Nesse episódio, ao invés de contar o antes e o depois de alguém do Escritório de Super-Humanos, como os dois anteriores, Concrete Revolutio focou em um detetive que antagoniza o protagonista Jirou nas duas linhas do tempo. O detetive tem seus motivos pessoais para não gostar de super-humanos e tenta levar isso às últimas consequências. A outra personagem do episódio é a melancólica androide Mieko. Uma máquina de guerra. Procurando seu parceiro para evitar que ele seja enviado para a guerra.

Para tirar logo a história dos androides do caminho: um casal foi feito durante a guerra (há uma guerra no passado antes do passado desse anime, é bom sempre lembrar disso), Tipo A Mieko e Tipo B Handa. Fingindo ser pessoas, eles deveriam se infiltrar e se encontrar, e então os dois juntos se tornariam uma arma suprema. O anime não diz quantos casais desses foram feitos ou se a Mieko e seu parceiro eram tipos únicos. O fato relevante é que ao fim da guerra foram separados. Eles eram programados para se encontrar, e para alguém vendo de fora essa programação deles seria indistinguível de amor, e sem utilidade após o fim da guerra foram programados a se separar. Algo aconteceu e a Mieko retomou seu programa original. A pesquisa e desenvolvimento em robótica continuaram e ela consegue detectar artefatos feitos com tecnologia semelhante ao seu parceiro.

O que quer que tenha acontecido nesses anos, foi determinante para a mudança de Raito

O que quer que tenha acontecido nesses anos, foi determinante para a mudança de Raito

O detetive Raito também é um androide, mas suas circunstâncias são bem diferentes. A história dele é parecida com a do Robocop: uma pessoa normal morta por uma organização maligna que foi ressuscitada como um robô. Mas bom, no caso dele “ressuscitar” é um pouco forte demais, pois ele é um androide completo, o que o faz ainda ser o detetive Raito é ter sido programado com as memórias e personalidade do humano que havia morrido. Isso deve gerar uma crise de personalidade violenta e apenas lamento que isso tenha ficado evidente em apenas um momento durante todo o episódio, quando ele estava ferido e o Jirou parou para ajudá-lo segundo o princípio de que é dever dele ajudar super-humanos: super-humano nada, ele é humano, murmura Raito. De resto, o detetive odeia super-humanos e acha que todos são uma ameaça em potencial, devendo ser vigiados e contidos, e caso transgridam as leis, destruídos. Assim, o detetive Raito é uma mistura de Robocop que deu errado com mutante anti-mutante de X-Men. Como eu dizia: problemas de personalidade violentos.

A frustração de Raito após ser rejeitado por Mieko

A frustração de Raito após ser rejeitado por Mieko

No meio desse embate de ideais entre Raito e Jirou está Mieko, a androide que não nega o que é e apenas quer reencontrar Handa, seu parceiro. Amor verdadeiro? Jirou quer acreditar que sim, mas é prontamente negado por seu pai (ele tem um pai! que não se parece com ele, o que é bastante suspeito – e creio que o próximo episódio irá tratar exatamente disso), que por acaso é um cientista que teve algum contato (não trabalhou diretamente) com o projeto dos androides e tinha conhecimento de sua tecnologia. A propósito, para tornar o episódio mais interessante, Raito era um androide construído com essa mesma tecnologia, e houve contato e reação entre os dois. Ao final da história da linha do tempo do passado, toda a verdade é revelada para Mieko e o detetive Raito mostra uma ligeira mudança de sentimentos, não querendo mais destruí-la mas protegê-la. Arrasada com a verdade sobre seu sentimento, contudo, Mieko se auto-destrói no fundo de um lago.

