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Ou: Ataque dos Titãs 2 – ep 10 – O ciclo de vida de um titã

Fiquei positivamente impressionado após assistir esse episódio. A história em si não avançou nada, e o pouco que andou era bastante previsível dado o final do episódio anterior, mas isso não é um problema – embora eu tenha uma coisinha para falar sobre isso, mas antes o que vem antes.

O que me deixou realmente satisfeito com esse episódio foi ele ter sido um flashback que realmente fez diferença para o anime. O flashback da Ymir nesse episódio não serviu apenas para contar a triste história dela, que é uma personagem secundária com quem eu nem me importo tanto assim, mas também para lançar um pouco de luz sobre os mistérios que encobrem Ataque dos Titãs.

Se você lê o mangá talvez ache esse artigo chato. A maior parte dele será especulação a partir do que eu vi nesse episódio mais algumas coisas já previamente sabidas. Se eu falar algo que já foi desmentido, por favor não se desespere, não fique frustrado, nervoso, e muito especialmente não dê spoiler. Aliás, não dê spoiler nem se ficar plenamente satisfeito com tudo o que eu disser e se eu por algum acaso do destino acertar cada detalhe da especulação que vem a seguir. Comentários ambíguos bem humorados são bem-vindos, porém.

Eu sempre achei o mundo de Ataque dos Titãs tecnologicamente anacrônico. Uma organização social que lembra a Europa renascentista, recém-saída da Idade Média, convivendo com tecnologias como comida enlatada e bombas de ar comprimido. Mas se esse cenário for pós-apocalíptico então isso pode fazer sentido. Qualquer cenário onde a humanidade está reduzida em número e sob risco de ser varrida do mapa é grande candidato a pós-apocalíptico, mas as poucas informações que o anime revela não permitem concluir que esse seja de fato o caso. E mesmo se assumirmos que é sim pós-apocalíptico, ainda falta saber como era o mundo do pré-apocalipse. Até esse episódio, como já disse mais de uma vez, só o que havia era uma miríade de perguntas sem nenhuma resposta. Agora isso começou a mudar.

Não que o flashback da Ymir tenha dado respostas ou que não tenha ele próprio acrescentado sua dose de novas perguntas, mas os indícios ali contidos diminuem o conjunto universo das respostas possíveis. O que se viu no flashback foi uma sociedade sem sombra de dúvidas já na Idade Contemporânea, considerando vestuário de soldados e civis, em particular os óculos que pelo menos um civil é visto usando, é razoável afirmar que se trata de uma sociedade europeia entre os séculos 18 e 19. E tem a comida enlatada também, não nos esqueçamos dela. Pode ser anacronismo do autor, mas quero pensar que é de caso pensado e isso seja mesmo a realidade pré-apocalíptica em Ataque dos Titãs. Pequenos detalhes que se acumulam dessa forma não podem ser por acaso – ou ele estudou e sabe o que está fazendo, ou ao reproduzir detalhes da sociedade da época está reproduzindo também seus avanços tecnológicos.

Ymir e os membros de sua seita alinhados para a punição

A armação para óculos com hastes que se apoiam nas orelhas por exemplo é uma invenção do século 17. Já a comida enlatada só seria inventada no século 19. No caso dos óculos, há o detalhe extra que não se pode ignorar dele ser visto usado por uma pessoa comum, um popular. Com certeza aquela invenção não era recente, para já ter se tornado barata o suficiente para um mero pequeno burguês ou operário utilizar frivolamente enquanto anda pela rua e apedreja condenados. Claro que alguma liberdade criativa há de se conceder ao criador, mas considerando todas as evidências combinadas torna-se pouco provável imaginar que Hajime Isayama tenha copiado toda a estética da sociedade europeia do século 19 e seus avanços tecnológicos para contar uma história que se passe durante a Idade Média – ou em qualquer outro período histórico.

