Decepção é o que sinto após ter visto esse episódio, e nem é porque ele foi ruim, mas teria sido bom se não fosse o último. Entendo que a estratégia comercial de finalizar o anime deixando o aguardado embate entre Yang Wen-li e Reinhardt para ser visto no primeiro filme – de uma trilogia que lançarão ano que vem – foi uma forma de incitar o público japonês a ir ao cinema para ver a trama espacial na tela grande, mas e o público ocidental, que costuma demorar meses a sequer conseguir ver um filme de anime, como ele fica? É nessas horas que o pensamento comercial caseiro dos japoneses paga seu preço, mas, deixando as reclamações de lado, comentarei esse último – e nada conclusivo – episódio.

Vou sentir falta desse bromance, mas principalmente dessa nave lindíssima do Kircheis!

O episódio todo foi marcado pelas batalhas travadas entre a Aliança e o Império, as quais levaram a grandes, e esperadas, perdas pelo lado da Aliança e a certeza cada vez maior de que no fim a vitória será do Império, que caminha a passos largos para expulsar seu convidado indesejado. O Yang pode sacar alguma carta da manga para reverter essa situação? Acho isso quase impossível. Acredito que no máximo ele diminuirá as perdas para o lado da Aliança ao fim da batalha entre ele e o Reinhardt.

Contudo, o quão ruim e decepcionante é finalizar um anime sem um final apropriado? Eu já esperava que uma ofensiva dessa magnitude não fosse ser desmantelada em apenas um episódio, mas custava um desfecho mais conclusivo? Reagrupar as tropas da Aliança em Iserlohn para que preparassem um contra-ataque ou tentassem fugir, o que seria impedido pelas tropas imperiais, teria sido menos pior.

Não que reagrupar as tropas em outro local para promover uma ofensiva tenha sido algo ruim, mas é o pior dos cenários para um final – ainda mais se a batalha seguinte tem tudo para ser muito melhor.

As definições de trollagem foram atualizadas. Repito, as definições de trollagem foram atualizadas.

Poderiam ter arranjado mais um episódio e ter cortado boa parte desse para dar ao público um final decente ou poderiam ter se programado para fazer um anime de 2 cours e só depois lançar os filmes.

Minha maior frustração foi ter assistido apenas a um checkpoint de acontecimentos necessários para que a história seguisse de um ponto A até um ponto B, sendo que esse ponto B seria o desfecho ideal para o arco vigente. É como ouvir um cd de música e ele acabar antes da última e melhor faixa, o que não apaga a qualidade do registro, mas, inevitavelmente, faz o divertimento ser aquém do esperado.

Se tivesse considerado a equipe de produção minha inimiga teria me decepcionado menos…

Enfim, para não dizer que não falei de flores, dois personagens – ou um e um grupo deles – foram apresentados aos 45 do segundo tempo e devem ter papeis minimamente relevantes no filme que virá. São eles o Comodoro Dusty Attenborough e a força de combate da 13ª frota, encabeçada pelo Tenente Olivier Poplin. Quem não pula a bela abertura do anime deve ter percebido que lá eles dão as caras e o fato do primeiro ter ficado responsável por uma frota que seu comandante deu a vida para proteger e o outro ser um grupo de elite que deve ser usado para os combates mais ardilosos, indica que eles podem e devem ser muito úteis ao Yang na grande batalha que se aproxima. Foram duas boas adições a trama cujo aparecimento, devido as circunstâncias, fez sentido se dar só agora.

É verdade que prometi não me atentar demais ao final inconclusivo, mas foi meio que inevitável, pois a frustração foi grande. Em compensação, as batalhas foram boas e mesmo que as mortes na Aliança não tenham tido grande impacto – os personagens mortos eram mais ferramentas de roteiro do que personagens em si –, as grandes perdas de um exército que caiu na armadilha do inimigo encaixaram bem com o tom adequado a um arco que girou em torno de uma ofensiva totalmente esquizofrênica.

Se ela morresse eu me importaria de verdade.

Confesso que o CG das naves não me agradou tanto na primeira vez em que foi largamente exigido, mas passou longe de ser ruim e não prejudicou um episódio que foi mais marcado por uma decisão questionável no que tece a estrutura geral do que a qualquer deficiência de execução ou produção.

Só nos resta aguardar pelo filme para ver como a interessante história da dualidade entre dois gênios da estratégia militar se desenrola. Torço para que ele não demore tanto a sair e que até lá vocês não tenham esquecido da história. Espero também que seja eu a comentá-lo aqui no blog. Até a próxima!

