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Bom dia!

Apenas mais um episódio para o término da segunda temporada de Wake Up, Girls!, e o que você achou até aqui? Eu, sinceramente, gostei. Estou gostando. Passado o estranhamento inicial com o novo character design, já estou em paz com as garotas de novo. Animação terrível à parte e apesar de um embuste no lugar do episódio sete, a história teve um começo, meio, e tem tudo para ter um final coeso e coerente.

Se for para reclamar (ah, e eu vou!), Wake Up, Girls! mudou uma coisa que eu preferiria que não tivesse mudado. Não acho que ficou ruim, mas…

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Eu já escrevi em vários dos meus artigos sobre como eu normalmente não assisto animes de idols, mas esse anime em particular me interessou desde que li pela primeira vez a sinopse de sua então primeira temporada. Eu assinei o Crunchyroll só para poder assistir o primeiro filme! Uma coisa me atraiu em Wake Up, Girls! que eu nunca tinha visto em outro anime de idol antes: suas protagonistas têm um vínculo forte com a realidade.

Não, de forma alguma a franquia se aprofunda muito na indústria idol japonesa, mas dá um ou outro vislumbre que normalmente não se vê em animes do gênero. Mais do que a indústria em si, suas garotas parecem conectadas ao mundo real, de verdade. Indivíduos únicos, que eu poderia encontrar por aí (bom, “por aí” é um pouco exagerado, brasileiras não são japonesas, mas acho que consegui passar a ideia). Cada uma com sua própria motivação, seu próprio objetivo, sua própria história. Claro que uma vez que o anime pega tração e não sendo possível focar em cada uma o tempo todo suas personalidades são amalgamadas e se tornam cada vez menos distinguíveis – ao fim e ao cabo, são todas idols. Mas a semente de realidade está ali o tempo todo, e brota sempre que necessário.

Elas não são todas colegiais em um anime escolar com personalidades decalcadas de uma lista de tipos de derês e que se unem em prol de uma causa comum. Mas nessa temporada, em que talvez não por acaso três ginasiais resolveram se tornar idols como elas apenas porque sim, muita coisa começou a perder qualquer conexão com a realidade. E eu admito duas coisas: a primeira, que eu demorei mais do que devia para perceber isso; a segunda, que não assisti os filmes intermediários entre a primeira temporada e essa, então talvez isso já viesse de antes. Quero dizer: um sujeito famoso na indústria, um compositor que todos querem contratar, resolve dar uma música para elas? Provavelmente eu já deveria ter percebido antes, mas senão, desse momento eu não deveria ter deixado passar.

Mas o episódio 10 foi de verdade muito bom e as interações entre as garotas soaram razoavelmente realistas. Foi, até onde eu me lembro, a primeira vez que houve brigas entre as WUG de saírem chorando e virarem a cara umas para as outras. E quando elas foram morar juntas eu já antevi como esse tipo de situação poderia surgir! Ser amigo é fácil. Morar junto nem tanto. Elas moram juntas e trabalham juntas, estão pisando nas sombras umas das outras o tempo todo. Conflitos vão fatalmente surgir. Isso não é apenas verossímil, é realista mesmo.

Pode-se argumentar que não só o conflito demorou a acontecer como, apesar de tudo, acabou resolvido fácil demais. À rigor, o anime nem se deu ao trabalho de mostrar como as garotas fizeram as pazes de verdade. Nanami e Minami brigaram por causa de alguns mal-entendidos somados à pressão que elas estão sofrendo o tempo todo, por todos os lados. Mas o episódio nunca focou nelas duas, ao invés, usou a briga delas como uma marcação de que algo estava acontecendo. O conflito delas representou, por metonímia, todos os conflitos potenciais das WUG. O conflito principal foi entre Mayu, a idol mais experiente, e Yoshino, a líder, e esse sim era um que poderia implodir o grupo. Mas acabaram voltando a ser amigonas do peito quase sem esforço – mas com muito drama. Em seguida descobre-se que Nanami e Minami também já se acertaram. Ok então, né.

