Bom dia!

Nesse episódio a Aya quase, quase, quasinho, passou da linha de não retorno. É compreensível. Todas as garotas mágicas são selecionadas entre meninas com severos problemas. Algumas já ultrapassaram limites proibidos antes de receberem seus super-poderes, outras de pronto planejam usá-los para tanto, e a maioria em algum momento acaba se corrompendo. A Aya é alguém especial. Mas a Nijimin morreu por culpa dela. Como ela deveria lidar com isso? Como ela poderia saber?

Inconsoláveis

O choro desesperado dos fãs não é maior que o desespero que as garotas sentem com a morte da Nijimin. Elas eram amigas? Acho que nem eram próximas o suficiente para isso, mas a enormidade de confiança que elas precisam ter umas nas outras para enfrentar o misterioso e incalculável poder dos Administradores inevitavelmente as aproxima. E havia sim alguma proximidade entre a Nijimin e a dupla principal do anime: Aya e Tsuyuno. Se aproximaram por acaso, só porque a reconheceram naquele caderno da Rina porque ela era uma idol, mas embora assustadora por causa da casualidade com que usa seu poder e da personalidade mercurial que ela oculta, Nijimin era no fundo uma garota inocente que estava ansiosa para ter amigas. Como a Aya também queria ter. Como a Tsuyuno nem sabia mais que queria.

Mas agora Nijimin está morta e a Aya está certa em se culpar por isso. Ela não é a única culpada, mas se coloque no lugar dela: acha que a Aya sequer consegue pensar nisso? “Ah, a culpa não foi só minha, então tudo bem”? Some a isso a personalidade dela, que tende a querer carregar todos os fardos sozinha, e o resultado é que a garota está esmagada embaixo da própria culpa. Não consegue sair do quarto. Só não chora mais porque suas lágrimas há muito secaram. E embora esteja em seu refúgio, não é como esse se fosse o lugar mais aconchegante e sanativo do mundo. Seu pai ignora sua existência, sua mãe nada faz porque totalmente submissa ao marido, seu irmão está “desaparecido” – e você sabe em quais circunstâncias e por quais razões. Suas amigas não podem mais vir para casa porque essa não é a casa delas – e porque estão acham melhor dar espaço para a Aya.

Descanse em paz, Nijimin

Sem mais nada no que se agarrar, Aya se apega às suas memórias. Ela nem sequer se lembra dos arroubos de fúria da amiga falecida, apenas de seus poucos e bons momentos. Por que isso tudo aconteceu? Por que ela se tornou uma garota mágica em primeiro lugar? Se não tivesse se tornado, Nijimin ainda estaria viva? Seu sorriso ainda estaria levando alegria para as multidões que agora jazem em prantos? Nijimin morreu por sua culpa, e qualquer outra poderia ter morrido. Todas poderiam ter morrido. A Tsuyuno, que é tão importante para ela, poderia ter morrido. A Tsuyuno, a única pessoa no mundo que acreditou nela quando mais ninguém acreditava. Que a salvou. Que disse que ela era importante, que ela era forte.

Que forte o quê! Que força ela tem? Nem sua varinha-pistola ela tem mais. Bom, por enquanto. É essa a resposta: ela precisa ser mais forte. A Sarina então lhe aparece: venha ser forte. E daí o episódio não deixa claro se a sugestão foi da Sarina ou se a ideia partiu da Aya, mas é verossímil dos dois jeitos: a Aya decidiu que a melhor forma de proteger a Tsuyuno e a todas era lutar sozinha. Salvou as garotas de um atentado no velório da Nijimin (ora, ora, o Policial Azul se aliou à Nana; foi mesmo ele quem salvou as garotas do Kaname, e agora tem o garoto encarcerado e acorrentado em algum lugar; qual será seu objetivo?).

Para a surpresa de todas, a Aya lhes faz uma exigência: quer todas as suas varinhas. Assim poderá lutar sozinha e elas poderão voltar a viver suas vidas normais. Dá para perceber que a Aya já não está mais pensando direito apenas pela ideia de gerico dela: para que vida “normal” a Tsuyuno pode “voltar”? Ou a Rina? E o que ela sabe das outras para dizer o que devem fazer? A Sarina nunca teve problema em mandar nos outros, mas ela própria nunca gostou de ser ordenada por aí – foi por isso que decidiu se rebelar contra a Nana, aliás. Foi por isso que sempre se equilibrou na escola entre o desprezo pelos professores e a retórica que concordava sua vontade com a necessidade deles de exercer autoridade. A Sarina entende pelo menos essa razão (entre tantas) pelas quais as demais garotas não aceitaram se sujeitar à Aya.

A protagonista estava objetivamente errada, e subjetivamente se aproximando de um limite que ela não deve ultrapassar. Todas as demais já ultrapassaram, e ela se destaca justamente por ainda não tê-lo feito. Agora a Aya, movida pela boa intenção de salvar a todas, quer colocar todas em risco, deixando-as sem ter como defender-se caso sejam atacadas pelos Administradores – e por que não seriam? Só por não ter varinhas? Elas continuam sabendo tudo o que sabem, a força vital que perderam usando as varinhas não volta mais, et cetera et cetera. Ela está se equilibrando enquanto corre à beira de um abismo: não é fisicamente impossível, mas é tão humanamente impossível quanto soa.

Aya exige as varinhas mágicas de todas

A Rina finalmente se irrita e decide socar um pouco de bom senso na cara da Aya, mas a Tsuyuno a impede. Não que se possa dialogar com a Aya no estado mental em que ela se encontra, e é por isso que a própria Tsuyuno estapeia a amiga. De verdade, qualquer outra que fizesse isso talvez não funcionasse. Bom, é da Aya que estamos falando, então talvez funcionasse, mas nenhuma ali tem a mão tão pesada quanto a Tsuyuno. Não para a Aya. A protagonista quer tanto protegê-la, ela lhe é tão importante. Deu certo. A Aya saiu do transe em que entrou por conta do desespero, e felizmente antes que fizesse qualquer coisa da qual pudesse se arrepender e da qual jamais poderia recuar depois.

A luta desesperada das garotas mágicas contra os Administradores e seu plano tão diabólico quanto desconhecido continua, agora com suas varinhas mágicas de volta e a Sarina como uma nova e poderosa aliada. E a Aya continua com sua inocência infantil preservada, servindo de modelo para as demais e servindo-se dessa luta pela vida para sentir-se, ela própria, viva.

A Sarina tem um carisma e uma personalidade magnética impressionantes

O artigo acabou com a imagem acima. Mas o episódio terminou com uma sequência de imagens tão legais com todas as garotas mágicas que eu não consegui encaixar no texto, mas queria compartilhar de qualquer jeito, então aqui vai:

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