Uma palavra composta por apenas três letras, mas de muita importância e simbologia. O ovo, além de ser um alimento nutritivo é, prioritariamente, um lugar onde varias espécies se desenvolvem até o nascimento. Com sua aparência frágil, mas que oferece toda a segurança para o ser que nela está se desenvolvendo, o ovo é um lugar ideal para se habitar por um determinado período.

O medo, embora seja um sentimento tido como negativo, ele pode ser útil como forma de nos defendermos dos mais variados perigos que nos cercam, que vão desde aqueles que causam danos físicos quanto aqueles que podem causar danos psicológicos e emocionais. Todavia, o medo é uma defesa muito frágil, que facilmente faz a a pessoa refém desse sentimento, causando inúmeros problemas.

Devido ao sofrimento causado pelo ijime, que é um tipo peculiar e, por sinal, muito cruel, de bullying que ocorre no Japão, a protagonista (Ai Ooto) desenvolve o medo de se aproximar das pessoas e do próprio ambiente escolar que deveria ser, em teoria, acolhedor.

Aparentemente, o medo que ela sente é como se fosse um mecanismo de defesa para se evitar ainda mais dor, mas o sofrimento está ali e é grande demais para a menina suportar.

Outro sentimento que a protagonista tem que é tão ou mais incômodo que o medo é a culpa. Ao que tudo indica a única amiga que ela tinha, cometeu suicídio, provavelmente pelo simples fato dela ter se aproximado da Ai.

O episódio deixa claro a postura que deve ser adotada quando alguém presencia um ato de bullying, que deve ser a de fingir que nada está acontecendo. Com o trágico destino da amiga, Ai carrega em seus frágeis ombros uma enorme culpa que não a pertence.

O anime usa muitas analogias, o que faz que a narrativa não seja direta, ou seja, as informações são passadas de uma forma subjetiva que gera as mais variadas interpretações. Se faz necessário um pouco de exercício interpretativo e imaginativo para tentar compreender, pelo menos um pouco, do que se trata a história do anime.

Para o telespectador mais desatento pode ser um pouco complicado distinguir o que é sonho e o que é realidade dentro do episódio, dando a ideia de algo confuso. Tal confusão é proposital, para mostrar que a realidade e o sonho pode estar mais próximos do que se imagina.

O “mundo dos sonhos” no qual a Ai esteve  dentro, aparentemente, é como se fosse o subconsciente da própria garota. Dentro desse mundo, dá para compreender um pouco mais sobre a situação e até mesmo do comportamento da protagonista.

A analogia de uma estudante segurando uma arma branca e comandando uma horda de monstrinhos é perfeita para simbolizar um ataque de bullying. E por falar nesses monstrinhos, o cg estava um pouco estranho, mas que, involuntariamente, foi útil para acentuar o desconforto visual em vê-los.

A interação da Ai com a garota que surgiu do ovo é interessante, pois a principio não me pareceu muito amistosa, mas aos poucos elas foram se acostumando uma com a outra. Amizade não é algo tão simples, dependendo da pessoa.

A animação está muito bonita, com muitos detalhes, o que ajuda bastante a fazer que o episódio seja uma experiência visual muito agradável. Como o anime usa de bastante elementos visuais que ajudam a contar a história, uma animação de alto nível, sempre é bem-vinda. O roteiro parece interessante, mas que ao longo da temporada pode correr o risco de ser confuso demais na tentativa de fazer algo complexo.

O diretor Shin Wakabayashi, antes de estar no comando desta série, dirigiu uma websérie de curta duração focado no dia a dia das personagens do projeto multimídia 22/7 (cujo o anime estreou em janeiro do ano passado) intitulado Ano Hi no Kanojo-tachi. Nesse curta de oito episódios dá para notar a qualidade da animação que, por motivos óbvios, também se faz presente nesse anime que estou comentando.

Shinji Nojima faz sua estreia nessa série como roteirista, o que pode deixar algumas pessoas com o “pé atrás” pela suposta falta de experiência, mas a principio temos a impressão de um trabalho promissor. Aguardemos os próximos episódios para saber se roteiro permanecerá interessante e bem feito.

O fim do episódio mostra de forma simbólica a coragem da Ai em querer resolver o problema que a aflige, ou seja, foi dado um passo importante para uma mudança de postura.

O uso inusitado do ovo como um elemento simbólico central da trama desperta a curiosidade sobre as possibilidades do uso desse elemento dentro da história. Apesar de um pouco confuso, este anime parece promissor. Vale ressaltar que a estratégia de dar poucas informações a respeito do anime funcionou, pois despertou a curiosidade dos telespectadores a respeito do anime.

Por fim, a abordagem lúdica a respeito de um tema tão sério como o bullying é um ponto interessante, mas isso não quer dizer que uma abordagem mais direta e visceral seja uma opção narrativa ruim. Ambas as abordagens são válidas e têm os seus propósitos. Mesmo não tendo uma abordagem mais agressiva, a maneira que esse tema foi retratado choca, pois há cenas de forte impacto.

Muito obrigado a todos que chegaram até aqui, e até o próximo artigo!

  1. Avatar

    Oi, queria dizer que a sua escrita é????? maravilhosa????? o anime é incrível, isso eu sei, mas o jeito que você escreveu esse post foi????????????????? não me julga, eu realmente gostei das suas analogias e escolha de palavras. Achei digno, achei o máximo. É noix

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