Começo este artigo com a seguinte pergunta: O que nos faz humano? Será que apenas fazer parte da espécie Homo Sapiens é suficiente para nos tornamos humanos? Biologicamente sim. Mas segundo a ética é necessário seguir diversos padrões e normas sociais para nos distinguimos dos demais seres vivos.

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Um dos momentos “slice of life” do filme

Em Glass no Hana, a história gira em torno de duas “anti-vírus” antropomorfizadas, mais precisamente com aparência de garotas fofas, que habitam dentro de um programa chamado Mother, que fez backup na terra e em todas as suas eras, incluindo desde monumentos, paisagens e até mesmo pessoas, assim criando uma espécie de mundo perfeito.

As personagens principais (Dual e Dorothy) podiam ter acesso a qualquer era da história da humanidade. Basta apenas entrar em algum backup que o sistema tivesse feito. Em ficção científica é normal máquinas se “humanizarem”, e com as nossas heroínas (que não são necessariamente máquinas) não é diferente. No começo, mesmo que elas se passassem como humanas em cada mundo que elas entrassem, as mesmas não compreendiam a natureza humana.

Seres humanos são complicados, brigam por qualquer besteira, ficam felizes por pequenas coisas, falam mal de uma pessoa mas no fundo a ama de verdade, e podem elogiar alguém e no fundo querer o mal dela. Somos paradoxais. O ser, que segundo a Bíblia foi criado a imagem e semelhança de Deus, que lhe deu o direito de dominar todos os seres vivos, desde os animais da terra, do mar, e até as aves do céu (Gn 1: 26-28), é o mesmo ser que causará a sua própria destruição.

A humanidade é capaz de fazer coisas incríveis que só ele pode fazer, como construir monumentos como as pirâmides de Egito, os Jardins Suspensos da Babilônia, O Coliseu de Roma, dentre outros. Tem uma sequências de cenas de slice of life no filme que a princípio parece desperdício de tempo, mas serve para mostrar as belezas que a terra e os nossos hábitos. Entretanto o mesmo ser humano que é capaz de transmitir seus sentimentos em notas musicais é o mesmo que mata seu semelhante, é o mesmo que cobiça as coisas alheias e que causa guerras.

O progresso acompanha a humanidade desde os tempos remotos e sempre buscará o que lhe convém afim de facilitar a sua vida, porém, o quanto esse progresso custa a cada um de nós? Qual é o limite ético para alcançar o progresso? Será necessário destruir outros seres vivos para conseguirmos o desenvolvimento e o conforto de nossa espécie?

A terra possui lugares lindos….

É natural do homem pensar num futuro utópico sem nenhum dos problemas que vivemos atualmente, mas o que vemos no filme é uma distopia (mundo perfeito que deu errado).  O sistema Mother foi desenvolvido para criar um mundo perfeito, ou seja o homem abdicou de sua função de cuidar do seu próprio lar, para que uma máquina tomasse de conta de tudo. Isso fez com que a raça humana se estagnasse, pois ela não havia nada para ela desenvolver porque uma máquina estava cuidando de tudo, e o resultado foi…… quem assistiu sabe, e quem não viu, recomendo fortemente que veja o filme.

Apesar do pouco tempo que Glass no Hana tem, 1h 07min, salvo erro, ele mostra desenvolve bem a amizade de Dual, Dorothy e Remo (personagens principais), mas, claro, se tivesse uma duração maior daria para dar profundidade à personagens e suas interações.

O processo de “humanização” de Dual e Dorothy se dá gradativamente à medida que elas convivem com a Remo. Aos poucos ela começam a entender os humanos e saber o motivo delas terem sido criadas.

A parte técnica é competente, tanto os cenários (que por sinal são lindos) e o character design são bonitos. As dubladoras (seiyuu) também fizeram um bom trabalho emprestando suas vozes às personagens, que se encaixaram perfeitamente com as personalidades de cada umas delas.

Embora a história fosse sobre as duas garotas anti-vírus, eu tive a impressão do que o filme era mais sobre o que a humanidade fez de bom desde o surgimento de nossa espécie, e o horror que ela pode causar ao planeta e a si próprio.

…mas também tem horror, dor e sofrimento

Obrigado a todos que leram este artigo e até a próxima!

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