Major 2nd é um anime de 25 episódios do estúdio OLM, adaptação de um mangá de sucesso ainda em andamento que tem o basebol como tema. Sim, ele se trata da segunda geração da obra Major, contudo, não é necessário que você tenha visto Major. Na verdade, creio que o 2nd seja uma ótima forma de fazer qualquer pessoa se interessar pelo original, que possui 78 volumes em mangá e seis temporadas, três ovas e filme em anime. Uma série longeva dessas só pode ter o respeito e apreço do público, não é? O que garante a qualidade de Major 2nd? Apanhe minha resenha para descobrir!

Recarregue-se com essa bateria e leia sobre a maravilhosa fase 2 da série Major!

A história acompanha Daigo Shigeno, filho de Goro Shigeno, um famoso atleta de basebol japonês e que é filho de jogador. Major acompanha o Goro e seu basebol desde a infância até virar profissional na fase adulta, e Major 2nd tem basicamente a mesma proposta.

Todavia, não é bem a mesma coisa já que, diferente do pai e da irmã, Daigo tem um problema, ele acha que não possui talento algum – que não faz jus ao seu sangue – para o basebol e por isso já bem novo perde a vontade de praticá-lo.

Major 2nd acompanha esse garoto e a recuperação do seu prazer por praticar o esporte. Daigo ama o basebol, mas se cobra por não conseguir ser tão bom quanto seu pai, como se ele devesse alguma satisfação ao talento familiar e não pudesse apenas fazer algo que gosta.

E nem deve ou pode ser. Você é apenas você, Daigo.

Para amadurecer o garoto precisa de um apoio, de um incentivo; eis que surge Hikaru Satou, filho de Toshiya Satou – um antigo parceiro e rival de Goro. O garoto não conhece nada de basebol, mas se interessa pelo esporte e é quem faz Daigo voltar a se divertir jogando. É por querer jogar com o amigo que Daigo volta a sorrir.

Entretanto, nada ocorre em um “passe de mágica”, são necessários muitos episódios desde que eles se conhecem até que Daigo queira jogar com Hikaru, pois o trauma dele é profundo e ele é teimoso, sendo um personagem irritante no começo do anime, mas que melhora após o seu desenvolvimento.

Não é fácil para alguém tão jovem lidar com o fracasso dessa forma, e esse é um dos acertos da série, a demora para fazer com que o casulo que o protagonista construiu em torno de si seja quebrado. A exposição de trauma dele é importante, assim como ele gradativamente vai sendo superado.

Uma dobradinha predestinada? Sem sombra de dúvidas!

Mesmo melhorando, o protagonista tem recaídas devido as adversidades que surgem no time para o qual ele volta, após a experiência que o faz desistir do esporte, e também a sua sonhada parceria com Hikaru.

Aliás, essa parceria é adiada – o anime tem contornos bastante dramáticos em alguns momentos –, o que no início parece muito forçado, mas depois torna a trama mais interessante. O Daigo amadurece com esse revés e sua vontade de jogar com o amigo só aumenta.

Ele inclusive deixa de lado o sonho de jogar na posição que consagrou o pai para ser o receptor do Hikaru. O exato inverso da dupla que o Goro e o Toshiya costumavam fazer. É bem legal como o autor inverteu os papeis, mas manteve a origem do protagonista. É um recado de que não existe uma posição melhor que a outra no basebol.

É verdade, preciso comentar um pouco o esporte e não apenas os personagens. Basebol é o esporte mais popular do Japão – apesar do futebol estar em seu encalço – e o anime retrata bem isso, como mesmo jogadores mirins levam o esporte a sério e o quanto é de se orgulhar ter um parente que foi jogador da liga profissional japonesa – na obra o Goro já está mais velho e viaja para atuar nas ligas menos concorridas ao redor da Ásia.

O basebol no Japão é um esporte muito amado e praticado, os jogadores da idade do Daigo, e que o encaram no torneio regional, se dedicam bastante ao esporte. Major 2nd não só mostra bem esse apreço pelo esporte, como o torna interessante para o público.

