Babylon – Ep 12 final – A serpente do Éden

Tudo foi muito complicado nesse final. Babylon acabou e nos deu um último episódio cheio de discussões e possíveis teorias. Então, vamos arregaçar as mangas e destrinchar o que teve e até o que não teve nesse último episódio.
Logo no início Alexander evita que uma garota, Kanae, cometa suicídio. Eu não gostei da resposta dele, mas ao menos a garota não se matou. E logo após isso ele teve uma epifania, ele entendeu o que é o bem. Continuar, isso é o bem.
Ah, tudo resolvido… se não fosse pela Magase. Ela revirou esse episódio de ponta cabeça. E também revirou muitas cabeças, entre elas a do próprio Alex. Ele foi tentado a provar da morte. Bem, tiremos um tempo para falar sobre a Ai.
A influência da Magase, e digo mais, a própria personagem não corresponde àquele mundo. Ela é uma personagem criada para ser usada de maneira simbólica, para ser uma metáfora, ou quem sabe uma grande alegoria.
Seizaki matou Alex, pois se isso não fosse feito seria passado a todas as pessoas do mundo a mensagem de que o “suicídio é bom”, o que seria catastrófico. E em seu confronto com Ai é questionado sobre o bem e o mal. Ele diz que são “continuar” e “acabar”, respectivamente. A última frase da Ai, com todos os problemas da tradução, me parecem querer dizer que o mal seria feito, que ela iria matar, ou deixar-se matar.
No fim, poucos que ouviram falar dela sobreviveram, e a população civil nunca ouviu falar dela mesmo com seu grande papel na lei do suicídio. Ela é um fantasma, uma força das sombras. E não acho que isso foi acidental. Eu parto da ideia de que Magase é mais que uma personagem, ela é um símbolo.
Aliás, Babylon esbarra em um certo problema da moral. Ainda que se saiba o que é o bem, quem diz que nós iremos sempre o escolher? O desejo, a tentação, é isso que o anime nos lembra. Ai falava sobre tolerar quem quer o mal, e de fato, Seizaki nunca soube responder esse problema.
E aqui entra o paradoxo. Se para evitar o “acabar” fazemos algo “acabar”, criamos um ato que é ao mesmo tempo moral e imoral. E pior, já que o “acabar” não se pode fazer “continuar” pois estaria impedindo o próprio “continuar”, sendo assim uma ação má. Complicado…
Aliás, a moral está nas consequências de um ato ou no ato em si? Ou seja, é a intenção do mal que conta ou as suas consequências? Não lembro se o anime levantou esse ponto, mas isso justificaria os atos do Seizaki. Ainda que eu seja mais atraído pela ideia de que tanto a intenção quanto as consequências importam.
- Pobre Alexander…
- e pobre Seizaki
No final das contas, Babylon deixa diversas pontas soltas. É discutível se Babylon falha ao abordar a questão do bem e o mal, porém sua importância na trama e suas contradições não deixam de ter grande valor.
Mas o grande problema é a questão do suicídio. Esse ponto é deixado de lado, ou melhor, não é dado um desfecho satisfatório. Todo mundo queria saber o resultado da lei, mas nós não sabemos dos desdobramentos daquele mundo. Foram muitas as pontas soltas deixadas por esse final.
Mas sairei em defesa da resposta que aparenta não ter sido dada. Não sabemos o fim que a lei levou, mas a discussão sim. Pois, o começo da primeira parte trouxe o problema do suicídio, e seu final trouxe a questão moral à tona. E por fim, tanto a questão moral quanto o suicídio foram unidas. Não havia mais 2 pontos, mas somente 1.
Então, toda crítica quanto a falta da resposta sobre a questão do suicídio deve ser dirigida a questão moral e a seus desdobramentos, respostas e conclusões quer sejam ou não contraditórias.
E se tudo não passar de uma grande alegoria? Vamos lembrar que no começo, o anime trata da justiça. Esse é o grande foco do começo. Então, aos poucos a justiça é abandonada. Em parte pelos questionamentos da Magase, em parte pela própria incerteza do mal. No fim, bem e mal são compreendidos, e Magase é a grande culpada disso tudo. Pode ser feito um paralelo bíblico desses acontecimentos.