  1. Este último episódio do remake LOGH, como tu bem referiste Kakeru, foi decepcionante. Foi decepcionante, não só como o arco ficou a meio, como em relação a certos personagens. Isso do arco incompleto dá para relevar, mesmo eu admitindo que essa atitude por parte da staff foi bem malandra (só para atiçar a vontade dos fãs japoneses a irem ver o filme ao cinema, mas os fãs do ocidente ficam à mingua).
    O que me decepcionou neste episódio, eu que já vi a maioria das coisas relacionadas com esta obra, foi a forma como mostraram um Kircheis sem vida e de pouca fala, coisa que não corresponde à personalidade do Kircheis. Para quem pense, que apenas o Mago Yang e o Reinhard são os supra-sumos da inteligência neste anime (remake), é por nunca viu o génio que o Kircheis tem. Deixando de lado o meu desagrado com o Kircheis desta versão, tenho que admitir que a nave onde ele comanda, desde dos ova antigos, sempre foi a nave que achei mais bonita, mas não me posso esquecer da nave do Reihard, da nave do Muller Escudo de Ferro (este personagem só aparecerá nos filmes) e claro da nave capitânia do Bittenfeld e dos seus Lanceiros Negros.
    Passando ao lado da Aliança dos Planetas Livres, o raio bishounen atacou mais uma vez, nunca na vida o piloto Poplin parecia tão novo e muito menos bonito, mas em compensação o Piloto Konev, ficou bem fiel ao Konev dos Ova de 1988. Ainda no piloto Poplin, este personagem no ova antigo, era bem arrogante, mulherengo e pior ainda, alcoólatra, só quero ver se nos filmes deste remake, melhoram um pouco da personalidade dele. Antes de passar adiante, como já notei que gostas de personagens femininas com atitude, nos filmes aparecerá no lado da Aliança, uma jovem piloto chamada Katerose e se o design dela, for tão bonito como no ova antigo, valerá a pena o tempo em quem ela aparecer nos filmes.
    Ainda na Aliança, aquela parte do piloto e do Poplin, mostra mais uma vez, o quão mal, aquela incursão em território do Império foi mal planeada, se os mecânicos não tem nada para comer ou beber e nem podem descansar, claro que a manutenção das naves e dos caças será mal feita, a resposta desse mecânico foi mais do que excelente para calar a arrogância do Poplin.
    Ainda neste episódio, o CG das naves esteve bem mau, nada que atrapalhasse as batalhas, mas com o estúdio Production IG, um dos estúdios pioneiros no uso de CG, esperava bem mais.
    Agora passando ao anime como um todo, por muito que me custe criticar uma obra que eu gosto muito, este remake não chega perto da excelência dos OVA de LOGH (de 1988 a 1988), este remake apenas deu mais foco nas batalhas, mascarou o único senão da série clássica, mas na questão do desenvolvimento dos personagens e da história, cortou bastante coisa relevante (no arco da incursão e ocupação dos territórios imperiais, os cortes foram excessivos, só mostraram um lado da moeda, em vez dos dois lados). A animação deste remake, só me causa riso, design mais genérico impossível, tiraram todos os traços únicos que a série antiga tinha e ainda transformaram velhos e homens de meia idade, em homens super bonitos, quase como se não tivessem idade para serem pais ou avós (melhor exemplo é do Kaiser, que ficou a parecer um garanhão). Não bastando o raio bishounen nos personagens masculinos, no caso das personagens femininas foi o efeito reverso, a Annerose (irmã do Reinhard) não era loira oxigenada, ela tinha cabelo amarelo torrado, como a cor do ouro (e o seu irmão a mesma coisa) e a Frederica, este remake deixou-a mais feminina, porque nos ova antigos, ela era bem mais séria e demonstrava pouco o seu lado feminino.
    Por último, a trilha sonora deste remake foi ok, mesmo eu desgostando da abertura genérica feita pelo Sawano, recomendo que vejas as aberturas antigas, como Skyes of Love ou Sea of Stars (apenas o audio, por causa dos spoilers) do ova antigo, e notarás uma discrepância enorme em termos de qualidade entre a abertura do Sawano e as aberturas de à quase 30 anos atrás, onde ainda nem existia mixagem de sons nem colagens de áudio. Quanto ao encerramento, foi a única coisa que chegou mais perto do original, a voz da cantora, tinha o mesmo timbre do Ogura Kei (o senhor que cantou todos os encerramentos dos ova de LOGH). O restante da trilha sonora, foi ok, mas o hino da Aliança não chega perto do hino da versão antiga (recomendo que procures a versão antiga no Youtube que se chama “Revolution of The Heart) e recomendo também que pesquises a marcha militar do Império (versão antiga) que se chama “Valkyrie Ha”.
    Sem mais nada para reclamar deste remake, tenho que destacar que foi bom acompanhar os teus artigos deste remake de LOGH.
    Como sempre, mais um excelentíssimo artigo, do remake de LOGH Kakeru17.

