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Sim, eu vou continuar usando os títulos das músicas tocadas nos episódios como títulos dos artigos. Apenas me aguente. De todo modo, mais uma vez, há sim relação entre a música e o episódio, o que torna tudo muito mais interessante. Tão interessante que estou até ouvindo essa música enquanto escrevo esse artigo. E a música do episódio é a Sinfonia #9, de Dvorak, conhecida como “Sinfonia do Novo Mundo”, ou apenas “Do Novo Mundo”.

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Dvorak foi um músico checo do final do século 19, famoso até hoje. Em particular, sua nona sinfonia é sua peça mais famosa. Tão famosa que se você assiste One Piece ou assistia alguns anos atrás, as chances são grandes que você já a conheça: no combate contra Crocodile é a música que toca na cena final, quando o pirata do chapéu de palha finalmente derrota o vilão arenoso. Mais especificamente, toca o quarto movimento dela. Nesse episódio de Euphonium, Reina tocou seu segundo movimento, que é bastante distinto do outro (e que no começo tem uma sequência que lembra Ode à Alegria, o quarto movimento da Nona Sinfonia de Beethoven, provavelmente uma das músicas eruditas mais famosas, senão a mais famosa; e que tocou no episódio dessa semana em Kekkai Sensen, você assistiu? Reconheceu? hehe). Voltando à Dvorak, parte de sua carreira foi nos EUA, onde ele foi diretor de um conservatório de música em Nova Iorque (que não existe mais). Ele ficou realmente impressionado com os EUA, tendo escrito vários artigos dizendo como ele acreditava que para a criação de uma identidade musical própria, legitimamente americana, os EUA precisavam prestar atenção às músicas negras e indígenas. Quanto aos indígenas eu não sei, mas pelo pouco que conheço (música não é minha praia, admito) acredito ser inegavel a contribuição cultural dos negros para a música americana. Ele se encantava com os cenários americanos também, como as imensas pradarias. E nos EUA e sob essas influências, misturadas com sua própria bagagem cultural europeia, Dvorak compôs sua Nona Sinfonia.

O “Novo Mundo” que as garotas descobrem na banda do Colégio Kitauji não é assim tão positivo quanto os EUA foram para Dvorak. Uma das primeira coisas que os primeiro-anistas notam é a quase ausência de segundo-anistas na banda, o que, convenhamos, é estranho. Conforme se estabelece a rotina de treinos e ensaios os problemas vão ficando mais evidentes: a maior parte dos membros da banda não é realmente esforçado. Aliás, esforço é algo que para algumas pessoas ali deve ser um conceito alienígena. E mesmo assim a decisão por tocar para chegar no concurso nacional foi quase unânime, como pode? Podendo. É bem fácil até. Porque para quem não se importa, não se importar ensaiando para nacional ou para não nacional dá na mesma. A diferença é que levantar o braço dizendo que não quer ir para o concurso teria feito eles ficarem parecendo fracos, folgados, sei lá, escolha uma característica de perdedores ou traidores aí. E mais do que isso, não é como se tivessem com vontade de não ir para o nacional também. É tanto faz, então se tanto faz, é melhor um tanto faz que seja mais socialmente aceitável. Só uma garota (até onde eu sei) votou contra. Curiosamente, a impressão que tive dela é que ela gosta de música, que ela gostaria sim de poder chegar a um torneio desses, apenas não tem tempo para isso. O conselho que ela dá para Kumiko no episódio anterior faz ainda mais sentido agora: ela disse para a protagonista não desperdiçar seu tempo, porque três anos passam rápido. Kumiko, indecisa e passiva, com certeza é, das quatro personagens principais, a que mais precisa desse conselho. Se ela quer conseguir algo, tem que fazer agora. Mais tarde pode ser tarde demais não importa o quanto ela queira.

Não apenas a maioria dos membros da banda é de folgados e gente sem intenção de se esforçar, como eles acreditam que estão certos e defendem essa posição confortável. Quando o instrutor joga na cara deles o quanto são ruins eles se revoltam. O clube para de funcionar e os líderes de sessão estão com um belo abacaxi para descascar também. Agora, eu não acho que esse instrutor seja um bom instrutor. Já havia questionado a votação aberta do episódio anterior, que não foi ideia dele mas ele permitiu, e veja só o resultado. Em uma votação secreta ninguém se sentiria tão forçado a votar “bonito” e talvez a opção pelo concurso tivesse perdido. Nesse episódio ele abandona os alunos à própria sorte, apenas diz que eles não sabem tocar juntos e é isso. Até mesmo a forma como ele diz tudo isso é dura, cruel. Ele está certo no que diz, mas da forma como diz só está exacerbando os brios dos alunos que vão rejeitá-lo mesmo. E a ausência dele deixa todos da banda perdidos, líderes, esforçados e folgados. A maior frustração, naturalmente, é das novatas que estão com vontade de fazer e acontecer mas o que elas podem contra tantos veteranos? É nesse contexto que Reina extravasa sua raiva e angústia tocando sozinha o segundo movimento da Nona Sinfonia de Dvorak. E gritando em seguida. Curiosamente, embora pareça estar frustrada sim, Kumiko é a que parece menos frustrada. Além de assistirmos a história da banda, parece certo que veremos também um bocado de história de crescimento pessoal.

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