O último sorriso de Mieko, agradecendo pela gentileza de Raito

O último sorriso de Mieko, agradecendo pela gentileza de Raito

Ou era isso que ela queria que acreditassem. Na verdade ela apenas se desativou. E é aí que começa a história na linha do tempo presente. Raito já é ex-detetive e procurado, como Jirou, mas eles não estão juntos. Segundo entendi, Reito encontrou e chamou Handa de volta, e reativou Mieko com o intuito de que os dois se unissem e se tornassem uma poderosa bomba. Ele entendeu que a arma na qual eles se transformariam seria uma bomba, mas estava errado. Também estava errado sobre os androides. Eles não estavam apenas seguindo uma programação, mas para eles aqueles eram realmente sentimentos reais. O amor e o desejo de justiça dos robôs eram, de algum modo, verdadeiros. Jirou chegou na cena e confrontou Raito mais ou menos com essas palavras quando reativou Mieko ali mesmo e os dois robôs puderam finalmente se reunir – e se tornar um terceiro robô, não uma bomba. O sentido de justiça deles dizia que o injusto ali era o Raito, e não pretendiam seguir seus planos ou ordens. O episódio termina com Raito abandonando o que lhe resta de humanidade e enfrentando Jirou. Antes disso ele já estava disposto a morrer, não duvido que essa tenha sido sua última batalha.

A reação de Mieko ao detectar seu parceiro (um alarme falso, aliás) foi robótica, mas esse sorriso parece bastante humano

A reação de Mieko ao detectar seu parceiro (um alarme falso, aliás) foi robótica, mas esse sorriso parece bastante humano

Vindo de um lugar diferente que o Jirou, o Raito parece ser sua contraparte. Não se sabe ainda o que aconteceu nesse intervalo de cinco anos (apenas que a cidade esteve “um caos” e que “vários jovens morreram”, conforme Raito disse nesse episódio), mas o que quer que tenha sido levou Jirou e Raito a abandonarem suas antigas posições oficiais. Mas enquanto Jirou continua tentando perseguir seu ideal, embora acabe tendo que enfrentar ex-aliados no processo, Raito enlouqueceu. Foi demais para ele, e agora quer apenas explodir tudo, literalmente. Ambos são super-humanos e ambos já foram humanos normais (no primeiro ou segundo episódio, não me lembro agora, o Jirou disse que ele era o único humano do Escritório de Super-Humanos) e se tornaram super-humanos. Jirou nunca deixou de ser humano, e Raito se afastou cada vez mais de sua humanidade. Essa contraposição mais ou menos justifica, ou melhor, reafirma, a necessidade que o Jirou tem da pureza de ideais do Fuurouta, exibido no episódio anterior: um super-humano abandonado sozinho às suas frustrações pode acabar como o Raito. O enredo está valorizando demais o suspense sobre o que aconteceu nesses anos, estou ansioso e espero não me frustrar.

Mieko reage ao toque de Raito

Mieko reage ao toque de Raito

  1. Confesso que fiquei chateada com um mundo cheio de garotas mágicas, super heróis, ultramans e derivados não existir inteligência artificial 🙁 Porque eu adoro IA e o anime não deu a entender que os robôs tinham vontade 100% própria.

    E por um momento eu torci para o que o detetive e a androide ficassem juntos 🙁

    Anyway, espero que o anime agora entre nos eixos e façam mais episódios como esse onde podemos sentir as diferenças do que aconteceu antes e depois do intervalo de 5 anos.

    Até agora tenho esses chutes:
    a) Uma guerra causada entre super humanos
    b) uma guerra civil de todo mundo
    c) uma combinação das das duas

    • Fábio "Mexicano" Godoy

      Eu acho que a ambiguidade aparente sobre o livre-arbítrio dos robôs foi proposital, pois é parte importante da convicção do detetive, mas acredito que em vários momentos durante o episódio, e principalmente no final, ficou claro que eles possuem uma programação suficientemente avançada para ser considerada uma inteligência artificial autônoma sim. E o próprio detetive é uma prova disso, afinal ele é 100% robô, a única coisa que o torna diferente da Mieko e do Handa é que o seu programa é baseado na personalidade e memórias de um ser humano específico. Ainda assim, é tão artificial quanto os outros, na minha opinião. Então fique feliz, eles têm livre-arbítrio =)

      Sobre o que aconteceu durante esses anos eu realmente continuo no escuro. Apenas não acho que seja algo da gravidade de uma guerra pois o mundo não parece ter mudado tanto assim, e o Escritório de Super-Humanos até onde pode-se perceber continua existindo como sempre, então não acredito em algo tão disruptivo quanto uma guerra. Mas certamente ocorreu algo muito grave.

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