Major 2nd também nos dá ótimas e adequadas doses de nostalgia, como a da imagem.

Não foi o primeiro anime de basebol que vi – ainda não assisti Major, mas vi alguns outros animes que tem o basebol como pano de fundo –, mas foi a primeira vez que comecei a entender melhor o esporte e a gostar dele de verdade.

O modo dedicado – mas não chato – como explicam os detalhes que formam o jogador, assim como os treinos e os movimentos executados neles e nas partidas, são todos muito prazerosos de se acompanhar em tela.

Foi como se eu finalmente tivesse reconhecido o esporte e me sentisse impelido a mais. É por causa de Major 2nd que um dia eu quero jogar basebol.

Quando lembro desse anime eu abro um sorriso devido ao quanto ele me cativou e fez feliz! ❤

Voltando ao anime em si, um de seus pontos positivo é como utilizam suas personagens femininas. Para as mulheres é mais comum a prática do softbol, uma versão mais leve de basebol com algumas diferenças. Entretanto, acredito que isso seja mais na fase adulta ou no âmbito profissional, pois no time do protagonista – o Mifune Dolphins –, e no time que disputa a partida mais importante contra ele, há garotas.

E elas não estão lá para cumprir tabela não! As duas são personagens interessantes, assim como a irmão do Daigo, a Izumi, que também joga em um time cheinho de meninos, mas é a grande estrela dele. Não é porque Major 2nd é originalmente um mangá de esportes da demografia shounen que garotas não terão voz e vez.

Eu também adoro isso. Mulher nesse anime não é sexo frágil de jeito nenhum!

Apesar da Sakura, a heroína da obra, ser apaixonada pelo Daigo, ela começa a jogar basebol e descobre seu amor pelo esporte. Foi algo atrelado a ele em um primeiro momento, mas que depois se torna dela, e ela joga muito bem e gosta mesmo de basebol.

A outra personagem feminina de destaque é a Michiru Mayumura, também filha de ex-jogador e o grande ás do seu time – sendo melhor até que seu talentoso irmão. E não, ela não se apaixona pelo protagonista – um clichê comum e irritante –, mas nutre grande admiração pelo Goro, tanto é que isso justifica a aproximação dos dois mesmo sendo rivais.

Major 2nd constrói bem as ligações entre os personagens, além de dar um tempo de tela razoável para personagens coadjuvantes relevantes.

Há subtramas de outros personagens que são bem desenvolvidas, não as colocam do nada em meio as partidas, pois há uma preparação para o que vai rolar. Um exemplo é a bateria – o arremessador e o receptor – titular dos Dolphins, Hayate Urabe e Andy Suzuki.

A dupla é bem desenvolvida antes das partidas e dá para se sensibilizar com o drama dos garotos, pelo que passaram e o que objetivam. É importante esses personagens secundários surgirem para tornar a trama mais envolvente e o anime faz isso com maestria – aliás, ainda preciso falar dos dois protagonistas e das partidas de Major 2nd.

Daigo e Hikaru definem um objetivo depois que decidem se divertir jogando basebol juntos: formar uma bateria. Hikaru de arremessador e Daigo de receptor. Aí que entra o Toshiya, que aparece e dá conselhos ao Daigo sobre receptar – agindo como uma espécie de “treinador”.

É a partir daí que ele encara sua nova realidade como um jovem jogador que almeja a posição. Não é a mesma na qual seu pai brilhou, é verdade, mas isso é até melhor, porque mostra muito bem como o Daigo está seguindo seu próprio caminho – ele não almeja viver na sombra do pai, e sim correr atrás dos próprios sonhos.

O Hikaru tem problemas de convivência com o pai devido ao divórcio dele com sua mãe e acaba indo morar distante por causa dos avós. Mas, apesar de todas as adversidades, ele não desiste do esporte.

