Ok, agora sabemos o desfecho da história do lobo Retar e sua família, e a motivação do Tsurumi, que sim, é um personagem no mínimo interessante.

Eu apostaria dinheiro na morte do Retar, por tudo o que vinha sendo mostrado sobre ele nos episódios anteriores, mas não foi bem o que eu imaginei que ocorreria que de fato aconteceu. No fim, o Nihei acabou (aparentemente) morto e sem nunca ter matado um lobo branco, mas sim, ele caçou até o final de sua vida.

Os questionamentos deste episódio são muito bons. Eu sempre apreciei coisas que colocam a moral humana em jogo, tanto que meus filmes favoritos são The Godfather (ou O Poderoso Chefão, como ficou conhecido aqui no Brasil) e Fight Club (ou Clube da Luta, como também é conhecido por aqui); ambos são filmes que falam sobre ações humanas, onde um é sobre máfia e a relação de um homem para com a sua família e negócios, e o outro fala muito sobre a nossa sociedade consumista e afins. Bom, voltando à Golden Kamuy, existe horas que a ganância humana acaba pondo um fim nas nossas riquezas naturais, e claro, uma hora vai acabar, assim como em um determinado momento os peixes “acabaram” naquela lenda abordada pela avó da Asirpa.

A motivação do Tsurumi é algo totalmente aceitável, pois para ele os fins justificam os meios, pelo menos é o que aparenta. É claro que ele tem uma certa loucura devido às sequelas da guerra, e é como eu ouvi de alguém uma vez: “Na cabeça do vilão ele é o herói”. Vamos combinar que de fato ninguém é herói aqui, ok? O que temos são pessoas tentando realizar seus objetivos, e por mais que os objetivos sejam ajudar outras pessoas, os dois lados acabam cometendo certos crimes em nome do seu objetivo e claro, da sua sobrevivência.

Tenho tendência a gostar de obras com personagens humanos. Digo, não no sentido de não serem um cachorro, por exemplo, mas sim de não serem superficiais e/ou personagens clichês com apenas uma característica. Um exemplo? Animes e mangás que envolvem signos ou pecados capitais, darei o exemplo de Fullmetal Alchemist que tem os homúnculos. Cada um dos homúnculos é baseado em um pecado capital e, consequentemente, eles carregam o pecado em si, onde o Envy tem inveja dos humanos por exemplo – por favor, não me entenda mal, eu não estou de maneira alguma dizendo que Fullmetal Alchemist é ruim, ok? Afinal, é a minha obra favorita.

E o Hijikata? Eu fico realmente ansioso para ver ele em ação, mas ainda não foi aqui. O que tivemos foi o seu principal companheiro mostrando do que é capaz, e nossa… passar por alguns homens é ok, mas derrubar um cavalo? Oooow, eu fiquei incrédulo com isso, mas no fim, eu gostaria de dizer que tenho certeza que ele vai tomar alguns tiros dos soldados da 7ª divisão, mas vai derrotá-los de algum modo, sendo assim, eles devem servir apenas como freio para que o Shiraishi possa fugir.

  1. Esse boi bravo que Shiraishi encontrou, se ele sobreviver aos tiros de rifle 30 dos soldados da 7* divisão é um ghoul imortal kkkkkkkkkk!

  2. Este episódio 7 de Golden Kamuy foi muito bom.
    Começando pelo mestre caçador Nihei, por momentos eu pensei mesmo, que ele fosse matar o Retar e conseguir conquistar o seu maior prémio de caçador (que era uma pele de lobo branco), mas nem sempre a sorte está no lado do caçador e este episódio mostrou isso. Eu nunca que iria imaginar, que o Retar tinha ido para a Natureza para criar família, a parte em que o Retar parte para cima do Nihei, foi só feels e quando a esposa do Retar mordeu a artéria carótida do Nihei, fiquei bem mais feliz. O Nihei era um excelente vilão, mas o Retar ainda era melhor que ele, a família do Retar é linda e eles merecem a paz. O autor do mangá tem bastante conhecimento dos animais na vida selvagem, a fêmea de lobo, protege sempre o macho alfa da alcateia e viu-se isso neste episódio.
    A parte da aldeia inu, mais uma vez nos mostrou mais da cultura do povo inu, desta vez sobre a pesca do salmão (adoro as imagens estáticas a representarem as cenas de trabalho do povo ainu, a arte mais austera é muito boa). Ainda na aldeia inu, foi um erro o Sugumoto ter levado o Tanigaki com ele, esse personagem tem ar de vira casaca e ainda vai dar problema.
    Agora sobre o Tsurumi, aquele flashback dele e que foi mostrado neste episódio, explica muitas das motivações dele e dos soldados que o acompanham. Pelo que sei, no cerco de Port Arthur, a sétima divisão de Hokkaido teve perdas atrozes, por causa de incompetência da cadeia de comando e este episódio mostrou um pouco disso. A ideia errada de honra usada pelo general ou superior do grupo do Tsurumi, já era mais do que retrograda e inaceitável no século XX e a cadeia de comando do exército imperial japonês naquela altura, já via esses sinais de bravura como inúteis e fazedores de perdas desnecessárias. O superior do Tsurumi, quando notou que tinha destroçado uma unidade inteira de elite, suicidou-se e arruinou a vida dos soldados sobreviventes, e estes mesmo ficaram vistos como traidores da nação. Com uma situação destas, até se podia simpatizar com o Tsurumi, mas a forma como ele discursa, nota-se que ele tem tudo, menos boas intenções. Prova disso, é a conversa do Tsurumi com o vendedor de armas estrangeiras, a conversa entre os dois não cheirava bem, em ambos os lados, as segundas intenções eram mais do que muitas. As armas vendidas por esse vendedor eram o topo de gama na Ásia, sendo a caçadeira de dois canos que o Tsurumi agarrou, era a melhor arma de fogo a curtas distâncias da época (os americanos, usavam muito essa arma, na defesa de diligências e caixas fortes dos bancos)..
    A última parte do episódio foi muito engraçada, o Tatsuma Ushiyama, quando o seu libido ataca, ele fica bem volátil. Achei bem engraçado aquela picardia entre o Ushiyama e o Shinpachi, o Shinpachi não mentiu, quando disse, se fosse mais novo, tinha cortado o Tatsuma ao meio (a técnica de esgrima que o Shinpachi usava, era capaz de cortar um homem ao meio, mesmo se esse mesmo homem estivesse equipado com uma cota de malha).
    A parte do rei das fugas, foi demais, vê-lo a fugir do Tatsuma foi muito engraçado (como demónios, o Tatsuma faz uma rasteira a um cavalo e nem se magoa, ele deve ser feito de ferro).
    Como sempre, mais um excelente artigo, de Golden Kamuy Carlos Sousa.

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