Divertidamente ou não, esses dois são episódios complementares tratam de uma mesma temática geral (inclusive de um mesmo flash back contínuo), então, bem ou mal, sinto que seja até mais prático escrever esse artigo do modo como está sendo construído. Com esses episódios finalmente descobrimos a história completa da rixa entre Kamui e Umibozou que têm sido pincelada há centenas de episódios.

Mals pelo atraso pessoas, tive uma viagem de emergência semana passada e nem rolou escrever direito. Acabei tendo que priorizar certos artigos que tinham um tempo maior pra serem lançados e, bom, com um artigo tão dinâmico e de tão pouco tempo pra ser feito como o de Gintama (escrito dentro de 24 horas após o lançamento do episódio), não havia tempo útil para se preparar nada que pudesse ser postado.

A mensagem desse combo de episódios é abrangente, mas, em linhas gerais, Gintama realiza um ensaio questionando do que se trata a verdadeira força que se encontra em cada um de nós, temática muito comum em shonens. A busca pelo entendimento do que é a verdadeira força é o que move o nosso pequeno pirata espacial com tendências parricidas, Kamui, que como qualquer jovem em formação, tem que decidir quais influências externas e exemplos moldarão sua vida e maneira de pensar.

O número de influências externas que recebemos no dia a dia não é pouco, Durkheim diria que nos formamos a partir da coerção da sociedade em nosso modo de viver, é graças à pressão social e ao aprendizado que entendemos o que é certo e errado de se fazer. Enquanto isso não é de todo errado para as ideias gerais, na busca para abstrações sem resposta clara como “o que é a força”, “qual o sentido da vida” e similares, não vai ser a sociedade que vai te ditar como ver o mundo ( a menos que você viva em uma sociedade que força seus pontos de vista em seus conterrâneos, como a sociedade Europeia da idade média ou  o Estado Islâmico, mas isso é outra história que não abrange a situação de Kamui).

Kamui simplesmente foi se moldando conforme observava os exemplos de coragem que seus pais e conhecidos demonstravam. Kouka era corajosa a ponto de abrir mão de sua saúde para que pudesse viver e morrer ao lado de seu amado e seus filhos. Ela que sempre fora uma imortal estava plenamente preparada para finalmente vivenciar a morte, se isso significasse passar seus últimos momentos ao lado de sua família. A coragem de abandonar sua própria vida para passar momentos preciosos com seus familiares (ainda que mascarada com o egoísmo de querer ser feliz ao lado deles, ao invés de simplesmente viver) enquanto esperava Umibozo encontrar a cura de seu problema é o exemplo extremo de paciência. A coragem de Kouka era pautada em paciência e convicção do que fazia.

Não é à toa que paciência é uma virtude, e a pressa, um pecado. A pressa de Kamui em conseguir tirar sua mãe do perigo fez com que ele comprometesse a cura que Umibozo preparara para salvá-la, sendo, no fim, também um dos responsáveis pela morte dela. Umibozo jamais negou essa culpa, mas tinha convicção sobre ela. Se a coragem de Kouka era a paciência, a coragem de Umibozo era pautada em decisão. Ele sabia que o que estava fazendo punha sua mulher em risco mas estava disposto a mover o mundo para salvá-la mesmo que isso significasse não observar de perto o que seriam os últimos momentos dela, se atirando com toda sua forma contra o destino desesperado. Umibozou procurou pelo cristal de Altana que salvaria sua esposa, não importava se as chances eram poucas, ele havia tomado o fardo por sobre a vida dela e levaria esse fardo mesmo que fosse para o túmulo (o que foi basicamente o que houve no final desse episódio).

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