Existem momentos nos quais ele para de se divertir por estar perdendo, só que aí recobra o prazer e compreende que o resultado é o reflexo dos esforços do time, mas não aquilo que os dignifica – não é a vitória que torna o basebol algo prazeroso, isso ajuda, é claro, mas sim o amor pelo esporte em si.

E estou ansioso para ver o caminho de vocês sendo trilhado, Daigo e Hikaru.

O Hikaru nasceu com o talento que faltava ao Daigo, e o Daigo com o amor que seu amigo ainda está despertando. Os dois, principalmente o Daigo, poderiam sentir inveja um do outro, mas não é o que ocorre. Major 2nd é a história desses garotos lidando com as dificuldades do esporte, encarando suas limitações – algo comum até mesmo para os talentosos – e amadurecendo para se tornarem adultos.

É uma história de vida que vai sendo contada em tela. Uma história bonita, divertida, que tem alguns defeitos – às vezes eu acho que o autor exagera um pouco no drama, mas no resto manda bem –, só que bem poucos, e muitos outros acertos. O anime não chega a ser arrebatador, mas é excelente. Na verdade, se há algo em Major 2nd que me faz querer dar 10 para o anime são suas partidas incríveis!

A duração das partidas em Major 2nd vai aumentando com o tempo, assim como o divertimento que proporcionam. Nelas os personagens são desenvolvidos, eles mostram o resultado de seus esforços e também tem que lidar com adversidades que surgem ao longo da partida.

O protagonista Daigo falha muitas vezes, mas também se esforça para acertar. Perde, ganha, se sente humilhado, mas recupera a confiança. Todas as emoções mais importantes que o anime cultivou são jogadas dentro do campo.

Outros mangakás e outras equipes de produção de animes do tipo deveriam aprender com o Takuya Mitsuda – autor do mangá – e a equipe do anime de Major 2nd a como fazer partidas empolgantes e densas das quais o telespectador não consegue tirar o olho.

As partidas desse anime são fenomenais e elas não desperdiçam o desenvolvimento dos personagens. Ao contrário, fazem valer cada segundo gasto com ele. O anime conclui um arco, mas ainda há muita história a ser contada, e anseio por uma continuação. Se já no começo Major 2nd cativar você, como me cativou, assisti-lo será um home run!

Muito obrigado pela companhia! Mas espero rever essa turminha muito em breve…

  1. Como é bom que lembram deste anime: realmente, não é preciso ver “Major” pra ver este, caso de continuação sem necessidade de conhecer a série anterior, mesmo assim, pra saber, os personagens mais velhos, em maioria estão presentes nas três de seis temporadas do primeiro anime. Tava revendo o “Major”, falta rever a quinta e sexta temporadas pra terminar,mas, é garantido: a obra sabe mesmo mostrar o beisebol como ninguém. E a continuação demorou menos pra ter versão anime, a anterior levou dez anos pra ganhar adaptação e recomendo demais “Major”.

    Quanto ao drama, essa é uma característica da obra como um todo, se for ver o anime que veio antes, prepara a caixinha de lencinhos de papel, o início é de chorar, fora a abertura “Kokoro E” ser muito, muito nostálgica e envolvente de se ouvir. Tem resenha do primeiro anime no Animecote, dá uma conferida quando puder e sim, pode correr atrás da série, é muito competente no que propõe ser.

    Ah, claro que quero continuação: é um anime de beisebol que vale demais a pena de se ver. Dos três animes esportivos que tive contato em 2018, este pra mim foi o melhor.

  2. Fico feliz que tenha gostado. Eu particularmente me empolguei demais com basebol após ver Major 2nd e é só questão de tempo até que eu veja Major. Tirando um ou outro momento em que eu achei o drama um pouco exagerado no geral gostei bastante, porque souberam dar tempo ao tempo para desenvolver as coisas e o final da série é muito emocionante e gratificante para quem a acompanhou até ali. Agradeço a indicação e com certeza irei atrás de conhecer mais dessa série tão encantadora.

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