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Eu nem estava me incomodando ainda com o fato de tudo sempre dar certo para o professor Koro, mas aí está, como esperado, ele também pode errar. E não um erro tolo como os que ele vive cometendo e que compreendem parte considerável do humor do anime, mas um erro grave, um erro que ele simplesmente não poderia cometer. Ele falhou na profissão que escolheu, no local que escolheu. Não é difícil de entender o que isso significa, todo mundo já deve ter passado por isso, uma situação onde você assume uma responsabilidade mas falha. Claro que ainda não foi uma falha fatal, ele continua sendo professor, mas é o tipo de falha que, cometida várias vezes, colocaria em jogo a própria capacidade dele em ser um professor.

E espero que esteja gostando da minha abordagem ao analisar esse anime, sempre me concentrando no enredo e nos personagens de Assassination Classroom sob a ótima educacional. Especialmente depois desse episódio, eu vi bastante gente, inclusive gente séria e muito mais importante do que eu, que não trata anime só como um hobby, falando que agora sim, Assassination Classroom tinha mostrado sua verdadeira face e estava ampliando seu escopo para se tornar também uma série de ação. Eu sustento que ainda não foi dessa vez! Em que se pese a relevância do combate físico nesse episódio, ele ainda é só mais uma metáfora para uma situação escolar, qual seja: o professor que reage mal, com orgulho e arrogância, quando um aluno especialmente bom o desafia. É desse ponto de vista que escrevi esse artigo.

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O tal “irmão” do professor Koro se chama Itona e, como era mais provável de ser, é irmão apenas no sentido de ter os mesmos poderes. Ou mais especificamente, os mesmos tentáculos. Mas o corpo dele é aparentemente humano, e seus tentáculos ficam apenas nos cabelos, diferente do professor Koro que até onde deu para entender parece ser uma cabeça esférica com um monte de tentáculos. Me surpreende um pouco que tenham criado outro ser potencialmente tão poderoso quanto o Koro, mas em compensação ele tem corpo humano e é só uma criança com uma personalidade horrível e simplória, devem contar que seja muito mais fácil manipulá-lo do que ao polvo amarelo.

Como era óbvio, ele veio para matar o professor também. E o responsável por ele, que se identificou apenas como Shiro (branco, em japonês), admitidamente apenas um apelido, ficou junto o tempo todo. Embora seja um estudante transferido Itona não se preocupa em comparecer à aula. Ele demonstra não ter sequer noções de vida social básicas, e faz isso logo na sua primeira cena durante o episódio quando entra através da parede na sala de aula. Se ele estivesse tentando mostrar aos demais alunos e especialmente ao professor o quanto ele é forte, vá lá, seria apenas um psicopata. Mas não. Ele queria mostrar à parede que ele é mais forte do que ela, se for para aceitarmos suas palavras ao pé da letra. E por bizarro que seja, não vejo motivos para não aceitar. Ele deve mesmo ter tido uma criação muito rígida e inumana.

Itona vai embora da aula após se apresentar, mas retorna assim que ela acaba. Está convencido de que derrotará o professor Koro, e de fato ele chegaria bem perto disso. Caindo em um truque barato, antes de saber o verdadeiro poder do Itona o professor Koro aceita os termos da luta propostos pelo Shiro, que dizem que quem sair do ringue improvisado com carteiras primeiro está morto. Assim, para não ser derrotado e desacreditado em frente aos seus próprios alunos, o que colocaria em jogo sua própria vocação como professor, ele não pode fugir. Mas está tudo bem, não é? Ninguém pode enfrentar uma criatura que se move à mach 20, basta aguardar a primeira oportunidade para colocar Itona gentilmente fora do ringue … ou isso foi o que Koro acreditou, no primeiro momento em que foi arrogante. Em seguida ele descobriria o erro que cometeu quando o garoto revelou que ele também tem tentáculos que se movem à mach 20. Agora Koro está lutando contra uma criatura de poder comparável ao dele, mas que ele não pode ferir porque é um aluno seu!

