[sc:review nota=4]

Vamos lá, agora fiz minha lição de casa direito. Utawarerumono é um jogo, mais especificamente um RPG em formato de Visual Novel (e no estilo antigo, com poucas e raras escolhas, ou seja, um RPG sem o RP). A versão para PC dele é também um eroge. Foi portado para outras plataformas, teve mangás e já teve um anime em 2006, que não faço ideia de como seja. Lá como cá, a história começa com garotas encontrando um amnésico ferido ou em apuros. Não continuei minha pesquisa a partir daí para não correr risco de tropeçar em spoilers (sou muito chato com isso), mas acho que já dá pra ter uma boa ideia, não é?

Sendo um RPG e de acordo com a animação de abertura é uma pena, mas parece que combates e violência em geral farão parte desse anime. Gostei muito do ritmo do primeiro episódio, mas talvez ele fosse só parte da cota “eroge” (embora tenha tido apenas uma cena sugestiva: quando a Kuon bisbilhota o Haku no banho). Quer saber? Estou nem aí, vou manter minhas esperanças e avaliar esse anime de acordo com elas. Como diz aquela raposa chata do único livro que todo mundo já leu (ou diz que leu), Utawarerumono tem que se responsabilizar por ter me cativado. Ponto.

E nem é que eu não goste de ação. Eu gosto de todos os gêneros (menos boys love, é algo hormonal mais forte do que eu, não dá – mas já li hentai e soft-porn com trap, conta?). Mas se me entregam um primeiro episódio slice of life de um amnésico perdido no mundo e na vida tendo que aprender a viver em sociedade enquanto muito lentamente talvez um relacionamento romântico possa estar pintando lá no horizonte, é isso o que eu quero ver. E não magos com trejeitos da capital fazendo danças ridículas para matar centopéias grandinhas. E tem isso também: o que foi aquela dança? É suposto que isso seja um anime de ação ou pelo menos tenha ação? Ou é só comédia mesmo? Nada contra o personagem do mago em si, esse nem fede nem cheira e cumpriu um papel importante no episódio.

Mas vou falar do desenvolvimento do Haku, que é o que me interessa. O cara é inteligente pra caramba hein? Nível gênio. Quero dizer, ao falar sobre isso é necessário dar a devida advertência: se o cara mais burro da sua turma no colégio (se você não sabe quem é, talvez seja você!) fosse transportado para a idade média ele também seria um gênio. Inteligência funciona assim, simplesmente. Ou melhor, o desenvolvimento da civilização funciona assim. Somos mais altos, vivemos mais e somos mais inteligentes que nossos ancestrais medievos. Tem a ver com qualidade de vida, tempo de ócio, estímulo à criatividade, disseminação de conhecimento, um monte de coisas. Com inteligência isso é particularmente agudo: as tabelas dos testes de QI precisam ser constantemente atualizadas, pois estamos ficando inteligentes rápido. Eu assisti o primeiro episódio e vi o Haku consertando a roda dágua enquanto pensava nas quinquilharias como despertadores de corda e brinquedos sortidos que eu consertei quando era criança. As porcarias não funcionavam, eu abria, entendia o funcionamento, e consertava. Uma roda dágua é um conjunto de engrenagens e, talvez, polias, não pode ser muito mais complexo que um despertador. Sim, eu acho que teria conseguido consertar também. Não que eu ache que o roteirista do anime tenha pensado nesse fator histórico, mas enfim.

De todo modo não foi só isso: Haku foi estabelecido como um gênio mesmo para os nossos padrões quando fez todas aquelas contas de cabeça instantaneamente. Eu consigo fazer aquelas contas de cabeça, mas vou levar uns bons dez minutos nisso. Haku escuta os números e já sabe a resposta (talvez ele tenha visto o caderno da Kuon antes e estivesse só zombando dela? hahaha). No mínimo, ele é alguém que tinha muito pouco o que fazer e ficou treinando isso. Mais ou menos como malucos que treinam pra resolver cubos mágicos em segundos e outros “gênios muito específicos” que fazem coisas super inúteis em pouco tempo e com maestria. A Kuon, por outro lado, tive a impressão que pelo menos uma das funções dela é a de mercadora, e se não for, na sociedade em que ela vive o comércio parece importante e frequente na vida de todos. E mesmo assim ela errou uma conta fácil por grande margem. Assim você me decepciona, Kuon. Fazer a Kuon parecer mais estúpida só para dar espaço pro Haku parecer mais genial me decepciona, Utawarerumono.

E isso foi esse episódio: mostrar como o Kuon é bom da cuca (apesar de eu ainda achar que ele tem algum problema psicológico). Nada é dito sobre as memórias perdidas dele. A impressão que eu tive dele é que nem liga para quem era mesmo (e liga pouco para quem é agora), então não me estranha que ele nem esteja pensando nisso. Mas e a Kuon? Talvez não tenha tido oportunidade nesse episódio, um pouco corrido com as centopeias e coisa e tal. Ou talvez ela prefira ele assim: vai que ele começa a se lembrar e vai embora? Talvez ela esteja se apegando? Vamos ver. O que será que aquela maldição tem a dizer sobre o Haku? Segundo episódio consecutivo em que ela pareceu especialmente interessada nele.

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