Já sabe-se qual vai ser o grande conflito da série. São aqueles assassinos de twilights, não são? Se bem que … para quem eles trabalham? E eles próprios não são twilights? Se não forem, como mataram até mesmo pelo menos um A/0? Parece que há algo maior acontecendo. O que os líderes de Ergastulum têm a dizer? Será que um deles é culpado? Bom, tirando um deles, todos são do partido pró-twilight, se me permite chamar assim, e ele assegura que jamais trabalharia com twilights. É alguém de fora? Quem? Por quê? O que existe fora, afinal de contas?

A Alex veio de “fora”, mas até agora ela não ajudou a resolver esse quebra-cabeça – o que é compreensível, com toda aquela abstinência alucinógena e tal. A maioria das pessoas não fala sobre o mundo de fora (ou sequer sobre o de dentro) porque, você sabe, pessoas não costumam ficar explicando coisas para expectadores invisíveis. A maioria dos demais animes pode ter nos deixado mal acostumados com isso, mas apenas olhe ao seu redor e constate que pessoas normais não começam a contar aleatoriamente toda a história do Brasil cada vez que uma questão política ou social se torna assunto. Em Gangsta, como no mundo real, é preciso ver com os próprios olhos. Construir a narrativa através de fragmentos. E até agora isso havia sido feito de forma indireta enquanto a história do Nicolas e do Worick era contada.

Sabe-se que houve uma guerra no passado onde soldados tiveram suas habilidades físicas ampliadas com o uso de drogas. Eles se tornaram dependentes delas e seus filhos nasciam dependentes das drogas também – esses ficariam conhecidos como twilight. Se ser dependente de drogas desde o nascimento já é uma porcaria, ela ainda não é a pior parte: eles costumam nascer com variadas deficiências e têm vida curta, raramente chegando aos 30 anos de idade. Nesse momento eu questiono se esse limite não decorre simplesmente do fato deles serem com frequência usados como mercenários, já que essa não é mesmo uma profissão que traga mesmo grande expectativa de vida. Isso e os assassinatos aleatórios por pessoas preconceituosas sem dúvida devem no mínimo ser parcialmente responsáveis pelo “limite” de 30 anos de idade. Falando em assassinatos e preconceito, sabe-se também que houve uma espécie de grande invasão ou rebelião na cidade exatamente para matar twilights há cerca de 15 anos atrás. Ergastulum se conecta ao mundo exterior através de “portões” e criaram um código não escrito de apenas três leis para preservar a vida dos twilights (que na verdade só os subjugam; em nome de libertá-los da escravidão essas leis os escravizam). Esse é o conhecimento do mundo que Gangsta passou até agora.

Esse episódio foi importante por confirmar visualmente que a cidade é de fato uma “prisão” e os portões são reais, guardados por soldados armados certamente obedientes a qualquer que seja a força política fora de Ergastulum. Suponho que exceto criminosos, twilights e outros casos particulares, qualquer um possa entrar ou sair. Pelo menos essa é a imagem que o Portão Leste passou. O Portão Oeste talvez seja um lugar mais brutal dada a informação de que lá teriam ocorrido batalhas das quais quase ninguém voltou com vida. Por que pessoas iriam querer ficar em Ergastulum se pudessem sair? É por que gostam demais dos twilights? Ora, pelo menos uma família (de quatro) que governa a cidade discorda dessa hipótese. Talvez continuem por lá apenas porque o negócio é lucrativo, mas talvez haja bem mais em jogo – não é só as áreas que são divididas entre as quatro famílias, mas as próprias funções na sociedade. Uma monopoliza o mercado de armas, outra comanda a guilda de mercenários twilight, outra está no comando do contrabando da droga que os twilight precisam, e a última, er, não entendi muito bem, talvez o Monroe tenha uma floricultura? Não importa, você entendeu a ideia. Se nem todos estão lá apenas porque gostam muito e querem proteger os twilight, então por que continuam vivendo lá? Pelo deslumbrante pôr-do-sol de Ergastulum? Se não é por um twilight deve ser pelo outro, certo? Ok, piada horrível.

Mas eu queria falar sobre as famílias para destacar que, embora pareçam ter porções iguais de poder na cidade, elas não estão, de verdade, em equilíbrio. A família Cristiano, responsável pelas drogas, está indo à falência. E talvez isso tenha muito a ver com o hábito que eles têm de proteger os twilight, muito embora supostamente por serem os distribuidores da droga celebrer, que os twilight precisam, eles são proibidos de ajudá-los. Eu fracassei completamente em entender a lógica por trás disso, mas tudo bem. Assim, eles realizam eventos falsos que servem como refúgio para os twilight e contratam serviços de terceiros para protegê-los. Isso pode ter impacto futuro na estabilidade de Ergastulum, por isso achei importante mencionar. Outra coisa realmente digna de nota foi perceber que há muito mais twilights do que parece em Ergastulum, e a maioria esmagadora deles é de gente normal, não de soldados maníacos. Eles têm famílias e filhos. E, parece, estão sendo alvos de uma recente onda de violência assassina – será que é recente mesmo? Os episódios anteriores deram a entender que sim, mas não tenho certeza. Talvez a cidade seja majoritariamente habitada por twilights? E de tempos em tempos pessoas normais da cidade e de fora dela assassinam um ou dois ou mil deles apenas porque sim. O que será que as pessoas de fora de Ergastulum pensam da cidade?

Talvez isso seja revelado em breve graças ao aparecimento do irmão da Alex. Aquele é o irmão da Alex, não é? No contexto em que foi apresentado não é possível que seja qualquer outra coisa. Ele até veio do Portão Leste (foi quando o portão foi visível), o mesmo lugar de onde Alex veio. Não conseguiu se encontrar com a irmã ainda, mas acredito que isso se dará no próximo episódio. O que será que ele veio fazer? Apenas uma reunião de família emocionada? Alex irá embora com ele? Terá ele procurado saber o que aconteceu com ela durante anos e só agora descobriu? Será que ele vai ter desentendimentos com Worick e Nicolas? Ou com a própria Alex? Acima de tudo, espero que ele conte um pouco mais sobre o mundo do lado de fora.

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