A coisa piora quando Shiro, do lado de fora do ringue e sabido dos pontos fracos do Koro, usa contra ele uma frequência de onda que enrijece suas células fazendo cessar seu movimento. O professor apanha de verdade, perde vários tentáculos e precisa lançar mão do recurso de trocar de pele para escapar de um ataque certeiro. Tudo isso o cansa e o deixa mais lento, tornando-o um alvo ainda mais fácil para Itona, especialmente com a trapaça de Shiro. Bom, seria trapaça se a intenção não fosse o assassinato, não é mesmo? A partir do momento que se objetiva matar alguém, cessam os valores morais que julgam o que é justo e o que é injusto. O professor Koro possui apenas um trunfo: ele é mais experiente. Assim, ele consegue vencer.

Se os tentáculos do Itona são mais rápidos que os dele, basta neutralizá-los, certo? O professor faz isso pegando rapidamente as facas de borracha dos seus alunos e usando-as como um escudo contra um ataque de Itona que de outra forma teria sido fatal. Com isso o garoto perde seus tentáculos temporariamente, Koro usa sua pele recém trocada como um saco para prendê-lo enquanto ainda está pasmo e o arremessa para fora da sala de aula. Bastaria ter jogado além das carteiras, mas ele jogou além da parede, literalmente. Não que o Itona tenha se ferido, até porque não só ele é bastante forte como estava dentro da pele do professor, mas ele foi derrotado de uma forma humilhante, em frente de todos os seus companheiros de classe. E o professor Koro ainda se vangloriaria disso enquanto dizia ao garoto que ele jamais o derrotaria.

A questão aqui é de tom mais do que das ações em si. Ele precisava vencer o garoto, e venceu. Mas não precisava tê-lo arremessado através da parede. Não precisava ter usado um tom triunfal para gabar-se de sua experiência superior enquanto passava um sermão no Itona. Imagine um aluno genial qualquer que desafie seu professor em uma matéria ou um assunto no qual ele seja especialmente bom, apenas para o professor, ao invés de incentivá-lo, humilhá-lo logo em seguida dizendo que ele pode até ser bom naquilo, mas o professor é bom em todo o resto. Na prática, foi isso o que o professor Koro fez. Ora, ele não vive dizendo que ensina a seus alunos como matá-lo? É só da boca pra fora para ele não se arriscar a fazer isso com quem realmente é capaz de matá-lo?

Até então apenas Karma e Ritsu haviam se mostrado adversários difíceis, mas mesmo assim são gigantescamente mais fracos que o professor, e não há quantidade nem qualidade de aulas que me façam crer que eles um dia terão chances de matar o professor. Mas Itona pode matá-lo a qualquer momento. E ao contrário de Karma e Ritsu, Itona é humilhado, exposto ao vexame público, tem que ouvir que jamais matará o professor, não escuta um só elogio decente muito menos palavra de incentivo, e ainda, pecado dos pecados, o professor Koro tem a audácia de condená-lo a ir às aulas, como se a escola subitamente tivesse passado a ser uma punição. Qualquer um se irritaria nessa situação, então não é de se espantar que Itona tenha se irritado, seu professor já havia falhado com ele de diversas formas diferentes, mas em particular nesse aspecto ele falhou em levar em conta o estrago que o aluno é capaz de causar caso se enfureça e resolva descontar sua raiva aleatoriamente. Talvez algo muito ruim pudesse ter acontecido se Shiro não estivesse preparado para uma situação dessas e não tivesse posto Itona para dormir com tranquilizantes. Koro ainda emite uns muxoxos de protesto enquanto Shiro leva Itona embora dizendo que o garoto não voltará logo para a escola, mas teve que aceitar resignado o desfecho de seus próprios erros. Esse aluno Koro perdeu e por culpa de suas próprias ações, agora vai ser muito difícil recuperá-lo.

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