O sujeito de óculos

Ainda resta a dúvida sobre a localização do mundo de Ataque dos Titãs. Pode ser um mundo completamente diferente, por acaso semelhante à Europa Vitoriana (inspirado por ela), ou pode ser uma fantasia que se passe no nosso próprio mundo. A segunda alternativa é muito mais interessante e exige mais fidelidade na retratação histórica, sendo portanto mais restritiva mas ao mesmo tempo exigindo que o autor explique menos coisas, podendo portanto se focar mais no que é realmente importante para a história que ele quer contar. Não há ainda informações suficientes para mais do que um chute sobre essa questão, mas vou arriscar que seja, de fato, o nosso mundo.

Da onde vieram os titãs e para onde eles vão? Todo mundo é titã? Todo mundo pode se tornar titã? Há uma mutação genética que transforma (ou torna suscetíveis à transformação) algumas pessoas em titãs? E o orangotango, a baleia e os dinossauros? Ok, esses eu vou ignorar por enquanto. Em um flashback curtíssimo e pouco compreensível na primeira temporada, é exibido o Eren tomando uma injeção de sei lá o quê, aparentemente de seu próprio pai. No flashback da Ymir, é exibido ela tomando uma injeção antes de ser chutada muralha abaixo. Então pessoas podem ser transformadas em titãs! Não que isso seja exatamente novidade.

Por que punir pessoas transformando-as em titãs? Esses gigantes podem te comer depois.

Já sabíamos, e esse episódio aproveitou para confirmar, que os habitantes da vila do Connie haviam sido transformados em titãs. Porém uma coisa não bate: é aceitável que uma pessoa seja transformada em titã após ter nela injetada um, sei lá, soro titânico. Mas uma vila inteira? Durante o dia? O que aconteceu ali com certeza foi algo distinto. E muito provavelmente tem a ver com o Titã Orangotango, que deve ser também quem tem a capacidade de fazer titãs se moverem durante a noite. Ou talvez esses dois – os titãs gerados pelo Orangotango e os titãs gerados pelo soro – sejam espécies diferentes. Isso faria algum sentido.

O Connie é um idiota, quase torci pra Ymir comer ele

Logo em sua primeira transformação é mostrado que o Eren está dormente no pescoço de seu alter-ego titânico. Não vimos como foi a primeira transformação da Ymir para comparar. Mas eu já olhei em várias cenas, de batalhas diferentes, mais de uma vez, e nunca vi nada nos pedaços arrancados dos pescoços dos titãs que permitisse supôr que ali havia algo diferente. Não havia nada, era só pescoço mesmo. Talvez seja apenas um estágio do desenvolvimento de um titã? A Ymir passou décadas enlouquecida, enfurecida, animalizada. Chegou a adormecer assim e foi enterrada pelo tempo, literalmente.

Isso é vore (não recomendo pesquisar o que é vore)

Talvez o corpo titânico funcione como uma crisálida para a mutação de um ser humano? Bom, se for o caso, então o Eren não se transformou em titã pela primeira vez naquele fatídico dia em que salvou a vida do Armin, e talvez seja bem mais velho. Ele apenas não se lembra de nada, como a Ymir não se lembra – mas a Ymir só esqueceu de seu tempo como titã, não do que veio antes. Enfim, se for para apostar, eu não colocaria meu dinheiro na hipótese da crisálida que acabei de elaborar, considere-a apenas um exercício de pensamento. Mas há, sim, uma mudança mental importante, uma evolução – é por isso que o Eren quase não conseguia se controlar, enquanto alguns titãs são até capazes de falar (bom, a mãe do Connie é um caso à parte quanto à habilidade de articular palavras).

Sobre o pouco de história que o episódio teve há apenas um comentário que eu gostaria de fazer: os soldados estão sendo bastante temerários nessa missão de resgate do Eren, não é? Em que pese a importância que ele tem, estão conscientemente arriscando demais suas vidas, muito mais do que jamais vimos em qualquer outra missão. É quase inverossímil, mas não acho que chegue a ser um problema. Não vou implicar com isso a essa altura, especialmente em um episódio que, se não foi o melhor episódio do anime ainda assim merece a enorme distinção de ter começado a elucidar alguns dos mistérios de Ataque dos Titãs.

O Hannes vai morrer, certeza

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