Sim, em uma história pautada pela ficção científica eis que surge um mago que muda a configuração de uma guerra interminável, só que esse mago nada mais é que um cara normal. Um gênio sim, mas não o tipo de ser humano inflexivelmente brilhante em todas as área, mas aquele que brilha quando se faz mais necessário. Ele não é um herói, mas um mago em uma história realisticamente excelente.

Para tomar uma fortaleza considerada impenetrável e com um contingente militar superior o avanço direto seria suicídio, então infiltrar soldados lá dentro foi uma aposta arriscada, mas inteligente. Isso se deveu principalmente ao fato do Yang Wen-li saber como costuma pensar uma autoridade militar do Império, o que foi imprescindível para o sucesso desse plano. Se tivessem ouvido o Oberstein não teriam perdido a fortaleza de uma forma tão vergonhosa – sequer houveram baixas na parte inimiga.

Posição peculiar para comandar uma operação tão importante.

Outra aposta arriscada, mas acertada, do protagonista foi confiar a operação de infiltração a alguém que poderia muito bem ter traído a Aliança, o que provavelmente daria fim a 13ª frota. Ele ganhou a confiança do Schönkopf com sinceridade e inteligência, mas principalmente por demonstrar que nele depositava confiança, além de lutar por uma causa apreciável usando métodos bastante razoáveis. Não matar sem motivo foi a prova de uma das muitas qualidades de Yang Wen-li – o respeito à vida.

Ele executou todo um plano relativamente simples, porém genial, contando com fatores os quais ele não podia controlar e dependendo do auxílio direto de terceiros para ajustá-lo – eu não esperava que o Schönkopf desse a ideia do gás, por exemplo –, tornando toda a situação bastante crível apesar de bem-sucedida em praticamente todos os aspectos. Na verdade, a cena em que eles quase são barrados antes de avançar até o comando tornou tudo ainda mais palpável porque é o tipo de coisa que realmente acontece nesse tipo de situação, mas foi remediável dada a burrice do comando.

Não poderia concordar mais com ele.

Não posso deixar de comentar a boa cena de ação em que o comandante do outro lado é feito refém e como toda essa situação progrediu de forma satisfatória narrativamente falando. Quanto aos quesitos técnicos nada tenho a pontuar sobre o anime além de que o Production I.G. vem fazendo um ótimo trabalho. Creio que também é digno de nota o aprofundamento que buscaram dar ao Schönkopf, algo coerente para que entendêssemos por que ele desertou para a Aliança e por que não desertaria de volta. Ele foi uma vítima da ganância de outro nobre e ainda muito pequeno foi para a Aliança com o avô, o que o afastou de qualquer significativa identificação para com a ideologia pregada pelo Império ou de um nacionalismo exacerbado – esse mais próximo da coação pelo medo.

Esse episódio reforçou as qualidades do protagonista, as quais são a sua magia: inteligência e bom-senso, sinceridade e ousadia. Ele não é um gênio brilhante que manipula os recursos disponíveis como peças de xadrez em um tabuleiro, mas sim um estrategista extremamente humano e que sabe lidar com as diversas variáveis inevitáveis para a realização de seus objetivos sem deixar de mostrar que tem fraquezas, que não tem um deus ex machina capaz de virar toda uma situação ao seu favor.

Uma ótima cena na qual venceu a preservação a própria vida.

Nada contra personagens assim, mas eles não são realistas porque nem gênios costumam ser assim, então uma história que apresenta um protagonista que mostra que é possível realizar grandes feitos e se manter uma pessoa relativamente comum é algo que não se vê sempre em animes, é algo que aguça o interesse do público por saber que voos pode alçar uma história tão boa e pé no chão assim.

12 episódios e 3 filmes é pouco para esse remake, até porque o original tem mais de 100 episódios e extras, então torço para que anunciem continuação após ou durante a exibição dos filmes vindouros.

Por ora, só posso exaltar o excelente e equilibrado episódio dessa semana. Um plano executado com maestria, mas ainda passível de mínimas imperfeições e de um bocado de sorte – nada incomum a grandes feitos –, o qual evidenciou de vez a ótima construção e o carisma ímpar de um personagem principal tão bom como é Yang Wen-li. É certo que dado o tamanho da história a paz que ele tanto almeja não será conquistada tão cedo, mas se o Reinhard tiver mesmo um intelecto a altura do do co-protagonista, assim como ideais e objetivos, o anime deve manter essa pegada quando ele voltar.

Minha única ressalva é exatamente sobre a “volta” do Reinhard. A fuga do Oberstein deve chegar aos seus ouvidos, assim como mais detalhes sobre a captura, e contribuir para isso, fazendo com que ele enxergue no Yang Wen-li um “rival” realmente a sua altura – mas a tendência é de que a relação deles não se construa exatamente desse jeito –, polarizando ainda mais a história desses dois gênios.

Tenho cada vez mais interesse em ver o que este mago tem para sacar de sua manga!

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