mais pungente acabou se esticando demais e perdendo um pouco de sua potência. Isso é agravado pelo fato de que a morte do Dezel já era previsível. E não era desde que ele partiu para enfrentar os dragões não! Também não me refiro ao início do episódio quando ele demonstrou fraqueza, ou pediu a arma para Zaveid, ou quando foi revelado que a Rose estava pior do que parecia. A morte de Dezel era previsível desde o episódio anterior, quando após a primeira morte relevante (mais ou menos) de Zestiria, a de Lunarre, anunciou-se o título desse episódio: Torne-se o Vento.

Outros pontos fracos desse episódio foram as cenas deslocadas, desnecessárias, que não acrescentaram nada. Ainda que eu fique feliz que os restos mortais de Lunarre tenham sido respeitados e ele tenha tido um funeral adequado, de que serviram suas cenas? Foram curtas demais para qualquer investimento emocional de todo modo, e nem faria sentido a princesa Alisha ficar especialmente pesarosa com a morte de alguém que apenas a atormentou desde que ela o conheceu – tentou matá-la em seu primeiro encontro, ainda no episódio zero da primeira temporada! Não haviam vestígios de batalha, ou de que ele tivesse tentado de qualquer forma contribuir na luta contra o Lorde da Calamidade. Apenas acharam o cadáver dele na neve e, por tudo o que a Alisha sabe, ele bem poderia tê-la seguido tramando alguma coisa nova contra ela. Ora, por tudo o que eu sei acredito que ele a seguiu apenas para tramar algo contra ela. Apenas mudou de ideia no final, e por isso eu teci uma elegia em sua homenagem no artigo do episódio anterior. Mas nesse episódio ele não precisava estar.

Para encerrar, achei bastante inútil também a introdução de uma nova normin. Em que ela contribuiu? Principalmente considerando que bem, os normins ficaram todos para trás a partir exatamente daquele ponto? Tudo o que ela fez foi dizer para a tropa de Sorey onde se abrigar, mas não é como se eles não fossem capazes de encontrar abrigo sozinhos. Ah, ela prestou manutenção àquele belo edifício envidraçado por anos e séculos depois dos humanos partirem! Sem ela o lugar estaria em ruínas! Provavelmente é verdade. E não seria a primeira vez que Sorey, Alisha e companhia acampam em ruínas ou templos há muito abandonados. Tenho certeza que eles teriam se virado muito bem. Mas enfim, foi um bom episódio, não foi o melhor possível mas foi muito bom. Até qualquer dia desses, Dezel!

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