Kenja no Mago foi mais um isekai sendo transmitido neste ano (2019) e com seus 12 episódios, a obra trouxe alguns elementos diferentes, algo geralmente necessário para esse meio tão saturado nos últimos anos. Mas apesar disso, como o título já indica, Kenja é uma obra que se esforça para não ser levada a sério, ainda que tenha seus momentos dramáticos. Isso não é bem um ponto negativo, porém, o pecado muitas vezes vem pelo excesso.

A obra foi produzida pelo estúdio Silver Link, um estúdio que já fez inúmeros animes, até mesmo um isekai. Já o diretor chama-se Masafumi Tamura, que esteve a frente de Ange Vierge, Two Car e agora Kenja no Mago. Ele também teve outros trabalhos mas como diretor principal foram apenas esses. E eu acredito fortemente que se devemos culpar alguém, ele é uma dessas pessoas.

Logo de cara já gostaria de deixar bem claro que Kenja no Mago não é uma obra incrível, fantástica ou coisa do tipo, mas poderia ser melhor. E é óbvio que quando olhamos os trabalhos anteriores de um profissional, dá para termos uma ideia do que vem por aí. Isso não é algo 100% certo, mas nesse caso me custa acreditar que não seja, afinal, seus trabalhos anteriores em Ange Vierge e Two Car deixam a desejar.

Ange Vierge eu nem reclamo tanto assim pois a obra conseguiu ser interessante até. Foi um anime mediano que acabou sendo um passatempo razoável na época em que foi lançado. Já Two Car… que anime horrível; É sério, não assista esse anime pois você estará jogando seu tempo fora. Na verdade a única coisa que me deixa feliz em Two Car é que não haverá uma segunda temporada e eu já terminei com a tortura de assistir aquilo.

Já em Kenja eu acredito que o trabalho feito foi ok, sem estragar a obra num nível exagerado, apesar do excesso piadista. Esse excesso cômico me lembra muito o que acontecia em Two Car por exemplo. Sempre me incomodou e muito a superabundância de piadas e caretas dos personagens pois isso tirava toda e qualquer tentativa de algo mais sério na obra. 

Acabava tendo um contraste muito estranho pois os personagens estavam em momentos de crise, com vidas em jogo e o que mais acontecia era alguma palhaçada dos personagens.

Shin, o protagonista, é um personagem poderoso até demais e a obra cansou de fazer piada com isso. Ou seja, do começo ao fim tinha pelo menos uma cena durante o episódio onde ele levava bronca de seus avós por excesso de uso do seu poder. Como já mencionei, até momentos tensos como quando eles vão ajudar um reino que está sobre ataque de demônios é cheio de piadas. 

Isso é um muito frustrante, pois já não basta a obra deixar a desejar na questão de oferecer desafios que sejam dificultosos para Shin e seus companheiros, tem que tirar toda e qualquer seriedade de momentos em que não há espaço para isso. Não estamos tratando de uma obra cheia de elementos bizarros onde você entende desde o começo que não deve levar a sério e sim, de uma obra que tenta fazer um balanceamento disso e falha miseravelmente.

No meio de uma batalha séria isso é o que acontecia

Além disso tudo, ainda temos um arco composto de um conteúdo nível episódio de praia. Sim, sabe aquele episódio sem conteúdo algum em que nada acontece e tudo o que você vê são biquínis e afins? Agora imagina isso durante 4 episódios de pura e completa enrolação. Pois bem, Kenja desperdiça um terço de sua quantidade de episódios em algo fútil e sem graça, algo que faz bastante sentido considerando o resumo da obra.

Mas, problemas a parte você pode conseguir se divertir com o anime. Eu tive meus problemas no meio e no geral não fiquei tão satisfeito, mas talvez esse tom leve pairando em 100% da obra te agrade. Além disso, Kenja possui um diferencial muito interessante: o romance entre Shin e uma das personagens femininas. Não há uma formação de harém, o fanservice é escasso e o casal tem alguns momentos bem legais, sendo um adicional que é do interesse de muitas pessoas.

Outro ponto que vale destaque são os personagens. No geral eles têm uma construção legal, tendo um elenco muito carismático e divertido, algo que muitas vezes consegue sobrepor os defeitos. Já em relação aos vilões, o desenvolvimento deles é muito bom pois você não verá uma justificativa tosca para suas ações. Isso é algo que eu realmente gostaria de ver em outras obras, afinal, entender as razões do inimigo é sempre muito interessante pois enriquece a obra.

Enfim, Kenja é um anime que tem seus pecados mas que pode acabar divertindo bastante. Como um mero passatempo ele é uma boa opção, mas lembre-se de não exigir demais dele, ainda que você tenha lido a light novel ou o mangá que é uma versão alternativa do original.

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