Cowboy Bebop é muito mais que um anime de tiro, porrada e bomba que eu pensava que era antes.

Aos treze anos, eu assistia porque… realmente não sei. Acho que na época eu achava divertido ver tanta violência por metro quadrado. Entender o significado de tudo era uma coisa completamente diferente, e revendo hoje, percebo quanto tempo perdi por não ter entendido nada.

Este é um anime de 03 de abril de 1998 e percebo quanto trabalho a Sunrise, o estúdio que produziu o anime, se empenhou a fazer, principalmente para algo da época. Tem vezes que os movimentos são bastante confusos, mas a maioria das vezes eles são fluidos, tanto que te levam para participar da história, onde a traição e as cenas de atrocidades estão em pauta.

A história se passa no ano de 2071, que é uma época onde todos os humanos deixaram o planeta Terra para trás e colonizaram os demais, até que ela seja praticamente desolada. E não é uma época de extrema paz, já que existem muitos ladrões por aí. Mas esperem! Sempre tem alguém para caçá-los e ganhar prêmios pelas suas cabeças e por entregá-los VIVOS à polícia. Este alguém é conhecido como caçador de recompensa, que atende pelo codinome de “caubói”.

Em Cowboy Bebop, temos três caubóis principais: Spike, Jet e Faye, e eles estão dispostos a qualquer coisa para conseguir capturar todos os criminosos para adquirir quantias salgadas por suas prisões, o que nem sempre alcançam com sucesso. Aos poucos, vão surgindo outros personagens cruciais para a jornada dos três trapalhões, principalmente Ein, um cão muito inteligente, e Edward, uma menina que sabe bastante de tecnologia, mas ninguém sabe exatamente o seu sexo.

Pessoas/criaturas diferentes que causam diferentes problemas entre si e para os outros.

Mas o anime não se foca apenas em caçadas, armas para tudo quanto é lado, balas sendo ricocheteadas e grandes golpes de artes marciais. Cada um dos personagens principais estão à procura da existência do próprio ser. Spike diz que morreu uma vez no passado, Jet perdeu o seu braço em um caso e Faye esqueceu de tudo o que já lhe aconteceu. Não é algo bonito e prazeroso de se saber quando vemos o cenário em que cada um se meteu, porém é importante saber para que consigamos encarar todo o enredo de frente.

Festa estranha com gente esquisita.

Além disso, o anime também enfatiza bastante a questão da morte e do xamanismo. Spike e Jet de vez em quando consultam um xamã sobre o que pode vir a acontecer, e também ele aparece mostrando a realidade para olhos desacreditados. O que ele diz, acontece, concretiza-se. Chega a ser pavoroso.

Uma coisa importante que, revendo o anime eu percebi, cada criminoso que os caçadores de recompensa estão indo atrás tem um motivo mais louco que o outro de cometer atrocidades, sendo elas em proveito próprio ou envolvendo mais alguém. Às vezes a própria razão é o que faz a cena ficar engraçada, outras são as trapalhadas de algum dos caçadores. Isso acontece bastante. Acalmem-se que não ficarei dando spoilers para quem ainda não viu.

E o nome do anime sempre me chamou a atenção, mas só alguns anos depois eu descobri a essência do nome. CALMA, GENTE, NÃO TACA PEDRA EM MIM! Certas coisas eu resolvi deixar para mais tarde mesmo.

O Bebop é uma das correntes do Jazz, que surgiu por volta dos anos 40, sendo produzidas melodias ágeis e velozes, assim como diversas músicas que tocaram durante o anime. Acredito que o enredo começou a fazer ainda mais sentido quando entendi o que cada uma delas estava sendo tocada na totalidade de cenas apresentadas, não só as de ação, mas também as calmas.

 

Bem mais que Jazz Bebop

Cowboy Bebop não é apenas formado por suas músicas em Jazz Bebop, como também outros estilos que cabem na obra de todo o modo. Isso inclui:

Bluegrass, tocado com um banjo, sendo um ritmo norte-americano popular e tradicional;

 

Heavy Metal (tocado apenas em um episódio, mas foi importante para a personagem apresentada);

 

Lounge (músicas para acalmar a alma e o corpo, que surgiu ente os anos 50 e 60);

 

Swing (que também faz parte do Jazz, são ritmos para mexer o corpo);

 

Chorale (músicas cantadas em coral, geralmente em acompanhamento de um piano chamado órgão, surgindo em 1524).

 

Também há outros estilos musicais no anime, porém estes são os principais.