Pouco desenvolvido? Mal desenvolvido? Apelativo, melodramático, forçado? Olha, em primeiro lugar, vamos simplesmente aceitar que Wake Up, Girls! Shin Shou é sim um anime divertido, mas está longe de possuir o melhor roteiro do ano. Ou da temporada. E com tanta coisa acontecendo, a maioria das quais eu acredito que não possam ser facilmente removidas, seria bem difícil estender essa história por mais do que um episódio. Bom, poderiam ser dois, se o episódio sete tivesse sido um episódio de verdade, né? Mas já superei isso. Então reconheça-se que sim, não foi um desenvolvimento especialmente genial, mas cumpriu seu papel. E aquele toque de realismo estava aparentemente preservado.

Não tem problema, é só as novatas acharem um elástico de cabelo que está tudo resolvido

Ou estaria, se o anime ainda estivesse se comprometendo com ele. Lembra do que eu disse antes? Um compositor famoso simplesmente deu uma música para elas. Ele não é amigo delas, não é próximo a elas de forma alguma, e sempre que possível deixa claro que no fundo as despreza. Esse mesmo sujeito decidiu dar uma música para elas. Claro, desde que elas escrevam uma letra que ele aprove. Mas isso ainda é dar uma música de graça. Então chegamos ao episódio 11.

Gostei de ver elas ensaiando juntas. E, lógico, a Ayumi ficou vermelha de vergonha.

O esforço das garotas é admirável, eu fiquei realmente feliz de assistir aquilo – e de escutar uma fração de Tachiagare. Também adorei ver as três novatas ajudando as WUG de forma mais ativa, participando juntas nos ensaios. Elas precisam ensaiar, isso é bom para elas, e é bom para as protagonistas também. Sem falar que adoro ver elas interagindo cada vez mais. Mas teve essa coisa toda da idol virtual, a Makina. A ideia dela não é ruim ou irrealista em si – é de fato uma novidade da indústria que teve muita força alguns anos atrás, e hoje parece ter se conformado com um nicho de nicho, impressionante tudo considerado de todo modo, mas ainda assim sem representar perigo às idols de carne e osso. O anime poderia estar querendo provocar: e se idols virtuais substituíssem idols reais?

“Wake Up! mabushii hizashi abite…”

Mas não foi dessa vez. É apenas mais uma adversária a ser superada, mas tão irreal quanto a não existência da Makina. O que parecia ser concorrência assumiu ares de conspiração. Os americanos, ah, sempre eles!, estão injetando dinheiro para promover a idol virtual com o objetivo de “conquistar o Japão”. E “conquistar” não significa se tornar a mais popular, liderar as paradas, nada disso: como o Starbucks, a tática é sufocar a concorrência até exterminá-la. Shows simultâneos foram agendados em todo o país. Lembro de como eu disse em artigo anterior que a vantagem de uma idol virtual é o custo menor ao longo do tempo, mas às favas com qualquer economia quando se usa uma tática tão agressiva assim. Compraram o estádio de Sendai.

O “vilão” até parece o Trump. Não parece?

Ninguém respeita contratos no Japão, né? Quero dizer, se o Green Leaves está vendendo ingressos para o show das Wake Up, Girls! no estádio de Sendai há algum tempo é porque já havia contratado a arena. Tem de haver um custo de rescisão, e não pode ser pequeno. Tem de ser alto o suficiente para não compensar quem quer que seja sequer pensar em rescindir esse contrato a menos que seja estritamente necessário. Mas compraram o estádio e o show das WUG aparentemente foi jogado no lixo. Se existir um contrato e uma rescisão isso não faz sentido, se não existir faz menos sentido ainda. Como eu disse, só um vilão fabricado, só um obstáculo para as heroínas superarem. Às favas com qualquer fragmento de realismo.

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