  2. Fico feliz que tenha gostado dos artigos e do anime. Realmente, esse final foi bem broxante, mas ao menos o anime como um todo foi muito bom. A mudança de design era previsível, mas é todo mundo tão bonito que até achei meio estranho, só que não foi algo que me incomodou. O CG eu achei okay, mas esperava bem mais, para mim ficou no “mediano aceitável” e só. Achei o Kircheis até bem inteligente sim, mas, infelizmente, não exploraram tanto ele quanto poderiam e quanto aos quesitos técnicos não tenho mesmo como comparar porque não vi a primeira versão, mas até que gostei da parte técnica do remake.
    Quero muito ver os OVAs, mas estou dividido entre esperar pelo menos até os filmes acabarem ou a toda essa nova leva de LOGH ter fim, pois duvido que não façam mais filmes ou temporadas de anime após os três longas anunciados.
    Agora uma coisa que adorei na série foram seus protagonistas, Yang e Reinhardt, pois são personagens muito bem construídos que fizeram com que eu realmente me importasse com a guerra e tudo o que demais acontecia no entorno deles. Infelizmente, não poderia dizer o mesmo quanto aos outros personagens, mas ao menos aqueles mais próximos do Yang, assim como o Kircheis e a Annerose, me cativaram um pouquinho. Espero ansioso para que os novos personagens sejam desenvolvidos e para que outros apareçam. Se foram mulheres em um ambiente militar melhor ainda, pois não é algo tão comum de acontecer, e as que aparecem costumam ser personagens fortes e bem interessantes.
    Acho que, deixando os detalhes da forma de lado, a história de LOGH é toda muito boa e consistente, me deixou animado por conhecer mais dela e ver como/se essa guerra vai acabar. Agradeço o comentário e espero que o filme não demore demais a sair para podermos vê-lo!

  3. Eu recomendaria que visses primeiro os filmes do remake e só depois os ova de 1988, E antes desse ova de 1988, se fores mais perfeccionista, recomendo que vejas Logh pela seguinte ordem: primeiro o LOGH Gaiden, que conta os acontecimentos anteriores à série principal, sendo que este está divido em duas parte, uma sobre o Império e o outro sobre a Aliança dos Planetas livres, depois do Gaiden recomendo os filmes (menos o Golden Wings, este é a ovelha negra, das séries de LOGH) e só depois os 110 episódios de LOGH (série principal).
    Quanto às personagens, eu concordo plenamente contigo, o Mago Yang e o Leão Dourado Reinhard, são protagonistas de respeito e a inteligência deles, não tem afronta em toda a Galáxia. O Kircheis na séire antiga era bem mais espontâneo, ele não era como se vê neste remake, ele era o único que podia falar ao mesmo tom do Reinhard, o Kircheis sempre foi um irmão e acima de tudo um fiel escudeiro/conselheiro do Reinhard. Quanto à Annerose, ainda bem que este remake é mais leve, mas a personalidade dela foi arruinada, quando ela foi forçada a ser concubina do Kaiser.
    Acho que já notaste uma diferença entre as forças armadas do Império e as forças armadas da Aliança. No Império as formas armadas são tradicionais, apenas os homens podem se alistar e não podem haver defeitos genéticos nos soldados (devido à lei sobre os genes inferiores do primeiro Kaiser Rudolph) e as forças armadas da Aliança eram mais liberais, eles aceitam mulheres para serem soldados e pilotos e acima de tudo, um mero soldado (supostamente), pode chegar a altos cargos militares, independentemente do seu status social.
    Eu só espero que a censura dos filmes, seja pouca, pois a série tv foi muito leve, nos ovas antigos, nos combates era sangue e tripas por tudo o que era lado.

  4. Agradeço a recomendação, devo segui-la quando for ver o antigo. Sim, percebi isso, mas achei até natural dadas as formas de governo e por isso não me aprofundei na questão. Também espero que não haja censura, ou não muita, afinal, a faixa etária mínima deve ser respeitada, não é como na tv em que não dá para controlar isso.

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