Mix: Misei Story é a continuação, mas não é a continuação, de Touch, mangá e anime de sucesso dos anos 80. Esses dois mangás são da autoria de Mitsuru Adachi e compartilham do basebol como tema, mas também do relacionamento entre irmãos e, acredito eu, dos problemas advindos dele.

A estreia teve uma apresentação lenta, mas entregou uma animação belíssima e um design bem característico que faz jus a bela arte do autor e me instigou a escrever sobre esse início. É hora de Mix no Anime21!

Que me perdoe o breve trecho introdução que aparentemente faz menção a história de Touch – não li o mangá, nem vi o anime, mas gostaria de fazer isso um dia –, mas o que encanta de cara é a ótima música de abertura que não é só belíssima, mas encaixa muito bem com a sequência de imagens. Foi como se Mix já começasse dando uma palinha de como pode ser exuberante, de como pode alegrar!

Drama com eles deve ter um bocadinho, mas e com ela?

Todavia, o episódio em si teve um ritmo bem lento, apresentou os três irmãos, a paixão dos dois pelo basebol e a admiração da mais nova, Otomi, pelas atividades dos dois. Contou com mais narração do que eu gostaria, além de vinhetas de apresentação que não entendi porque não continuaram mesmo se tratando de personagens secundários.

Não foi só o ritmo da narrativa, a forma também não foi do meu agrado, mas acho que o mais importante a se considerar em uma estreia é os seus personagens.

Se um personagem me cativa de início não é anormal que eu me disponha a acompanhar sua história toda semana por alguns meses e confesso que não fui tanto com a cara do Touma ou do Souichirou e se dissesse que gostei da Otomi não seria a verdade.

Eu a achei bonita e simpática, mas tem o tipo de personalidade que menos gosto em uma personagem feminina, de alguém que existe para admirar a vida de outro e seus feitos, mas em si tem pouco de interessante a dizer sobre si mesma.

Quero estar errado, espero estar. Se há um personagem que me animou nessa estreia esse foi o Natsuo primeiro.

Vá achar algo que você goste de fazer por si mesma mulher! Ou tem e só não apareceu?

Estava esperando pelo clichê dele não saber jogar nada, mas me enganei e achei o menino simpático, tanto é que quero ver como ele vai se meter na história desses irmãos ainda tão água com açúcar.

Eu dei uma lida na sinopse de Touch e percebi o quanto a história parecia dramática, o que não significa que será o mesmo com Mix, mas observando o histórico do autor me parece ser o certo a se esperar. Acho que só assim os três irmãos poderão se tornar personagens mais interessantes. Conto com isso!

Só que essa estreia não foi merecedora somente de minhas reclamações. Eu gostaria de me derreter em elogios a animação e o design, mas só preciso escrever uma coisa: são lindos, vá lá e veja! Assistir a esse anime, ao menos a sua estreia, não me parece uma perda de tempo, pelo menos não se gostar de animes esportivos e, mais especificamente, de animes de basebol.

Entre eles Touch é um clássico e acho que Mix será o mesmo caso de Major 2nd, da continuação que não “pega carona” apenas no sucesso do antecessor, que tem méritos próprios. Mas claro, digo tudo isso apenas pela expectativa, o anime ainda não entregou tanto na estreia. Major 2nd começou mais ou menos assim e melhorou. Aliás, assista Major 2nd se ainda não tiver visto, é um ótimo anime de basebol com um ótimo drama.

Botou verão e primeiro no nome o cara deve ser gente boa, certeza.

Ademais, acho que há três pontos dignos de nota. Primeiro, o clima no clube da Misei, que não vai ao Koshien, o magnum opus do basebol escolar japonês, há três décadas, foi só uma vez e se consagrou, mas nunca mais conseguiu repetir o feito.

Questiono a pressão que deve ser tentar voltar ao Koshien, percebi que há espaço para insatisfação dentro do time se explorarem o fato do ace deles não treinar em tempo integral e acredito que é por aí que a dinâmica do clube pode ficar bem mais interessante.

Segundo, o uniforme que apareceu no final do episódio deve ligar as histórias de Touch e Mix e fiquei curioso para ver como podem construir paralelos entre elas, se Mix é capaz de ser instigante por si só mesmo com isso e como vai ser moldado o objetivo de chegar ao Koushien, pois o objetivo será esse, é um clichê que nunca deixei de ver em animes de basebol colegial – ainda mais tendo Touch na cola.

Olha aí, esse uniforme de Touch antigão.

Terceiro, o encerramento também é um amor. Pode parecer bobagem, mas apesar de eu ter achado a apresentação um pouco travada, a qualidade técnica do anime é refrescante e ele passa ao público a ideia de que pode ser grande, épico, emocionante! Tem algo em Mix que é animador e não sei bem como explicar.

Talvez seja seu jeitão oitentista que evoque em mim uma nostalgia que não sabia que sentia? Um jeitão que fica apenas nisso, pois a produção entrega a qualidade que se vê no que há de melhor na animação contemporânea. Enfim, dê uma chance a Mix: Meisei Story – se precisar apele a regrinha dos três episódios –, não garanto que não vá se arrepender, mas eu sinto que valerá a pena!

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    É do mesmo autor de Cross Game que por sinal é uma obra belissima! ele usa sempre essa temática de baseball, porém são realmente ótimas obras! Recomendo!

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