Esse episódio inteiro girou em torno da cúpula do G7. Mais especificamente, se tratou da discussão sobre o que é o bem e o mal. Esse problema foi proposto pelo presidente Alexander W. Wood, dos Estados Unidos. E então todos os líderes mundiais lá reunidos se dedicaram a essa tão complexa questão. E então, qual foi a resposta deles?

Breve resumo:

O bem é uma questão moral, e morais são desenvolvidas em sociedade. Portanto, o bem é uma criação social. Mas algo bom ou mau se manifesta tanto sobre questões coletivas quanto individuais.

Porém, as circunstancias, métodos e intenções influenciam em certas conclusões morais. Ou seja, tirar uma vida em autodefesa é justificável por esse princípio, mas matar a sangue frio e por prazer, não. E por fim, o bem pode ser reconhecido por se opor ao mal.  Oposto de algo mal = bem.

E há também vários outros pontos importantes, mas vou citar só esses pra o texto não ficar muito grande. E pelo mesmo motivo não irei discutir eles.

Mas então, seguindo essa linha de raciocínio podemos entender se o suicídio é bom ou não? O anime chega a dar uma impressão de chegar a uma resposta, mas (propositalmente) corta a cena nesse ponto. O esperado é que voltem a isso no próximo episódio.

Aliás, tem uma outra pergunta. Qual é o significado da vida? Foi ao chegar nesse questionamento que ocorreu a interrupção. Então é possível que seja feito um elo entre o bem e o significado da vida. Ou ao menos ao valor desta.

Mas enfim, vamos ao episódio.

Esse episódio foi incrível. O número de conteúdo e informações foi assustador, mas estranhamente foi fácil de se processar todas aquelas informações. Ao menos como um todo, já que quando se olha para as partes se percebe que é algo realmente muito complexo.

Mas foi muito mais que somente informações. Foi uma narrativa que soube passar de tema em tema de maneira precisa, clara e linda, assim como uma dança de valsa. Um passo para cá, dois para lá, um show de precisão e beleza. E sim, beleza visual também.

As imagens muitas vezes conseguiam passar uma sensação de simplicidade bruta, isso é, indicar o que se referem de uma forma precisa e sem rodeios. A beleza aqui está no quão fantástico é o fato dessas coisas serem completamente naturais.

Em outros casos, de uma beleza transcendente. Algo que parece ser superior aos acontecimentos naturais e meramente humanos. Com equilíbrio entre os dois as imagens transitaram entre o natural e o sobrenatural.

Os líderes tiveram todos uma breve introdução, com cada um demonstrando suas visões sobre o mundo. Suas ideias. Isso foi simples, direto, e eles mantiveram essas personalidades e ideias até o final. Você pode ver isso pela discussão sobre o bem e o mal. O líder da França, por exemplo, discordou abertamente da visão sobre o bem diversas vezes. Exatamente como tinha se colocado anteriormente.

Em consequência nós tivemos várias personalidades, e várias formas de ver o mundo diferentes. Sem dúvidas, esse também foi um dos motivos que fez aquela discussão ser tão interessante.

A direção como um todo foi fantástica. As imagens, os sons, os quadros, as passagens, tudo. Eu me encanto ao hesitar em dizer que esse é o melhor episódio do anime. Eu acho esse um episódio fantástico, mas ele tem competidores. E isso é uma coisa magnífica.

Babylon se tratou em lidar sobre o problema do suicídio e discutir as questões morais sobre o bem e o mal. Mas no final, a sacada brilhante do autor – e incrivelmente simples – mudou tudo. Ele percebeu que essas duas discussões eram na verdade uma mesma discussão.

Se o suicídio é um problema moral, então ele não pode ser desvinculado da discussão sobre o bem e o mal. Exatamente da mesma forma que um galho não pode ser desvinculado de uma árvore. Sem a árvore nunca teria existido galho, e mesmo se o galho for arrancado e a árvore queimada, o próprio galho permanece sendo uma prova definitiva sobre a existência de determinada árvore em determinado tempo. E da mesma forma, o autor abaixou os olhos do galho e olhou para a árvore toda. O resultado? Foi um episódio fantástico.

E além disso tudo nós ainda tivemos aquele final interessante. Era óbvio que o Itsuki iria aprontar alguma coisa, e não deu outra. Não irei pensar sobre o quão natural é a ação deles ou o quão planejado tudo aquilo é. A segunda opção coça a língua, parece óbvia. Mas eles são loucos, eu já disse isso, e irei repetir. Não é uma questão de desqualificar suas ideias, é uma questão de senso comum.

É como aquela frase “Louco não é o homem que perdeu a razão. Louco é o homem que perdeu tudo menos a razão.”, e esse é exatamente o caso deles. Ninguém sadio é mais racional que a Magase e o Itsuki, e mesmo entre os insanos eles devem se superar.

