Bom dia!

Bem-vindo ao Café com Anime, um bate-papo que eu e Vinicius (Finisgeekis), Gato de Ulthar (Dissidência Pop) e Diego (É Só Um Desenho) temos todas as semanas sobre alguns animes da temporada. Cada um publica em seu blog as transcrições das conversas sobre um anime diferente.

No Dissidência Pop acompanhamos Zombieland Saga. No É Só Um Desenho, Yagate Kimi ni Naru, e no Finisgeekis Irozuku Sekai no Ashita Kara.

Essa é a edição derradeira do Café com Anime de Banana Fish, leia a seguir nosso bate-papo sobre o episódio 24!

 

Fábio "Mexicano":
Eu disse que pra manter a média o Ash precisaria ser capturado mais uma vez até o final, mas não sabia que o anime ia dar um jeito de manter isso na última hora 😛

E eles podem não ser parentes de sangue, mas o Ash tem de quem puxar sua imortalidade – ou, mais especificamente, sua incrível resistência na hora em que ela é necessária.

Tenho certeza que a gente vai eventualmente falar de coisas sérias também, bem como de temas gerais da série, mas por enquanto vamos começar com as tosqueiras. Digam outras caso se lembrem!

Gato de Ulthar:
Eu não estava mais esperando muito coisa de Banana Fish, mas olha, me surpreendi perfeitamente. O episódio foi cheio de acontecimentos canhestros, clichés e momentos de vergonha alheia, mas mesmo assim foi tudo que eu poderia esperar, ação bacana de se ver entre outras coisas.

Falando das tosquices como o Fábio pediu, teve a incrível resistência do Papa Dino, e olha que não achei ruim a cena da morte de verdade do Papa Dino.

Teve a Jéssica atirando até granada! E casando de novo com o Max…

Fábio "Mexicano":
Ah é, a Jéssica APARECEU DO NADA metendo bala! HAHAHAHA foi ótima aquela cena mesmo!

Eu quase perdi a visão de tanto revirar os olhos quando o Max a pediu em casamento naquela situação, depois de toda a “história” que eles “tiveram”…

Gato de Ulthar:
Ficou bem cara de novela mexicana, mas gostei.
Diego:
Meu senhor, faz tempo que um final não me deixa irritado. Idiotices menores de lado (onde os dois conseguiram um mapa do complexo todo mesmo?), vamos por partes.

Primeiro: o Fork não precisa existir. Ponto. Segundo: sua luta com o Ash é tão sem peso que nem tocarem a música de abertura durante ela a tornou mais interessante (fora que tocaram tão baixo que mal dá pra perceber que está ali). Terceiro: er… era pra eu sentir pena do Dino? Ou sentir que de alguma forma essa uma vez que ele salva o Ash o redime em qualquer coisa? Eu acho que não, mas… que diabos foi esse final dele?! E aí temos o final do Ash em si, que morre… nas mãos de um plot point esquecido.

Ok, vamos lá: eu não teria achado ruim o Ash morrer em combate. Mas isso?! Tragédia pela tragédia é um clichê que me irrita pra caramba. Já tava bom: o Ash e o Eiji separados, cada qual pra um canto, já era um final agridoce o bastante. Mas nop, o Ash tem que morrer. Porque sim. Deus, isso foi idiota.

Ah é, e tem a droga Banana Fish. Que… existiu? O projeto será cancelado? You had ONE job anime, e conseguiu esquecer o próprio título. Parabéns.

Fábio "Mexicano":
Sobre a morte do Ash, eu tenho uma tese, vamos deixar pra falar mais tarde. Sobre o Dino, realmente, LOL. O melhor que consigo pensar (e ainda é bem ruim) é que ele defendeu o Ash porque afinal é, de alguma forma, o “pai” dele. Como o pai biológico do Ash não é muito melhor do que isso, acho que minha tese tem substância … 😛
Diego:
O que continua horrível, diga-se de passagem 😛
Fábio "Mexicano":
Sim, como eu disse, ainda é bem ruim.
Gato de Ulthar:
Não me pareceu tão ruim quando eu penso que o Dino tinha uma fixação doentia pelo Ash e nunca pensou realmente em matá-lo. É desnecessário buscar qualquer tipo de “redenção” para o personagem e acho que esse nem foi o objetivo do anime.
Fábio "Mexicano":
Não enxerguei como redenção também. Como eu disse, ele agiu como um pai. Um pai terrível, o pior pai do mundo, mas que ainda é um pai que protege seu filho – nem que seja para ele próprio poder abusá-lo depois.
Vinícius Marino:
Amei que o Diego chamou o Foxx de “Fork”. É ridículo o suficiente para fazer jus a uma personagem tão desnecessária. Daqui pra frente, chamarei ele assim também :laughing:

