“Enquanto uma viver, a outra morrerá”, essa frase define bem qual é o maior obstáculo que o Okabe tem que superar em Steins;Gate, e que o leva ao seguinte dilema, “Salvar a vida da amiga de infância ou da mulher que ele ama?” O quão cruel é ter que fazer essa escolha? Seja com a Kurisu, seja com a Mayuri, o Okabe sempre acaba sendo separado de alguém por causa de uma linha do tempo e agora que isso aconteceu de novo, qualquer escolha que ele fizer terá um enorme impacto sobre os rumos que a trama irá tomar. Então, é hora de comentar um episódio excelente. Que se abra o Steins Gate!

Por um momento, por um breve momento, juro que acreditei que essa linha do tempo na qual ele foi parar não fosse a alfa na qual a Mayuri morre. Porém, isso foi somente inocência da minha parte, até porque essa seria uma ótima oportunidade para explorar a carga dramática que a morte de qualquer uma dessas personagens agrega a trama. Foi o que fizeram, mas agora por meio da morte da Mayuri.

Primeiro, um abraço pra matar um pouco as saudades.

É como se essa fosse uma das várias linhas do tempo em que ele falhou em proteger a vida da amiga, mas diferente do que ocorria no primeiro anime, ele desistiu de tentar salvá-la e se manteve vivendo com a dor da perda, algo similar ao que ocorreu na linha beta na qual a Kurisu morre, só que em uma escala bem diferente, tanto que ela rapidamente percebe que o Okabe que está a sua frente veio de outra linha do tempo, pois o daquela já havia se entregado a dor, a melancolia e ao arrependimento.

Nesse episódio trabalharam de forma excepcional a ausência da Mayuri e como ela era sentida pelos seus amigos, como ela era querida e importante para todos eles, principalmente para o Okabe que é pego de surpresa por todos essas emoções dolorosas. Ele pôde sentir o quão triste era o mundo sem a gentileza e a alegria da Mayuri e isso o fez temer sentir essa dor de novo, pois foi com certo receio que ele aceitou a proposta da Kurisu de voltar para a linha do tempo beta, de voltar para ela, para a sua amiga de infância. Aliás, se faltou Mayuri e isso doeu, teve Kurisu de sobra e ela foi maravilhosa!

Não podemos esquecer dos amigos e do quanto eles também estavam sofrendo.

Primeiro que ao invés do que eu previa, não foi o Okabe que se abriu com ela, mas ela que descobriu que havia alguma coisa de errado, mostrando que ela continuava a prestar atenção nele e a zelar por ele, que seus sentimentos estavam intactos. Segundo, ela não passou os vários meses entre a morte da Mayuri e o final do ano lamentando e se culpando como o Okabe fez, mas arregaçando as mangas e construindo uma nova máquina do tempo para que eles pudessem usar o d-mail de novo. Terceiro, se era para mandá-lo de volta, que ao menos fosse com ele entendendo porque isso era importante.

A Kurisu é uma personagem incrível, não é a toa que é a minha favorita! ❤

O que ilustrou isso com verdadeira maestria foi a belíssima cena na lápide, na qual a Kurisu disse o que era preciso para convencê-lo a voltar a realidade e abandonar aquele sonho ruim, fazendo um paralelo com a cena do episódio 13 no anime original em que ele salva a Mayuri de ser levada pela luz ao tomá-la como sua refém, só que dessa vez ele está no lugar dela, é ele quem deve decidir se irá com a luz ou se permitirá ser salvo pela Kurisu, se voltará ou não para um mundo com a Mayuri.

Para poder transmitir toda essa melancolia foi importante se valer de elementos visuais e auditivos, como cenários com tons mais escuros em contraste com momentos de claridade quando fosse para representar a mudança dos personagens – como na cena no cemitério –, além de uma trilha sonora que usou principalmente o piano e as passagens sinfônicas – infalíveis para criar atmosferas tristes –, mas não esqueceu de variar, como na cena em que usam uma versão instrumental de Gate of Steiner tocada no violão ou com a música da Zwei – a mesma cantora da ending –, que veio do jogo, no final.

Um dos pontos fortes desse episódio também foi a interação entre a Christina e o Hououin Kyouma, mesmo que com ele despido dessa máscara que criou justamente para quê? Para divertir sua amiga, alguém importante para ele e que ele não quer perder de modo algum. Porém, ele também não quer perder a leal e dedicada assistente Christina e isso o leva ao impasse de não saber em que linha do tempo ficar, pois em ambas, alfa e beta, ele só poderá estar com uma. Mas como ele não pertence a essa linha deve voltar, né. Isso pode motivá-lo a tentar salvar a Kurisu na linha beta? Espero que sim!

É sempre sofrido para o fã ver uma linha do tempo em que uma delas não está viva.

O fato do primeiro encontro dos dois ser uma memória diferente para cada um implica que a linha alfa na qual eles estão não é exatamente a linha alfa antes dele ter mudado para a linha beta? Não me sinto seguro para afirmar isso, mas é certo que um elemento desses não foi pincelado à toa e é de se esperar que retomem esse detalhe mais à frente. O que ainda há de interessante a comentar desse episódio é a cena final entre os dois cientistas que teve teoria de menos e pratica até demais!

Um trecho emocionante e cheio de significado com direto a promessa e beijo roubado em clima de despedida de cortar o coração. Se repararmos bem, a Kurisu fala para o Okabe não se aproximar do Amadeus não só por causa da possibilidade do sistema se tornar capaz de concluir na prática a teoria de criação da máquina do tempo, o que ela alega só ter sido possível após conhecê-lo, mas também por se preocupar com a sanidade mental dele. Ela pedir que ele a esquecesse foi por isso, para que ele não sofresse mais por causa dela – como se fosse possível. Só que ao ver o rosto dele com uma expressão tão sofrida a única coisa na qual ela consegue pensar para confortá-lo é com um beijo, o que eu acho que dificulta ainda mais para ele esquecê-la, mas ela é humana, seria estranho é ela não se deixar levar um pouco pela emoção nesse momento e não beijar quem ama enquanto é possível.

Qualquer beijo desse casal é sempre emocionante!

Uma linda cena que foi a cereja do bolo em um episódio excelente, o qual termina com o d-mail que foi enviado ao passado para fazer o Okabe voltar a linha beta. Para quem não entendeu, o d-mail foi enviado com o propósito de deter a Kurisu por alguns segundos, fazendo com que ela não impedisse o Okabe de deletar os dados do d-mail no banco de dados da SERN, o que faria a organização não ir atrás deles e consequentemente não exerceria influência sobre a morte da Mayuri. Essa que, aliás, espero que não tenha acontecido por ataque cardíaco como aparentou pela mensagem no celular do Okabe, porque não vejo como a SERN poderia fazer ela ter um. Mas talvez seja o caso de que só a influência do contato com a SERN já seja o suficiente para fazer tudo convergir para a morte dela.

Quanto a isso, e a várias outras coisas, o anime ainda precisa dar respostas, mas acredito que depois de um episódio incrível como esse você, caro(a) leitor(a), estará ainda mais interessado em obtê-las. Que o próximo episódio mantenha o anime no caminho certo, pois essa é a vontade do Steins Gate!

Por uma linha do tempo em que esses momentos não sejam só lembranças numa foto.

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