Esse lindo filme da Mari Okada conta a história de Maquia, uma Iorf, ou quase “elfa”, que durante uma invasão ao seu vilarejo de tecelões, acaba acidentalmente sendo arremessada no mundo humano.

 

 

Maquia, para além de ser uma Iorf, também é órfã, e sente-se muito solitária, principalmente quando observa os seus amigos interagirem com os membros de suas famílias. Enquanto vaga pelo reino humano, perdida e sem saber o que fazer, Maquia encontra um jovem bebê preso ante os braços do cadáver de sua mãe. Ela se compadece e se identifica com o pequeno, assumindo para si a responsabilidade de protegê-lo e criá-lo como a uma mãe, dissipando assim a sua melancolia e solidão.

Por outro lado, enquanto os anos passam e ela se esforça para oferecer tudo o que pode ao seu filho adotivo, chamado de Ariel, novas informações relativas à sua melhor amiga, e ao seu povo, o qual foi escravizado e conquistado pelo reino de Mezarte, chegam aos seus ouvidos.

 

 

Maquia resolve investigar esses relatos, ainda mais por eles terem sido revelados a ela através da arte tecelã, que é uma das habilidades, ou mesmo o dom natural, de sua espécie. Um Iorf, para além de possuir uma longevidade absurda, tem por função registrar a história do mundo, os tecidos que tecem, contam com o nome de Hibiol, um panejamento fino e de qualidade sem igual que registra tudo o que acontece nas eras e nas civilizações. Parte desse registro é encontrada por ela, que descobre, assim, o que aconteceu com seus companheiros.

Mesmo contrariada, com medo, receio e muitas dúvidas, Maquia muda-se para a capital do reino, e leva consigo, apesar da generosidade de sua anfitriã que se oferece para cuidar da criança, o seu filho adotivo, o qual é muito apegado a ela.

 

 

Temos o reencontro fortuito com seus conterrâneos e a inserção de Maquia no plano de resgate de sua melhor amiga Leilia. O plano tem êxito parcial, mas Leilia, consciente de que é uma resolução paliativa, e de que novamente o seu povo será caçado, caso ela fuja, bravamente se nega a escapar, e se sacrifica pelo bem do futuro de sua raça, como refém e escrava, barriga de aluguel, da monarquia de Mezarte.

É importante destacar que o reino de Mezarte tem uma baixa autoestima política, mesmo sendo um reino com certa prosperidade, e sempre recorre a subterfúgios para mascarar a insegurança de seus governantes. Esses subterfúgios são representados pelo fato de o reino escravizar e aprisionar seres míticos, de grande poder, os dragões da raça Renato. Sim o nome da raça é esse mesmo. Mas quando os dragões começam a morrer de uma misteriosa doença, o reino vê como ameaçada a sua máscara de força militar, e busca ante aos Iorfs, fortificar a sua descendência real junto ao sangue dos “imortais” tecelões da história. Ou seja, mesmo que Leilia venha a ser bem-sucedida em uma fuga, é certo que eles voltaram a sequestrar, escravizar e tentar propagar a sua prole de modo forçado. Leilia sabe disso.

 

 

Pior ainda, Leilia, mesmo que escapasse, já estava grávida do príncipe do reino, o que agrava ainda mais a situação, pois era certo que caçariam a ela e a seu futuro filho(a), que possuía sangue real.

Maquia, ciente de toda essa situação, é obrigada a se resignar. Ela acaba se focando na vida do dia a dia e na criação de seu próprio filho, Ariel. O tempo passa, Ariel cresce, mas Maquia não demonstra qualquer mudança na aparência.

Ariel descobre que não tem relação sanguínea, ou mesmo de raça, com sua mãe, se rebela, perturbado por sentimentos diversos. Certo dia, motivado por um conhecido de infância, que agora é militar no reino de Mezarte, Ariel resolve abandonar a mãe, seguir o seu próprio caminho. Desamparada, Maquia lamenta a decisão do rapaz, agora, um homem, mas não tem sequer tempo para sofrer, pois logo em seguida é raptada por um de seus conterrâneos. Krim, um Iorf rebelde, busca resgatar Leilia a anos, sem conseguir obter o sucesso a ao preço da morte de muitos companheiros, ele resolve vender, ou mesmo revelar todo o plano do reino de Mezarte aos reinos fronteiriços, propondo um ataque e a conquista do reino que sequestrou e escravizou o seu povo.

 

 

Entretanto, depois de anos de sofrimento, o jovem Iorf perde o bom senso, ele não apenas rapta sua conterrânea, Maquia, como a vende ao reino com o qual negocia. Maquia passa alguns anos como escrava, em situação semelhante à de Leilia, e até engravida de algum de seus algozes.

O plano de Krim é bem-sucedido novamente, e ele consegue que uma aliança militar seja formada para invadir e destruir o reino de Mezarte. Durante o conflito, ele pessoalmente se encaminha para o castelo para resgatar Leilia, leva consigo Maquia, que provavelmente já deu a luz e foi afastada do filho.

 

 

No calor da batalha, Maquia se encontra com Ariel, que agora é um soldado do reino, e Krim se encontra com Leilia. Não vou contar o final e o clímax da história. Quem já viu, sabe como acaba, quem não viu, pode conferir essa parte final junto ao próprio filme, pois ele é muito bom e vale a pena ser visto, ou mesmo ouvir por spoilers no vídeo que deixo aqui anexado no hiperlink. Mas o vídeo não é completo, só assistindo o filme mesmo para realmente saber o que acontece.

Quanto a mensagem do filme. Na verdade, ela é bem simples. O amor vale a pena mesmo que ele tenha que acabar, que deixe um vazio e uma dor imensurável quando se esvai, materialmente falando, mas que, ao mesmo tempo, ele sempre estará ali, como parte de quem amou, pulsando no coração enquanto ainda houver vida. Amar é ser feliz, e ser feliz é superar os lastros que efetivaram a felicidade, e sorrir, mesmo que em sofrimento. Quem sorri escreve o futuro, mas jamais esquece o passado, e acima de tudo, vive o presente.

 

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