Vocês disseram o que tinham de dizer sobre a morte do Dino, mas quero falar umas coisas sobre a morte do Ash. Antes de mais nada: foi para mim a cena que fez valer o anime. E discordo do Diego que tenha sido tragédia pela tragédia. Ela me lembrou um filme chamado A Outra História Americana, sobre um neonazista que encontra a redenção após ser salvo por um negro na prisão. Ele volta à vida civil disposto a ser um homem regenerado, mas eis que o crime não perdoa. Ele acaba pagando pelos pecados da pior forma possível, preso num ciclo vicioso de violência de que imaginava ter saído:

Isso não é um “cliché”, e sim um fato da vida: no mundo do crime vive-se pela violência e morre-se pela violência. Esse é um mundo regido pelo cão come cão, em que o mais forte manda no mais fraco e qualquer brecha pode instigar um motim. A maioria dos criminosos não morre heroicamente, esperando o Valhalla com uma arma na mão. Morrem emboscados, envenenados, assassinados, ou então morrem arbitrariamente, atingidos por uma bala perdida ou uma facada na femural.

Sim, Banana Fish terminou num nível “True Lies” de tosquice anos 1980, mas a morte do Ash foi aquela pitada de sobriedade que lembrou seu excelente primeiro cour.

Diego:
(Pior que eu errei mesmo o nome. Bom, você percebe o quão relevante é um personagem quando você não consegue lembrar o nome dele mesmo tendo acabado de ver o episódio 😛)

E sinceramente, Banana Fish já perdeu todo o direito de querer ser realista. O Ash resistiu a um sonífero poderoso porque ele é o Ash. Isso sem contar como ele já saiu relativamente ileso de tiros e facadas bem piores do que a desse final. Que o senhor imortal morra de uma forma tão tosca é só besta mesmo, pelo menos nessa história em particular.

Fábio "Mexicano":
Eu não diria realista, mas já que o Vinicius entrou logo nessa questão, e falando em parte o que eu queria falar, vamos lá, a morte do Ash:

Não foi necessariamente “realista”, ou foi, depende de como você preferir interpretar. Você pode também preferir dizer que, uma vez que ele aceitou definitivamente o Eiji, ele se tornou fraco, como muitos personagens falaram durante o anime, e o Lao percebeu isso no momento final: ele não esperava conseguir atingir o Ash. Se quiser também, é a tal punição que estava guardada para o Ash desde há muito tempo. Em todo caso, não foi tragédia pela tragédia porque já pressentíamos que o final seria trágico desde o começo, e aí está a tragédia que o anime prometeu e construiu. Não obstante, o Ash morreu feliz, se não conseguiu viver com o Eiji, pelo menos conseguiu morrer sonhando com o Eiji.

Vinícius Marino:
Foi verossímil e foi humano. E casa, sim, com o mito do Ash: de tão badass, fazendo coisas tão impressionantes, ele se esqueceu de um perigo que estava na frente de seus olhos. Ash terminou o anime como um de tantos heróis trágicos: vencido pelo próprio orgulho.
Gato de Ulthar:
O rapper 50 Cent foi baleado 9 vezes na porta da casa da avó e sobreviveu. Com um pouco de sorte ferimentos que parecem mortais são superados. A questão da facada do Ash é que ele aparentemente desistiu de resistir, não tentou fazer uma pressão para conter o sagramento e nem pedir por ajuda. Se ele tivesse caído no meio da rua ou gritado por ajuda ele poderia estar vivo. Ou poderia ter morrido mesmo, se a facada atravessou um órgão ou cortou uma artéria importante.

Claro que o Ash foi mais sortudo que a média das pessoas, muito mais sortudo, e pena que isso acaba prejudicando sua própria credibilidade.

