Bom dia!

E bem-vindo ao Café com Anime! O projeto no qual eu, o Diego do É Só Um DesenhoGato de Ulthar do Dissidência Pop, e o Vinícius Marino do Finisgeekis conversamos sobre os episódios de alguns animes e publicamos artigos transcrevendo nossos bate-papos.

Nessa temporada, o Dissidência Pop está publicando nossos bate-papos sobre Mahou Shoujo Site, o Finisgeekis continua publicando os bate-papos de Sakura Cardcaptor: Clear Card, o É Só Um Desenho publica os bate-papos de Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online e Legend of The Galactic Heroes: Die Neue These, e o Anime21 publica os bate-papos de Hisone to Masotan!

Veja a seguir o que achamos sobre o episódio 5!

Fábio "Mexicano":
O que fazer com quatro garotas que não conseguiriam viver sozinhas em sociedade? Jogue-as em uma ilha deserta para ver se conseguem sobreviver na natureza! Bom, tenho certeza que não é essa a intenção desse teste-treinamento, mas o paralelo é muito bom para não ser sequer mencionado. O que acharam desse episódio?
Vinícius Marino:
Essa cena.

Eu morri com essa cena.

10/10. Melhor anime do ano.

Sério, precisamos discutir mais? Ela foi tão boa que apareceu duas vezes!

Diego:
HisoMaso é uma ótima fonte de prints fora de contexto 😃

Sobre o episódio, foi talvez o melhor até aqui. E a história está tomando um rumo ligeiramente sinistro, não? o.O Aparentemente alguma coisa vai acontecer quando as quatro garotas aceitarem plenamente seus OTFs, e eu francamente me pergunto se será uma coisa boa ou não.

Fábio "Mexicano":
Eu fiquei com essa impressão também! O anime sugeriu, de forma não muito velada, que as pilotas de dragão são como mikos, sacerdotisas. Até aí, vá lá, mas só isso não justifica a necessidade de mantê-las no escuro o tempo todo. É difícil imaginar um anime com o clima e a arte de Hisone to Masotan tendo uma reviravolta sinistra, mas é um pouco menos difícil considerando a Mari Okada. Se existe alguém que poderia escrever uma história assim, essa pessoa é ela. No mínimo, o paralelo com mikos definitivamente explica porque o Masotan deixou de aceitar a Moriyama: mikos precisam ser virgens.
Diego:
Acho que foi mais porque a Moriyama aprendeu a amar a si mesma.
Fábio "Mexicano":
Tem essa hipótese também, mas a achei um pouco triste. Depois que elas estiverem de bem consigo mesmas não poderão mais pilotar seus dragões, com quem criaram um forte vínculo emocional?
Vinícius Marino:
Vocês já assistiram ao filme Inside Out (Divetidamente)? Ele se passa dentro da mente de uma garotinha. Em dado momento, somos apresentados a Bong Bong, um amigo imaginário que a protagonista criou na primeira infância. Ele ajuda as heroínas a cumprir seu objetivo, mas acaba tendo de se sacrificar, jogando-se nos penhascos do esquecimento. A cena é uma metáfora das nossas relações com nossas fantasias. Elas nos ajudam a crescer, mas precisamos “mata-las” para virar adultos.

Eu acho que os dragões são coisa parecida. Aliás, tenho certeza. Eis o “rito de passagem”, Mari Okada em toda a sua pompa e glória.

Fábio "Mexicano":
Ok, já sei como e porque vou chorar no final então…
Vinícius Marino:
Se você parar para pensar, é também a mensagem de seu grande sucesso, Anohana. Para escapar da bolha em que se encontram, Jintan e seus amigos precisam enterrar a Menma.

Ou, como escreveu Haruki Murakami em seu belíssimo Norwegian Wood: “Os mortos serão mortos para sempre, mas nós precisamos continuar a viver”

Gato de Ulthar:
Foi levantada aqui a hipótese de que quando elas estiverem bem consigo mesmas não poderão mais pilotar os dragões. Já vi um conceito similar em outro lugar, mais especificamente em As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis. Em resumo, as crianças, nos vários contos, só podem visitar Nárnia enquanto possuem pendências emocionais, no momento que se tornam de “bem” consigo mesmas a possibilidade de visitar Nárnia se perde totalmente, é um rito de passagem bem drástico.

De uma forma mais velada, vi isso em Digimon também. Em Digimon Adventures, no final da aventura, quando as crianças deixam o Digimundo, deixaram para trás todos os seus problemas emocionais e sociais.

Diego:
Ai vem Adventure 02 e meio que joga isso pela janela 😛 Mas de fato, é um “trope” comum. De certa forma, estamos falando do retorno ao “status quo” após o protagonista passar pela mudança que precisa passar.
Gato de Ulthar:
Bom, estou considerando só o clássico mesmo!
Fábio "Mexicano":
Mas não acredito que exista um ministro japonês dedicado a usar dragões como psicólogos para melhorar a vida de meia dúzia de garotas, então os motivos do governo em si continuam um pouco obscuros. Algum chute?
Vinícius Marino:
De fato, quem dera o número de pessoas que não acreditassem em si mesmas fosse apenas meia dúzia…

Eu acho que as cartas já foram reveladas: a razão de ser do projeto OTF é esconder os bichões. O problema é que eles parecem cumprir uma função mística-educativa-terapêutica para além dos dentões e da capacidade de voar. O que é meio condizente com a aparição de monstros fantásticos em várias lendas antigas. Em muitos casos, eles são instrumentos para o crescimento dos heróis, ou mesmo reflexos de sua personalidade naquele momento em questão.