E assim, chego ao final de meu artigo de comparação de Cowboy Bebop de quando era mais nova e de atualmente. Obrigada por ler até o final. o/

  1. Grande Tamao-chan!!! Um prazer ve-la de novo!!!
    Bem, explicando muitos dos atuais críticos e resenhistas de anime quando este Magnus Opus passou eram adolescentes. Apreciavam a fluidez, as cores, a violência estilizada…É o mesmo que assistir ao primeiro Star Wars aos 10 anos lá em 1977…Vc quer ver as batalhas galacticas, as lutas de sabre laser, os jogos, o design das naves (eu me lembro que fantasiava a ideia de ter um Millenium Falcon para viajar pelo universo)…Nessa idade era “eye candy” doce para os olhos e embabascamento pelo que via. E compreensivel um adolescente não se ligar nas complexidades de enredo e suas artimanhas.
    Mas aí ficamos mais velhos…E o “doce” muda…
    Aí ficamos a procura do “soul candy” ou seja o enredo os personagens, não que o “eye candy” deixou de existir ele está lá. Mas ficamos mais detalhistas apreciamos a iluminação a fotografia com mais apreço vemos nuances que não viamos quando eramos mais novos.
    Em Cowboy o “soul candy” era se perguntar como é que um bando de gente tão diferente de tão diferentes origens conseguiu se reunir numa nave velha e seguir juntos uma parte de suas vidas. Temos Jet um ex policial que se decepciona com a corporação devido a corrupção e lhe deixa marcas. Spike um ex pistoleiro de máfia que se decepciona com a sua corporação devido a traição e lhe deixa marcas. Faye que está lá por puro acidente e Ed (o personagem mais deliciosamente irritante que a industria do anime produziu) que não se decepciona com coisa nenhuma.
    Todos carregando suas cruzes e esperando a tão esperada redenção. Alguns a atingem outros não (e não vou dar aqui spoilers).
    Todos os personagens tem a sua carga emocional e dramática (nessa a Faye ganha de disparada) e ela é desfilada soberbamente em 26 eps. A variedade de personagens que passam nesses 26 eps. é fantástica, só que eles quando passam num ep. nunca mais são mencionados. Como a vida adulta…Problemas novos enfrentamentos novos…
    Fora a grande sacada de Cowboy, o uso espertissimo do anacronismo (não é novo esse truque varias outras obras de entretenimento pop já usaram, mas tem de saber usar).
    E é isso quando ficamos mais velhos uma grande obra se define entre esses dois “doces” para os olhos e a alma e uma obra de entretenimento pop quando atravessa os tempos e gerações ela deixa de ser pop ela vira algo chamado “arte”.

    Porque vai demorar muito tempo para que Cowboy Bebop seja esquecido…

    Um abraço!

  2. Outra coisa que gostaria de deixar registrado aqui…CB tem o mesmo sentimento quando foi lançado o “O Poderoso Chefão”(ok foi uma das mais infelizes tentativas de traduzir um titulo em português…) a sensação de “pertencer” a “algo” em “Chefão” é a familia e seus valores mesmo que esses valores se contradigam…Assim é a vida e assim é uma obra que explica (mas não explica) mas vc sente algo explicado…Por isso CB e “O Padrinho” (acho que ficaria melhor em português o titúlo) sempre são revisitados…

  3. Fora que não precisamos dizer mais nada sobre a soberba OST…

    Só mais uma coisa…CB foi o primeiro anime em que a dublagem foi levada a sério…Aliás a dub em português (brasileira) foi (e ela geralmente não errava como hoje) é muito boa (dublagem em português sempre foi boa em animação temos uma história longa atrás disso, jovens procurem saber!!)…Mas uma obra dessa envergadura sempre preferirei o original…
    O engraçado é que tinha um outro anime da Sunrise que estava esperando ser o novo Bebop e se chamava Gasaraki e foi enterrado na bruma dos tempos (está certo era um mecha, mas tinha muito conteúdo e foi dirigido pelo rei dos mecha Ryousuke Takahashi)…Não pegou e ninguem fala mais dela infelizmente…

  4. E sem querer ser chato em ser fã de Bebop…Me lembrei de uma história curiosa…
    Briefing da Bandai para o S. Watanabe e produtores “Desde que tenham naves que possamos vender kits e brinquedos o que vc fizer está liberado” dizem que foi assim…E eu acredito…Acho que nenhum executivo da Bandai deve ter pensado que no futuro algo como CB iria virar algo de culto…

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