Fábio "Mexicano":
Realismo à parte, o que acham tematicamente da morte do Ash? A forma como se deu e o papel que cumpriu na narrativa?
Vinícius Marino:
Foi a imagem perfeita da metáfora do leopardo na neve que ele mencionou certa vez. Ele chegou até onde nenhuma outra fera havia chegado, até sucumbir de exaustão.

O Gato disse tudo: ele desistiu. Não só de resistir (ele podia ter facilmente ido ao hospital ou a uma clínica clandestina no tempo que levou para ir à biblioteca). Mas de viver. Foi quase um suicídio, que encontra eco em um dos versos do ending: “If I decide to burn instead of fading out”

Diego:
Insisto que a forma como se deu foi idiota e me desagradou para caramba 😛 Mas já imaginávamos que o Ash fosse terminar na cova. Quanto ao papel que cumpre na narrativa… é complicado, sinceramente. Não imagino ela tendo nenhum papel que uma separação mais simples (tipo o Eiji voltando para o Japão) já não cumpriria. Mas provavelmente é só a minha má vontade falando.
Gato de Ulthar:
Gostei, foi sensato com a proposta dada pelo próprio anime, desde a metáfora do leopardo só isso se poderia esperar do Ash, morrer vítima do seu próprio meio. E será que o EIji saberá da verdade? Talvez escondam dele, seria o mais provável.
Fábio "Mexicano":
Posso responder isso? Existe um mangá continuação, no qual o Eiji volta para Nova Iorque anos depois. Então sim, se ele não ficou sabendo antes, eventualmente ele descobre. E não na década de 1980, mas hoje em dia, o cenário do anime, eles poderiam simplesmente manter contato online, né 😛

Mas está bem, então o Eiji. O que acham que o Eiji sentia pelo Ash no final das contas, e o que acham que ele estava sentindo conforme foi embora?

Diego:
Amor? Acho difícil justificar as ações dele com qualquer outra coisa.
Vinícius Marino:
Eu acho que respondi a essa mesma questão em momentos diferentes do nosso debate. Agora que chegamos ao fim, vale a pena recapitular (até para mim mesmo; vai ver mudei de ideia):

Minha primeira hipótese é a do Diego mesmo. Ele amava o Ash e agiu como apaixonado boboca, se colocando na linha de fogo pelo seu amor.

Minha segunda é que ele está atrás da excitação do amor, mais do que da pessoa Ash em si. Neste sentido, ele seria uma versão menos criminosa (e mais sortuda) do próprio Ash, querendo vivem a vida adoidado, mesmo que isso o matasse. Noutras palavras, estaria atrás da sensação de estar vivo. E vê nessa maratona persecutória um meio para isso.

Fábio "Mexicano":
Querer fazer loucuras combina com o estado de espírito em que ele estava, de todo modo. Ele viajou para os Estados Unidos por causa disso em primeiro lugar – ele não era fotógrafo, jornalista, assistente, nada. Foi convidado e achou uma boa ideia e foi.
Diego:
Ele era um atleta 😃 Acho bom lembrar disso porque eu acho que nem o próprio anime lembra 😛 Porque convenhamos, qual foi o desenvolvimento do Eiji nessa história toda? Não da nem pra dizer que ele resolveu o problema que o levou até ali em primeiro lugar, dá?
Vinícius Marino:
Ele se divertiu 😀 Acho. Vai ter uma baita história pra contar pros amigos de treino de volta ao Japão.
Gato de Ulthar:
Acho que toda essa aventura lhe deu a coragem para voltar a praticar esportes não é? E amor, acho que ele realmente amava o Ash.
Diego:
Se deu, nunca saberemos. E isso é parte do problema: qualquer possível desenvolvimento do Eiji é muito mais suposição do que algo que o anime tenha mostrado.
Fábio "Mexicano":
Eu ia dizer que ele se jogar na frente de uma bala pareceu desenvolvimento, mas ele é corajoso desde o começo. Ou maluco mesmo. Desde que pediu pra pegar na pistola do Ash. Desde que saltou o muro com um cano quebrado. Ele só não fez mais coisa do tipo ao longo do anime porque o Ash não deixou.
Gato de Ulthar:
Pediu para pegar na pistola do Ash, quando vi essa cena senti uma metáfora com o gênero shonen-ai 😛
Fábio "Mexicano":
Acho que só os muito inocentes não viram dessa forma, Gato 😛