Destaco aqui um quadrinho ocidental que curti muito, Eu Mato Gigantes (que acaba de virar filme). A história acompanha uma menina que se vê como guerreira responsável por proteger sua cidade de titãs. Não demora muito, no entanto, para percebermos que tudo é uma fantasia. A garota está enfrentando um trauma pesadíssimo e inventou uma realidade paralela como tentativa de lutar contra os próprios demônios.

Evidentemente, não acho que os OTFs simplesmente deixarão de existir. Mas vejo uma moral similar: pessoas saudáveis, de bem consigo próprias, não precisam de dragões para tocar sua vida.

Gato de Ulthar:
Falando justamente disso, me lembro de ter sido comentado nesse episódio que os dragões estavam recobrando as memórias um do outro, isso enquanto brincavam na água. Penso que eles aceitam as garotas até esse “ciclo” de experimentações se completar ou algo do gênero.
Diego:
Vou dizer que independente da vontade dos dragões, eu não realmente confio nesses militares 😛 Sei lá, esse tal “festival” ainda me soa como um plano ligeiramente sinistro. Não fosse não teria porquê esconder, não é?
Fábio "Mexicano":
É um coming of age. Se eles metaforicamente estiverem ocupando o papel de pais das garotas, faz sentido agir em segredo. Pais sempre “sabem o que é melhor” para seus filhos. O que não quer dizer que não possam estar planejando uma grande bobagem. E li no reddit que “festival” é uma tradução ruim, vou buscar lá a explicação porque nem lembro.
Diego:
Eu li a mesma explicação. O sentido real da palavra seria algo que mescla política e religião, algo nessa linha. Mas vou esperar você buscar porque eu estou com preguiça 😛
Fábio "Mexicano":
A palavra em questão é “matsurigoto”. Matsuri é festival, um tipo específico de festival em sua origem: uma espécie de festival de colheita xintoísta, simplificando bastante. Matsurigoto é uma palavra antiga que era usada para se referir tanto à adoração religiosa em si quanto ao governo. É uma palavra que carrega em sua etimologia o antigo vínculo entre religião e política.

Trazer isso para o anime serve a esse propósito também, eu penso. Afinal, as Forças de Auto-Defesa do Japão são um órgão governamental, mas a associação do anime entre as pilotas e mikos, sacerdotisas xintoístas, estão cada vez mais óbvias.

E sobre essa questão do governo, militares, metáforas religiosas, vocês acham que vai realmente impactar na história ou é só uma forma de contar o coming of age dessas garotas, ou só um cenário, enfim? O que acham dessa temática toda, no fim das contas?

Diego:
Até aqui vem sendo só cenário, francamente.
Gato de Ulthar:
Creio que vai impactar até certo ponto. Seria leviandade do roteiro não levar em consideração todo esse mistério levantado em torno desse “teste” final.
Vinícius Marino:
Hisomaso me parece uma história sobre pessoas mais do que um anime de enredo. A lore é pincelada apenas para dar cor às suas estrepolias é contextualizar seus elementos mais intrigantes. Lembrem -se de que esse é o anime que nos apresentou os dragões como uma história num picture book enquanto a Hisone estava acamada. Não espero nenhuma deferência maior às minúcias de seu universo. E quer saber? Graças a Deus. A história que temos é muito melhor que um conluio conspiratorio sobre dragões, governos e religiões ocultas.
Fábio "Mexicano":
Full character-driven, é isso aí. Até combina mais com a Mari Okada.

Para encerrar, o que esperam para o próximo episódio?

Gato de Ulthar:
Que elas saiam da ilha com seus dragões? :thinking:
Fábio "Mexicano":
Mas já? Tô com a impressão que esse arco ainda vai durar, hein
Gato de Ulthar:
Fora isso, queria mais interações bem humoradas e momentos dramáticos bem construídos. Tudo que o anime vem apresentando até agora.
Diego:
Eu também acho que devem sair no próximo ep, ou então, no mais tardar, no seguinte. Pra um anime de 12 episódios, um arco de 2 já é bastante substancial.
Vinícius Marino:
Ecoo aqui o Gato e o Diego. Quero ver novas aventuras em outros cenários. Hisomaso se destacou até agora pelo seu andamento ágil. Não acho que um arco prolongado na ilha poria isso abaixo, mas creio que uma mudança de ares faria bem às garotas e seu desenvolvimento.

De resto, quero outra experiência singela como a que tivemos até agora. Hisomaso é uma delícia de assistir, um daqueles animes que me fazem orgulhoso de ser otaku.

Fábio "Mexicano":
Vocês acham que acaba mesmo no próximo episódio? Bom, talvez. Com certeza acaba a frescura da Hoshino, mas ainda acho que o ambiente isolado da ilha é útil para mais algum desenvolvimento de personagem à força, então talvez continuem por lá. Por um lado é bom porque nos livramos um pouco dos homens cafajestes da base, mas por outro é ruim porque a Nao não está lá.

E ficamos por aqui, até semana que vem, com o próximo episódio!

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