Finalmente estou aqui para falar de um dos meus queridinhos da temporada, desde o seu anúncio – agora já confirmado pela ótima estreia. Arte não só se propõe a contar uma bela história de superação e crescimento em meio a uma época difícil, como também deve nos oferecer uma das melhores protagonistas desse ano e tenho dito.

Arte é uma garota nobre não tão rica que ama a arte – sem trocadilhos – e almeja se tornar uma artista reconhecida, que vive pelo seu trabalho e não pelas imposições da sociedade, que somente queriam casar mulheres e obrigá-las a ter talento para as tarefas do lar.

Apesar de viver na era renascentista – tempo em que havia uma grande dedicação aos estudos artisticos, científicos e por aí vai -, o fato de ser mulher impõe a protagonista seu maior obstáculo, para além da pressão de sua família e do seu status social, que ironicamente limitava ainda mais o seu raio de opções.

É interessante que diferente da mãe que deveria ser mais branda, o pai falecido parecia apoiar muito mais a dedicação e felicidade de sua filha. A matriarca não aparenta ser uma pessoa má, no entanto ela é um reflexo da mente fechada e machista que imperava ali e de como isso influenciava o comportamento feminino da época.

A protagonista é uma criatura extremamente charmosa e cativante, a sua natureza positiva para mim é um dom em meio a dificuldade que encara e sem ela, certamente a mesma seria resignada e seca como a mãe.

Apesar de saber que antigamente as coisas não eram fáceis ou simples, fiquei incomodado com a forma violenta com que ela era recebida por cada chefe de oficina. Acredito que por isso a determinação que possui acaba sendo sua maior arma, considerando que nem mesmo o Leo pretendia lhe dar uma chance real de tentar ser uma artesã.

É bem verdade que ele tinha razões distintas e compreensíveis se comparado aos demais – já que envolvia o seu passado árduo -, mas ainda assim sua ação não deixa de ser preconceituosa. Julgá-la apenas porque a garota é uma nobre que supostamente não entende o quão dura a vida é, não o tornaria melhor do que os que o julgaram por ser um pobre miserável.

Na verdade entendo que a Arte tem ciência do que a cerca, ela apenas se importa mais com o seu objetivo final e não com as dores do percurso. Felizmente ele consegue reconhecer nela, o mesmo orgulho, dedicação e esforço que ele tinha quando buscava seu espaço como artista. Essa cena foi boa porque já criou uma conexão entre ambos, já que partilham de uma mesma paixão e possuem experiências semelhantes, ainda que por diferentes caminhos.

Acho que vai ser bem divertido acompanhar a jornada dessas duas peças, muito disso por conta da dinâmica funcional entre as personalidades opostas dos dois, que foi outro ponto positivo da estreia, me divertindo a cada cena pós a chegada da aprendiz doida e animada a oficina.

Gostei bastante da animação no geral, a paleta de cores é bem delicada mas colorida, os traços bonitos e consistentes, fechando com a trilha sonora se destaca igualmente bem. A abertura e o encerramentos são lindos, inclusive acho que o segundo é bem simbólico quanto ao enredo, mostrando quadros que seriam pedaços da história da protagonista, enquanto ela sobe os degraus rumo ao seu sonho.

Enfim, amei a Arte, curti o Leo, gostei de toda a atmosfera do anime e acredito que chegarei ao final dele feliz e satisfeito. Fica aí a minha recomendação, deem uma chance a essa obra de arte.

Agradeço a quem leu e até o próximo artigo!

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    A estreia deste anime compensou toda a curiosidade que eu tinha desde do anúncio do anime.

    Começando pela animação do anime, pelo estúdio que é nunca esperei tanta qualidade, os cenários são lindos e o design da Arte transcende o que se pode considerar belo. A dublagem é muito boa também, senti que a staff escolheu a dedo a seiyuu para dar voz à Arte e até mesmo ao Leo (não desmerecendo os seiyuus que dão voz aos personagens secundários).

    Passando às personagens, concordo desde já consigo caro JG, a Arte já pode ser considera uma das melhores protagonistas deste ano. A Arte, como hei-de de dizer, a força de vontade dela e a determinação dela é impressionante, nunca época como a representada no anime, mulher que fosse assim estava condenada em todos os sentidos. A retratação de uma família nobre de baixa nobreza foi muito bem feita, começando logo pela obrigação da Arte ter que se casar com um cavaleiro para ter o seu futuro garantido. Se a arte fosse um homem, teria que se casar com uma nobre e servir no exército. Vale lembrar que não é muito certo descrever tal situação como uma sociedade machistas, as gentes daquela época nem sabiam o que era isso. Durante séculos as mulheres na Europa só serviam para ter filhos e cuidar do lar (salvo excepções raríssimas em que algumas mulheres tinham poder). No anime isso foi muito bem retratado com as exigências da mãe da Arte e na demonstração de repulsa e raiva dos mestres artesãos quando a Arte lhes pedia para eles a aceitarem como aprendiz.
    Uma coisa que me chocou, foi quando no quarteirão dos artesãos a Arte num momento de impulso corta o seu cabelo. Mulher de cabelo curto naquela época era taxada de prostituta (em toda a Europa da época do anime, quase sempre mulheres de cabelo curto trabalhavam nesse ramo), rameira, Messalina e imoral (e muitos outros nomes na senda do que já citei). Outra coisa que me chocou foi quando a Arte agarrou num cinzel e ia cortar os próprios seios, tal coisa também era ligada a mulheres imorais que cometeram o pecado do adultério (dai a cara de choque de alguns dos artesãos).

    O pai da Arte dentre todos daquela casa, foi o único que viu o que deixava a Arte feliz, só isso mostra o bom pai que ele era.

    Já o Leo, meio que já esperava que o background dele foi meio trágico, a motivação dele para se ter tornado artesão é bem humana. Florença floresceu imenso no século XVI, mas as desigualdades sempre se fazem presentes (coisa que se mantém inalterável desde dos primórdios da humanidade).

    Espero seriamente que o anime mantenha a qualidade do seu primeiro episódio.

    Por fim, amo o facto da ambientação do anime ser em Florença, em vez de Veneza ou Milão.

    Como sempre mais um excelente artigo JG.

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