Balanço geral do anime! Digam aí impressões finais, gerais, terminais, não me lembro mais:

Gato de Ulthar:
Não me desagradou, foi uma experiência positiva, não digo que recomendarei para alguém, nem muito menos terei vontade de rever futuramente, mas foi um passeio muito interessante no mundo da ação dos anos 1980.
Fábio "Mexicano":
Se não fosse dois cours seria mais interessante? A minha impressão é que acabou ficando muito repetitivo. O pecado maior é que tinha tema e história pra justificar 24 episódios, mas acabou com um monte de pontas soltas mesmo assim e repetiu à exaustão o plot do Ash ser capturado.
Gato de Ulthar:
Um anime com 12 episódios bem mais enxuto e acelerado poderia ser uma experiência mais interessante. E com menos capturas do Ash claro 😛
Diego:
Não sei não, acho que 12 episódios deixaria o anime rápido demais. Há arcos que não realmente precisavam existir, como quando Ash é levado para aquele hospital ou mesmo esse arco final do militar cujo nome nunca acerto, mas ainda acho que o anime precisava sim de dois cour para entregar o que queria.

Dito isso, o que ele queria entregar é uma história bem… ok. Divertida em muitos momentos, mas que ainda soa como um longuíssimo filme de ação dos anos 1980, completo inclusive com um protagonista praticamente indestrutível. E enquanto eu não desgostei do anime, de forma nenhuma, não é realmente um título do qual eu vou me lembrar por lá muito tempo.

Mas pra não ficar nesse clima de meio termo, eu vou dizer que no mínimo eu gosto do fato desse anime existir. Até onde sei, ele só foi feito porque a produtora do anime queria muito ver uma adaptação de um de seus mangás favoritos. Nós tendemos a ver essa mídia como muito “corporativa”, muito “engravatados com gráficos”, mas acho que séries como Banana Fish trazem ao primeiro plano esse elemento mais humano, de como ainda são pessoas, geralmente com legítima paixão por essa mídia, que fazem essas histórias acontecerem.

Vinícius Marino:
Falamos no Café sobre Yagate Kimi ni Naru sobre como histórias não precisa de um fim. Pois bem, eu acho que teria curtido mais Banana Fish se ele tivesse acabado em suspenso. Não porque não tenha curtido o final. Mas não consigo afastar a impressão do Fábio e do Gato de que dois cours trouxeram muito enchimento de linguiça.

Ao mesmo tempo, também concordo com o Diego. No geral, Banana Fish é uma lufada de ar fresco, que traz elementos e sensibilidades novas à mídia. Acredito que foi um verdadeiro ganho para o universo dos animes tê-lo visto ganhar forma. Que venham novos Banana Fishes. Perfeitos ou imperfeitos, serão uma experiência que deixarão o que falar.

Fábio "Mexicano":
Acho que já falamos bastante, não? Seis meses de Banana Fish! Talvez eu até sinta saudade. Querem deixar uma mensagem final para Ashes e Eijis de todo o mundo?
Vinícius Marino:
Não repitam o erro desses dois. Não tenham medo de se amar e levar seus amores às últimas consequências. Só se vive uma vez. Melhor aproveitarem o melhor possível!
Gato de Ulthar:
Isso mesmo, vivam o amor, fujam para longe das máfias e vão ser felizes, além disso, não acertem tiros apenas nos ombros dos chefões da máfia, acertem em um ponto vital.
Diego:
E caso sejam esfaqueados, procurem por um hospital, não por uma biblioteca 😛
Fábio "Mexicano":
Eu diria para não pegar na pistola daquele bandido bonitão logo no primeiro encontro, mas às vezes dá certo, né? Só se é jovem uma vez, se arrisquem sim, o que de pior pode acontecer? Ser capturado por uma máfia estrangeira e forçado a se prostituir até a morte?

Falando sério, acho que é tudo sobre equilíbrio. Coisa que ninguém vai ver em um filme de ação dos anos 1980 ou em Banana Fish, mas dá para aprender com exemplo negativo 😛

E assim encerra-se o Café com Anime de Banana Fish! Espero que o leitor ou leitora tenha gostado tanto quanto nós gostamos (em alguns momentos, espero que tenha gostado mais, hahaha), e estamos aí na atividade, até o próximo anime!

 

 

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