Deus seria a justiça. Seizaki seguia a justiça, ele era como Adão. Magase seria a serpente, ela seria a “tentação”. Mas “Ai” é “Amor”, amor a quem se não a Deus (a justiça)? Foi por querer conhecer o bem e o mal que Eva foi tentada pela serpente, ou seja, para querer compreender Deus. Assim como Seizaki que tentou compreender a justiça. Foi tudo pelo seu amor a justiça.
Mas no fim, por comer do fruto o homem foi expulso do Jardim do Éden. E pior, perdeu a imortalidade. Deus havia dito ao homem “…da árvore do conhecimento do bem e do mal não deves comer, porque no dia em que dela comeres certamente morrerás” e sempre quem come do “fruto” da Magase também está fadado a morte. Pois a morte é o castigo de quem come desse fruto, assim como no anime.
Ou seja, a Magase tenta as pessoas ao pecado, é a tentação de experimentar e conhecer o que não se deve experimentar e conhecer, e o que por sua vez leva até a morte. Mas claro, essa comparação é um paralelo, não estou dizendo que essa era a intenção do anime. Só é algo curioso de se pensar.
O que o anime de fato deixou claro é que o nome do anime faz referência a meretriz da Babilônia. Então o G7 seriam os 7 reis, e até aqui faz sentido, mas era para a meretriz morrer no final disso tudo. Isso aconteceu? A cena do tiro não deixa claro.
Mas ela não morreu, como bem vemos na problemática cena final. Porém é como eu disse, ela é uma personagem simbólica, portanto mesmo o final pode ter valor também simbólico. Em conversa com um colega de blog, o Kakeru, me foi apresentado a ideia de que o final representava a eterna repetição do bem sendo corrompido pelo mal. Concordei de imediato, pois essa ideia me parece fazer bastante sentido.
Mas aqui vem uma coisa que tanto é um defeito quanto uma coisa muito interessante de Babylon. De fato as respostas no final falharam, porém, o anime permite que o espectador de sentido a seus acontecimentos e responda suas questões. Ou seja, é na ausência de sentido desse final que nós podemos atribuir qualquer sentido nosso.
Enfim, Babylon acabou e não teve um final muito bom, mas não diria que foi uma decepção. Foi o que foi, mas agora acabou. Obrigado pela atenção e até.
[ Mɑtheus Mɑd. Silver ]
Acho o final totalmente coerente e ele não foi ruim, o anime deu sua mensagem e esse foi o objetivo da obra desde o início. Vc pode não ter gostado do final, mas dizer que ele foi ruim, sem sentido.
Vitor K17
Concordo contigo. Eu não achei o episódio decepcionante pelo que teve, mas pelo que não teve. O problema aqui foi as pontas soltas mesmo. Além que as discussões continuam válidas.
James Mays
Heeeellloooo Peoples!!! James chegando e já indo!!!
Oia, sendo breve…Babylon…Um bom começo, premissa ótimas, muitas expectativas…E no final o cara se embananou…Tentou ser um Alan Moore e…Quebrou a cara!! Mas fica a experiência…E só o que tenho a dizer…A defesa não tem mais nada a contestar a corte MMº!
shido
Desde o começo o anime nunca deu respostas diretas, mas reflexivas e com sentido abrangente. O final foi tal qual o começo, deixando a forma como cada um interpreta ou encontra as respostas para as questões por si mesmo. Sendo assim, essas respostas podem diferir de indivíduo para indivíduo, pois é tudo questão de o que você interpreta como sua própria verdade, no que você acredita. Na minha opinião, o anime cumpriu o seu dever, e como você disse “há um sentido na falta de sentido”. Gosto de pensar na Nagase como um mal simbólico, como se podesse estar em todos os lugares, utilizar-se de todas as faces e excitar o mal que existe nas pessoas, fazendo-as provar do proibido e cair por ele. No fim, talvez o conhecimento seja tanto um presente quanto um mal para os seres humanos. Tudo é complexo demais para ser definido como estamos acostumados.
Vitor K17
Estou contigo nessa. Até hoje ainda não tenho certeza sobre o quão Babylon é realmente confuso e inconclusivo. E mesmo se for, se até que ponto isso é proposital ou uma falha do autor. Assistir uma obra traduzida de um idioma como o japonês é muito problemática, ainda mais quando o anime já é uma adaptação de uma novel. A adaptação tem inúmeros méritos, mas sabe-se lá quantos diálogos importantes se perderam. Mas mesmo nesses casos acho que o anime continuaria válido e altamente recomendado pelas suas diversas reflexões e seus incríveis diálogos.