O anime faz algo interessante, a cena da abertura e a que vem antes do encerramento são sobre uma mesma coisa: A Meretriz da Babilônia. A partir dessa breve cena da abertura é sedutor imaginar o que vai rolar nesse próximo (e último) episódio. Mas eu estou no escuro, e fui eu mesmo quem apagou a luz. Babylon, me surpreenda.

Por fim, curiosidades:

O G7 para quem não sabe realmente existe. Ele é um grupo formado pelos países mais industrializados do mundo, e os mesmo desse episódio: Alemanha, Canadá, França, Japão, Estados Unidos, Reino Unido e Itália, além da União Europeia assim como no anime.

Detalhe: O fato da China não fazer parte é praticamente uma prova de que o sentido econômico do grupo está mais ligado a uma questão de interesses regionais do que globais.

O dilema do trem apresentado nesse episódio foi elaborado pela filosofa Philippa Foot, e diversos outros filósofos fizeram suas versões desse mesmo dilema. Cada um acrescentando um problema novo, como o do “homem gordo” proposto por Judith Jarvis Thomson.

A Meretriz da Babilônia é mencionada em Apocalipse, nos capítulos 17 e 18. Então se ficou curioso é só abrir uma bíblia e ir até o seu último livro.

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    E vcs achavam que eu ia ficar fora dessa?
    Hello peooopplllless!!! James na área dinovo e não largo Babylon de jeito nenhum!!!
    Bem, esquecendo as bordoadas que eu dou de enfrentamento do mundo real ao mundo do entretenimento hoje vai ser uma pausa estratégica….
    Como o anime entrou em fase digamos “filosófica” temos nos dizeres dos personagens várias referências (Spinoza, Locke, Epicuro e por aí vai…) não cabe aqui dizer ou analisar se as referências estão corretas (isto quem tem de dizer é o autor), mas elas estão ali – se foi um processo apressado para fechar roteiro (o que eu acredito) é outra história…O que tenho a dizer é que foi um episódio legal para um produto de uma indústria e é sempre bom alguém desta indústria dar uma olhada nos velhos “alfarrábios” e introduzir algo de alta complexidade cultural.

    P.S.: Eu ainda odeio a Ai…
    P.S.S.: Onde está o Nomura nesse rocambole todo?
    P.S.S.S.: Estou sentindo. no momento, é pena do Seizaki…

    E vamos ao ep.12!! Esse vai ser o “turning point” (é o que acredito…Se o autor estiver a altura da tarefa…)

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    Mas…Para não deixar o hábito…Agora vem a bordoada…Como é que o 1º Ministro da ITÀLIA que tem a Santa Sé do lado pode tomar essa decisão a favor da tal lei do suícidio…O alemão poderia ser, o italiano??? O Vaticano fica a apenas a 13 minutos de carro (é podem apostar o Papa iria pegar seu Fiat Cinquecento sem motorista para azucrinar o cara…E o Papa tem uma Ferrari na garagem então o tempo pode ser menor…Pq eu não ficaria na frente de uma Ferrari Portofino V8 2018 com o brasão da Santa Sé no capô!) do Palazzo Montecitori (onde fica a casa legislativa da Itália)…Fica a dica ao autor do anime…E ficamos só com essa…Abçus peoooplllesss!!!

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    …E só para constar o Papa tinha em Buenos Aires um Renault R4 preparadaço…Se ele sabe como manejar um R4 nervosinho em Bs.As. em Roma uma Ferrari Portofino é moleza!!! Te cuida Cannavaro…

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    …E só para constar aí vai outra bordoada…O encontro do G7 em Ellis Island???!!! K7!!! Isto vai contra qualquer protocolo de segurança (nenhum serviço de segurança de classe, acho que nem o nosso aqui, concordaria em realizar uma cúpula num lugar desses)…Mas é hora de parar de ser chato…

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    …Tava me segurando…Mas nunca (spoiler alert!) que uma autoridade como um presidente (seja de que país for) será levado a negociar algo como vimos no anime…NUNCA!! É um princípio da negociação!!!

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      Lá vai um baita texto…
      Como sempre é difícil discordar de você James.
      Aliás, de fato o episódio 11 passou dos limites nos 2 principais defeitos de Babylon. Ao meu ver o primeiro seria os exageros e cenas forçadas, e segundo as simplificações de ideias e personalidades que faz o anime parecer mais inteligente do que realmente é. Ainda que essa segunda, na minha opinião, era incontornável nesse episódio.

      Foi falha não ter comentado nesse artigo. Mas encaixar isso no 12 é difícil. Acho que essas duas críticas iriam ficar mais bem elaboradas em uma crítica geral, principalmente o primeiro problema que levantei. Então vai ficar para a resenha mesmo. No do ep 12 só de en passant.

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