O primeiro verão no ensino médio de Pikari e Teko se finda. Chega o outono em Amanchu! Advance. E, com a nova estação, oportunidades para mais diversão e memórias, por mais que Teko se mostre reticente a respeito. Pikari aconselha a amiga a ficar atenta para as maravilhas do outono. O episódio 4 traz a confirmação de que para testemunhar ou viver um momento inesquecível, basta estar aberto para as surpresas que podem estar pelo caminho. Além disso, Amanchu! Advance se aproxima de um terreno ainda não explorado na série, o da fantasia.

Teko e Pikari vivem aventuras em separado neste episódio. O que traz uma questão: o quanto o anime funciona longe da dinâmica presencial da dupla. É claro que as garotas já tiveram experiências individuais e com outras pessoas, como no segundo episódio desta temporada quando Pikari conhece Kokoro, mas há a impressão de que com elas juntas o aprendizado e o humor rendem cenas admiráveis e deliciosas que valorizam o significado da amizade e do amor. O clima Hikari e Futaba atinge um nível de respeito e ternura tão evidente que é inimaginável pensá-las distantes uma da outra.  Porém, isso não é um demérito (uma constatação que não afeta o anime, já que fluí mesmo nas ocasiões em Teko-Pikari afastadas), na verdade, é só um exemplo do quanto a química entre amigos, parceiros ou casais pode ser favorável a uma produção.

Teko em via de experimentar um sonho que se sonha em boa companhia.

Hikari reencontra Kokoro e Futaba conhece uma menina no café. O inusitado é que Teko compartilha o mesmo sonho com a garota e elas interagem, voam em uma vassoura (momento Flying Witch) e visitam o Vale das Cerejeiras. A versão bruxa de Teko confere um clima de fantasia à Amanchu! Advance. O modo como Teko revela que os sonhos são para ela um esconderijo e um porto seguro devido a sua timidez, é concomitantemente melancólico e meigo. Agora ela transmite a uma garota que encontra no café o seu conhecimento. A menina está sozinha no estabelecimento. E Teko se sente confiante para convidá-la a tomar parte do passatempo. Do espanto à incredulidade, do risco à afinidade. Pode-se presumir que há uma conexão entre Teko e a garota, talvez a solidão ou a maneira como podem se divertir sozinhas (uma maneira de criar idiossincrasias para o retraimento), que engendre uma comunicação a se descobrir e desdobrar.

Pikari ensina a Kokoro o valor da atenção às pequenas coisas da vida.

Partilhar um sonho relacionando-se com objetos que queremos verdadeiros e experimentar sensações intensas, sejam de alegria, espanto ou fervor (até de tristeza), traduz a integração da vida real com elementos do mundo interno pessoal. Voar é ser livre, e a imaginação é esse território das possibilidades. Essa é a liberdade de fazer o que se quer, sem medir consequência ou esforço, que Teko aspira em sua vida. Além da coragem de relacionar-se com as pessoas com a mesma desenvoltura que Pikari tem. O destemor (ainda claudicante) que Teko apresenta é assombrado pela separação física de Pikari. A sua obstinação é de conseguir criar diversão e ser comunicativa, sem depender do encorajamento de Pikari.

Teko: momento “curso rápido para futuras bruxinhas”.

Já Pikari e Kokoro dividem momentos que vão do prazer culinário ao desabafo sobre o bullying sofrido pela menina na escola. Alguém escreve  no caderno de Kokoro uma ofensa, chama-a de beiço de polvo (uma referência ao episódio 2). Enquanto Pikari especula os motivos do assediador comportar-se assim, dizendo até que o garoto pode estar apaixonado por Kokoro, a menina deixa evidente toda a sua indignação e sua vontade de saber quem realizou a brincadeira de mau gosto e puni-lo. Pikari tenta acalmá-la e aponta que Kokoro poderá se arrepender de algum gesto impensado.

Hikari convida a menina para um passeio no Vale das Cerejeiras para ver a chuva de folhas de outono. Pikari e Kokoro têm uma ligação e uma intimidade estabelecidas nos poucos dias em que já se encontraram. Pikari fica à vontade com Kokoro e tenta fazê-la soltar-se, ser mais relaxada. Como se Pikari cuidasse e pretendesse mostrar a uma criança os benefícios de estar receptiva à diversão, às surpresas da vida. Ainda que haja o entusiasmo de Pikari e um aceno de interesse por parte de Kokoro é cedo para avaliar os rumos que o anime tomará. Neste instante, não passam de duas garotas que estão se conhecendo. A polêmica do mangá que envolve homofobia por parte da autora e diferença de idade (Kokoro tem 11 anos) não está presente nesta altura do anime. Analisar sobre o material do mangá não passa de mera especulação (mesmo que a revolta seja legítima). Ainda que o anime como indústria busque o lucro e a satisfação de um público que faça esse lucro concretizar-se, é prematura julgar a obra, já que há a possibilidade da série tomar liberdades em relação ao seu material de origem.

Uma maravilha do outono diante dos olhos.

O episódio reforça o forte vínculo entre Pikari e Teko, que mesmo divertindo-se com outras pessoas (e encontrando suas maravilhas do outono) permanecem em sintonia, sendo que atração principal aqui é a chuva de floração de dezembro, toda a beleza das sakuras. Destino, coincidência, afinidade que ultrapassa a razão, seja na realidade ou na imaginação, o que conta em Amanchu! Advance é o elo que não precisa de motivo aparente para forjar-se: a amizade.

Um ponto a se destacar a respeito no sonho de Teko é o comentário que ela faz sobre as flores estarem fazendo de tudo para desabrocharem ainda que seja o início de outono.  O sonho – ou a imaginação – é um mundo em que Teko é agente de suas ações, confiante e soberana. Aí a função da fantasia em um iyashikei que lida com realismo a respeito das fragilidades de Futaba. É uma forma de fortalecer-se. Pikari é uma sonhadora profissional. Além disso, o desabrochar das flores é uma bela metáfora para o seu próprio estado de espírito, para o amadurecimento efetivo que se concretizará quando se livrar dos seus conflitos e inquietações interiores.

O episódio 4 faz notar – mais uma vez – a animação impressionante de Amanchu! A viagem aérea da bruxa Teka e de sua parceira na vassoura, com o azul do céu como passageiro (para uma série que tem o mar como um dos seus palcos principais), e o deslumbrante floreado de dezembro são prazeres acima de qualquer suspeita.

A beleza de uma vida afirmando-se na calma de uma cidade marítima e a conexão Pikari-Teko ganham potência com as ocorrências dos episódios iniciais da nova temporada. Recomenda-se relaxar e aguardar pelo melhor.

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